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Eduardo Salles

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Citricultura baiana vive dias difíceis

Eduardo Salles

Citricultura baiana vive dias difíceis

30/04/2026 às 15:12

Todos nós sabemos que alguns segmentos da agropecuária trabalham com commodities que têm anos de preços altos e outros com valores mais baixos. Faz parte do jogo, sem dúvida nenhuma. Mas existem momentos, como é o caso atual da citricultura baiana, em que a crise bate à porta e é necessário a urgente intervenção do poder público para não termos um caos no setor.

São mais de 30 municípios dos territórios do Litoral Norte e Recôncavo que produzem citrus na Bahia, o quarto maior produtor brasileiro, atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais e Paraná. O setor emprega, direta ou indiretamente, 40.000 famílias em nosso estado. 

Apesar de a área plantada na Bahia ter reduzido para cerca de 49.000 hectares, os citricultores têm feito o dever de casa e investidos em novas tecnologias, o que permitiu a produtividade baiana chegar a 980.000 toneladas em 2025. 

Depois de um 2024 com preços muito bons, desde o ano passado o valor médio da tonelada vendida caiu para cerca de R$ 400,00, muito abaixo do custo de produção, segundo a COOPCITRICUS (Cooperativa de Citricultores de Rio Real e Região Circunvizinhas), hoje em torno de R$ 600,00 e R$ 700,00 a tonelada. O preço mínimo ofertado pela CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) ficou em R$ 704,00. 

A queda no preço causou problemas econômicos nos principais municípios produtores, que têm na citricultura sua principal mola econômica. A crise é real, está demorando mais do que o normal e pode encerrar a produção da cultura em nosso estado. 

Outro problema que podemos ter com a crise é a chegada de pragas, já que o produtor não terá condições de fazer os tratos culturais. A Bahia, ao contrário de outros estados brasileiros, e graças ao grande trabalho da ADAB (Agência de Defesa Agropecuária da Bahia), não tem greening.

Os citricultores apontam que a alta do preço de 2024 fez o mercado substituir o produto por outras frutas, a expansão da área plantada em Minas Gerais, Paraná, Mato Grosso e Sergipe, a diminuição da exportação aos Estados Unidos ano passado em função da guerra tarifária, maior oferta, diminuição do consumo in natura e ausência de indústrias de suco de laranja na Bahia os principais fatores da crise atual.

Não podemos controlar certos fatores, mas outros o poder público pode ajudar o setor. As comissões de Desenvolvimento Econômico, que tenho a honra de presidir, e a de Agricultura da Assembleia Legislativa da Bahia, realizaram audiência pública agora em abril para encaminhar medidas que ajudem a minimizar os problemas. 

De imediato, conseguimos com o Banco do Nordeste a prorrogação, com as mesmas taxas de juros, das parcelas a vencer em 2026 dos citricultores. Solicitamos ainda novas linhas de crédito de custeio e investimentos. Fizemos o mesmo pedido ao DESENBAHIA. A Secretaria Estadual de Agricultura reativou a Câmara Setorial da Agricultura.

À Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural e à Secretaria Estadual de Agricultura solicitamos apoio para a Secretaria Estadual de Educação implantar na merenda escolar, via PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar), a fruta in natura e o suco, conseguir recursos com os governos estadual e federal para aportar na CONAB e fazer a compra da fruta e do suco no PAA e PGPM, levar assistência técnica aos produtores e ampliar o programa de correção de solo. 

Requeremos à UPB (União dos Municípios da Bahia) apoio para os municípios compraram suco de laranja e a fruta para incluir na merenda escolar. 

Na Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico e com a FIEB (Federação das Indústrias do Estado da Bahia), nossa luta é para implantar indústrias que absorvam parte da produção baiana. Queremos também um ponto de venda na CEASA de Simões Filho para a comercialização da fruta in natura. 

É urgente que essas medidas sejam adotadas para não termos enormes prejuízos econômicos e sociais.

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