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Nova votação da 6x1 na Câmara aumenta pressão sobre Alcolumbre, avaliam aliados de Lula

Nova votação da 6x1 na Câmara aumenta pressão sobre Alcolumbre, avaliam aliados de Lula

Projeto tem urgência constitucional e, se aprovado pelos deputados, pode trancar pauta do Senado

Por Augusto Tenório/Folhapress

12/06/2026 às 18:45

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Arquivo

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O presidente Lula e o presidente do Senado Davi Alcolumbe

Aliados do presidente Lula (PT) avaliam que, mesmo fora do molde desejado pelo Planalto, a votação na Câmara do projeto do governo para o fim da escala 6x1 será positiva. Como o texto tem urgência constitucional, passará a trancar a pauta do Senado após 45 dias, elevando a pressão para a Casa votar a proposta.

O projeto de lei foi enviado pelo governo Lula para acabar com a escala 6x1, mas o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), decidiu que o tema deveria ser discutido numa PEC (Proposta de Emenda à Constituição). Ela foi aprovada na Casa em maio.

O governo decidiu manter a urgência do projeto de lei, mesmo com o fim da escala 6x1 já aprovado na Câmara. O Planalto queria que seu texto complementasse a PEC, tratando da redução de jornada para categorias específicas, como agentes de saúde e da segurança pública.

Projetos de lei com urgência constitucional podem ser enviados pelo presidente da República. Propostas desse tipo precisam ser votadas em até 45 dias na Câmara e mais 45 dias no Senado. Caso contrário, ele impede a votação de outros projetos de lei no plenário da Casa que "segurou" sua análise.

Motta driblou o governo e determinou que o projeto enviado por Lula seria votado, mas com modificações. O texto será um "espelho" da PEC já aprovada, sem novos efeitos práticos. A jogada, porém, passou a ser vista como positiva pela base do petista no Congresso.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), vem demonstrando resistência a pautar a PEC do fim da escala 6x1. Ele está em maus termos com o governo desde a rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF (Supremo Tribunal Federal).

O presidente Lula aposta na popularidade da proposta para melhorar a sua avaliação antes da eleição de outubro. Como a medida começa a ter efeito parcial, com redução da jornada de trabalho, dois meses após sua promulgação, o governo precisa fazer o Congresso aprová-la até agosto para que a medida surta efeito até a votação.

Enquanto isso, Lula deve conversar com Alcolumbre para falar sobre a PEC. O presidente do Senado disse a interlocutores do presidente que queria encontrar o petista antes de destravar a tramitação da proposta, que além de acabar com a escala 6x1, reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais.

Alcolumbre tinha prometido aos líderes partidários que faria uma reunião com eles nesta semana para tratar do andamento da PEC, mas o encontro não foi marcado. Ele também cancelou duas reuniões com o presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), o senador Otto Alencar (PSD), em que seriam debatidos o nome do relator e o calendário de tramitação.

Dessa forma, cresceu o temor no governo de que a tramitação, se destravada por Alcolumbre, poderia não ter a celeridade necessária para aprovação. Há preocupação de que se o fim da escala 6x1 ficar para depois da eleição, o Congresso poderá engavetá-la.

Lula vinha resistindo à ideia de encontrar Alcolumbre. O petista ainda está irritado com a rejeição de Messias, e sua má vontade foi incentivada até mesmo por pesquisas que apontam como eleitoralmente prejudicial a reaproximação com Alcolumbre.

Auxiliares recomendaram, no entanto, que ele reate com o presidente do Senado, não apenas por causa da PEC 6x1, mas também para evitar a aprovação de pautas-bomba às vésperas do período eleitoral.

Alcolumbre sinalizou que não levará esses projetos com alto impacto fiscal ao plenário. Ao mesmo tempo, o Planalto quer aprovar ainda a PEC da Segurança e o marco das terras raras.

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