Lula define primeira leva de nomes para tribunais após revés com Messias
Vaga de ministro do Tribunal Superior do Trabalho gera disputa entre aliados do petista como Hugo Motta, João Campos e Helder Barbalho
Por Raphael Di Cunto/Folhapress
12/06/2026 às 17:30
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil/Arquivo
O presidente Lula (PT)
O presidente Lula (PT) fará nesta sexta (12) a primeira reunião com integrantes do governo para decidir sobre o nome de novos integrantes do Judiciário desde que o advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, foi rejeitado pelo Senado Federal no fim de abril.
Estão sobre a mesa do petista 29 vagas em tribunais superiores, a maioria em tribunais regionais eleitorais, que devem ser prioridade do presidente diante da proximidade da campanha eleitoral. Ele terá que decidir entre os nomes indicados em listas tríplices.
O despacho ocorrerá em reunião com o secretário especial para Assuntos Jurídicos (SAJ) da Casa Civil, Marcelo Weick. Também opinam os ministros Miriam Belchior (Casa Civil), Messias (AGU), José Guimarães (Secretaria de Relações Institucionais) e Wellington Lima e Silva (Justiça e Segurança Pública).
Também estão em disputa três vagas em tribunais regionais federais, mas a mais importante é uma lista tríplice para ministro do TST (Tribunal Superior do Trabalho). Ainda não há certeza de que Lula tomará a decisão sobre esta vaga hoje, diante das movimentações nos bastidores.
Vários aliados do petista têm se mobilizado para convencê-lo a nomear seus preferidos. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), está em campanha junto com outros políticos paraibanos pela escolha da desembargadora Herminegilda Leite Machado, do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 13ª Região (com sede na Paraíba).
Já o presidente nacional do PSB e ex-prefeito de Recife, João Campos, procurou ministros do governo para pedir a nomeação do desembargador Sergio Torres Teixeira, do TRT da 6ª Região (com jurisdição em Pernambuco).
Ex-governador do Pará e influente no MDB, Helder Barbalho tem defendido junto ao governo a escolha da desembargadora Maria de Nazaré Medeiros Rocha, do TRT da 8ª Região (Pará e Amapá). Um dos argumentos é ter uma ministra da região Norte do país, região que não está representada na cúpula da Justiça do Trabalho.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), não participou ativamente da campanha para eleger Nazaré, de acordo com parlamentares. Ele está com a relação estremecida com Lula desde que atuou pela rejeição de Messias para o STF.
A vaga do STF não deve ser deliberada nesta sexta, de acordo com integrantes do Palácio do Planalto. Lula tem dito publicamente que reenviará a indicação de Messias. O regimento interno do Senado proíbe a votação no mesmo ano se o nome já tiver sido rejeitado.
