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Produtora de filme sobre Bolsonaro nega ter recebido aporte de Vorcaro, apesar de Flávio confirmar pedido
Produtora de filme sobre Bolsonaro nega ter recebido aporte de Vorcaro, apesar de Flávio confirmar pedido
Sócia-administradora de empresa diz que, se Flávio falou com Vorcaro, foi iniciativa pessoal dele
Por Ana Gabriela Oliveira Lima/Folhapress
13/05/2026 às 22:00
Foto: Andressa Anholete/Agência Senado/Arquivo
Em nota, Flávio confirmou ter pedido dinheiro a Vorcaro para o filme, mas negou ter recebido vantagens
A Go Up Entertainment, produtora do filme "Dark Horse" (que significa "azarão"), sobre a história de Jair Bolsonaro (PL), negou ao jornal Folha de São Paulo o recebimento de repasses de verba do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o projeto.
Segundo Karina Ferreira da Gama, sócia-administradora da empresa, a produtora só tem investimentos estrangeiros, sem ligação com o banqueiro. A fala se dá apesar de admissão do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de que pediu aportes para o filme.
Segundo Gama, a fala de Flávio pode ter sido uma tentativa pessoal de buscar recursos para o projeto do pai, mas não reflete qualquer verba ou sequer tratativa inicial com Vorcaro ou pessoas próximas ao ex-banqueiro.
"Eu já falei com a equipe dele [Flávio Bolsonaro]. Não tenho absolutamente nenhum recurso oriundo dessa pessoa ou das empresas que ele ou Fabiano Zettel fazem parte", afirmou Gama.
"Ele [Flávio], como família, como pessoa interessada no projeto, porque a gente está falando da história do pai dele, é evidente que ele tenha prospectado com várias pessoas o apoio, apresentação de novos investidores, novos apoiadores. Mas não existe nenhum documento, contrato ou transferência dessa pessoa [Vorcaro] e também de empresas que ela representa".
A informação sobre os repasses foi revelada pelo site The Intercept Brasil nesta quarta-feira (13). Segundo a publicação, o ex-banqueiro do Master pagou R$ 61 milhões para financiar o filme.
A publicação também mostrou diálogos entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro sobre os repasses. Em nota, Flávio confirmou ter pedido dinheiro a Vorcaro para o filme, mas negou ter recebido vantagens.
"É preciso separar os inocentes dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público", afirmou.
Também teria sido intermediário das tratativas o deputado federal Mario Frias (PL-SP), secretário especial de Cultura no governo Bolsonaro. Frias não respondeu à reportagem sobre o possível financiamento do ex-banqueiro.
A Go Up Entertainment afirmou à reportagem não poder revelar qual a fonte de captação de recursos para o filme. Segundo a empresa, toda verba vem de fora do país e é resguardada por um acordo de confidencialidade. "Trata-se de prerrogativa contratual e regulatória legítima, assegurada aos financiadores de projetos estruturados sob o regime de investimento privado, e que esta produtora é obrigada a observar".
A empresa diz ainda que, "sem prejuízo das restrições acima e com o propósito de afastar especulações infundadas, a Go Up Entertainment afirma categoricamente que, dentre os mais de uma dezena de investidores que compõem o quadro de financiadores do longa-metragem 'Dark Horse', não consta um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer outra empresa sob o seu controle societário".
Segundo a produtora, o projeto cinematográfico foi estruturado dentro de modelo privado de desenvolvimento audiovisual, "por meio de articulações, parcerias e mecanismos legítimos do mercado de entretenimento nacional e internacional, sem utilização de recursos públicos".
"Cumpre destacar, ademais, que conversas, apresentações de projeto ou tratativas eventualmente mantidas com potenciais apoiadores e empresários não configuram, por si só, efetivação de investimento, participação societária ou transferência de recursos —sendo improcedente qualquer ilação em sentido contrário", afirma em nota.
Segundo Gama, entretanto, não houve sequer conversa ou tratativa inicial com Vorcaro ou pessoas próximas ao banqueiro. "Nos fatos que a gente tem aqui, não existe nada relacionado ao senhor Daniel Vorcaro", afirmou Gama.
"De todos os investidores que vieram para gente, mais de dez, nenhum deles faz parte do conglomerado dele [Vorcaro]. São outras empresas. Empresas americanas que atuam em território americano [sem relação com Vorcaro]".
A Go Up tem sede nos Estados Unidos e um endereço registrado na Receita Federal na avenida Paulista, em São Paulo.
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