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CNJ recebe nova denúncia contra Marco Buzzi por assédio sexual

CNJ recebe nova denúncia contra Marco Buzzi por assédio sexual

Mais uma vítima que teria sofrido investida do ministro do STJ prestou depoimento nesta segunda-feira, 9

Por Carolina Brígido/Estadão

09/02/2026 às 19:30

Atualizado em 09/02/2026 às 22:35

Foto: Divulgação/CNJ

Imagem de CNJ recebe nova denúncia contra Marco Buzzi por assédio sexual

O ministro do STJ, Marco Buzzi, responde a duas acusações por assédio sexual no Conselho Nacional de Justiça

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) recebeu nesta segunda-feira, 9, denúncia de outra mulher que alega ter sofrido assédio sexual do ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça. Segundo nota do CNJ, a vítima narrou “fatos análogos àquele objeto de procedimento em curso”, o que motivou a abertura de uma nova reclamação disciplinar contra o ministro.

A defesa de Buzzi divulgou nota repetindo que o ministro não cometeu “ato impróprio” e reclamou do vazamento de informações sobre o caso (veja a íntegra abaixo).

Assim como a primeira denúncia, o caso também está sob sigilo, “medida indispensável para preservar a intimidade e integridade das pessoas envolvidas e para a adequada condução das investigações”, explicou o CNJ.

Buzzi foi acusado na semana passada de tentar agarrar uma jovem de 18 anos que passava férias na casa dele com a família em Balneário Camboriú (SC). Segundo a vítima que apresentou a primeira acusação, o ministro a teria agarrado à força no mar. Ainda conforme o relato, a jovem se desvencilhou e contou o episódio para os pais em seguida, que deixaram o local no mesmo dia.

Foi aberta uma sindicância no STJ para apurar a veracidade dos fatos narrados pela primeira vítima. O mais provável é que o novo caso seja também alvo de investigação no tribunal. A sindicância aberta no STJ e os processos no CNJ têm caráter administrativo e podem resultar na aposentadoria compulsória do ministro.

Em paralelo, o boletim de ocorrência registrado na Polícia Civil de São Paulo pela família da primeira vítima foi encaminhado na semana passada para o Supremo Tribunal Federal (STF), por ser o foro indicado para processar e julgar ministros de cortes superiores. A investigação está sob a relatoria do ministro Kassio Nunes Marques.

Buzzi entregou um atestado médico ao presidente do STJ, Herman Benjamin, na quinta-feira, 5, dia seguinte à abertura da sindicância. O ministro teria se sentido mal e foi internado em um hospital em Brasília. O atestado tem dez dias de duração, mas pode ser renovado. Nos bastidores do tribunal, ministros consideram provável que Buzzi seja afastado das atividades enquanto a investigação interna estiver em andamento.

Em nota, os advogados dos ministros contestaram a nova denúncia. Veja a íntegra:

O vazamento antecipado de informações não checadas, alheias aos canais institucionais e antes mesmo do acesso da defesa aos autos, revela um esforço deliberado de constranger o devido processo legal e influenciar indevidamente futuras decisões judiciais.

Até o presente momento, a defesa não teve acesso aos autos, muito embora já tenha apresentado pedido de habilitação desde a semana passada. Não há, portanto, qualquer base jurídica ou factual que permita manifestações responsáveis sobre fatos ainda indefinidos — muito menos julgamentos públicos antecipados.

É preciso lembrar que a oitiva realizada sem a presença da parte reclamada fere frontalmente o artigo 62 do Estatuto Interno do Conselho Nacional de Justiça, o que compromete a própria regularidade do procedimento.

O ministro Marco Buzzi não cometeu qualquer ato impróprio, como será possível demonstrar oportunamente nos âmbitos dos procedimentos já instaurados.

Maria Fernanda Ávila

Paulo Emílio Catta Pretta

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