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Fundador da Reag é suspeito de lavagem de dinheiro no inquérito de respiradores de Rui Costa

Fundador da Reag é suspeito de lavagem de dinheiro no inquérito de respiradores de Rui Costa

João Carlos Mansur teria atuado como operador financeiro de lobista que vendeu respiradores ao Consórcio Nordeste, em 2020. CGU aponta ocultação de R$ 5 milhões

Por Luiz Vassallo/Aguirre Talento/Estadão

11/06/2026 às 17:45

Atualizado em 11/06/2026 às 17:55

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado/Arquivo

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Fundador da Reag Investimentos, João Carlos Falbo Mansur, em depoimento à CPI do Crime Organizado

A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) suspeitam que o empresário João Carlos Mansur, dono da Reag Investimentos, e dois fundos da gestora lavaram R$ 5 milhões no esquema de desvios na compra de respiradores pelo Consórcio do Nordeste, formado por governos estaduais.

A compra, no valor de R$ 48 milhões, foi feita em meio à pandemia, pelo então governador da Bahia, Rui Costa (PT), hoje ministro do governo Lula, que presidiu o consórcio. Mansur é citado como suspeito de lavagem para um lobista que atuou pela empresa contratada. Procurados, o ministro e o empresário não se manifestaram.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu que a investigação do caso retorne ao Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeitas de que a ocultação dos recursos desviados continuou em curso enquanto Rui Costa era ministro da Casa Civil do governo Lula, o que indicaria foro privilegiado no STF.

Empresário é alvo da PF no caso Master

Mansur, economista de formação, teve ascensão meteórica na Faria Lima. Em poucos anos, sua gestora Reag chegou à marca de R$ 300 bilhões geridos em fundos de investimentos.

No último ano, a empresa foi liquidada pelo Banco Central (BC) e Mansur, alvo de operações da PF. Uma delas foi a Carbono Oculto, que investiga sonegação bilionária no setor de combustíveis, e a outra foi a Compliance Zero, que apura fraudes no Banco Master.

Documentos obtidos pelo jornal O Estado de São Paulo mostram que ele é investigado também pelos desvios na venda de respiradores com uso de verbas públicas federais e citado no inquérito da Polícia Federal.

Os respiradores foram vendidos, em 2020, em meio à pandemia da covid-19, ao consórcio dos governadores do Nordeste, presidido por Costa, então chefe do Executivo da Bahia.

Venda de respiradores envolveu empresa de maconha e lobistas

A empresa Hempcare, contratada por R$ 48 milhões, só tinha experiência na área de medicamentos à base de maconha. Ela nunca entregou os equipamentos e o dinheiro até hoje não foi recuperado.

O esquema teve a atuação de lobistas, que intermediaram contatos entre os donos da empresa fornecedora dos respiradores e integrantes do governo da Bahia. A PF apura se houve pagamentos de propina a agentes públicos em troca do negócio.

Segundo a investigação da PF e uma auditoria da CGU, Mansur teria usado uma empresa e fundos de investimentos para ocultar o destino do dinheiro pago a um desses atravessadores do contrato.

Seu nome é Fernando Galante, empresário de São Paulo que teria atuado como “facilitador político” do esquema. Ele recebeu R$ 9,4 milhões da Hempcare, a empresa contratada pelo consórcio do Nordeste. Galante não foi localizado pela reportagem.

Para receber a quantia, usou sua empresa, a Gespar. A Polícia Federal identificou que ela teria repassado R$ 5 milhões à Copaca, uma das empresas de Mansur.

Investigações apontam lavagem de dinheiro em empresa de fachada e fundos

No mesmo dia, 22 de abril de 2020, a empresa de Mansur repassou a quantia a um fundo da Reag. Esse fundo devolveu os R$ 5 milhões à empresa cinco dias depois. No dia seguinte, o dinheiro foi parar em outro fundo.

Segundo a CGU, “há fortes indícios de que a Copaca tenha sido utilizada como empresa de fachada, funcionando como veículo intermediário para esvaziamento do patrimônio da Gespar, empresa ligada ao operador Fernando Galante, com o fim de ocultar a origem e o destino do dinheiro público desviado”.

Na investigação da PF, trecho da decisão que ordenou busca e apreensão na Copaca citou os indícios de irregularidades envolvendo Mansur na gestão da empresa. “São veementes os indícios de ilicitude ao analisar que R$ 5 milhões que foram originalmente destinados à compra de ventiladores pulmonares passaram pelas contas de empresas destinadas à administração de bens (Gespar), ao ramo imobiliário (Copaca) e a bancos e fundos de investimento (Grupo Reag e Marsh Fundo de Investimento), mas nunca chegaram a uma empresa sequer que efetivamente trabalhasse com a compra de ventiladores pulmonares”, diz a decisão.

Contrato de Mansur com lobista cita ‘know how e relacionamentos’

O jornal O Estado de São Paulo obteve de fontes ligadas ao caso um contrato de gaveta firmado por Mansur e Galante. O documento prevê que ambas atuariam juntas na venda de testes de covid-19.

No documento, consta que a a Copaca e a Reag “possuem relacionamentos com laboratórios e hospitais interessados na aquisição dos Testes Laboratoriais e know how na estruturação de operações financeiras”.

Mansur era sócio da Copaca por meio de outra empresa, a Lumabe. Esta companhia tem conexões com o caso Master. Foi com dividendos de R$ 193 milhões da Lumabe que o empresário capitalizou um fundo de investimentos administrado pelo banco de Daniel Vorcaro para comprar ações do BRB, em abril de 2025. A peça da auditoria do BRB foi revelada pelo portal Metrópoles.

PGR quer inquérito no STF

Na última semana, a Procuradoria-Geral da República pediu para que o caso fosse enviado ao STF por haver suspeitas sobre o ministro. A PGR diz que o cenário é tão grave que, até hoje, os bloqueios judiciais determinados pela investigação conseguiram obter menos de 3,5% do total desviado.

“A ocultação de valores em apuração reúne esses elementos. É crime permanente que, segundo os indícios coligidos, teve início no contexto da contratação assinada por Rui Costa como Governador e se manteve, sem solução de continuidade, durante o período em que ele ocupou o cargo de Ministro de Estado”, escreveu a PGR.

A manifestação da PGR também ressalta o papel da Copaca e da Reag nos desvios dos recursos dos respiradores. “A dissipação seguiu por circuitos de ida e volta. Da quantia destinada à GESPAR, R$ 5.000.000,00 circularam entre a COPACA e fundos do grupo REAG, em transferências sucessivas concluídas em abril de 2020″, escreveu a PGR.

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