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Entrevista - Alexandre Aleluia: “O PT está no ápice da arrogância, e a arrogância precede a queda”

Entrevista - Alexandre Aleluia: “O PT está no ápice da arrogância, e a arrogância precede a queda”

Por Política Livre

11/03/2026 às 09:09

Atualizado em 11/03/2026 às 09:09

Foto: Valdemiro Lopes/Arquivo/CMS

Imagem de Entrevista - Alexandre Aleluia: “O PT está no ápice da arrogância, e a arrogância precede a queda”

Alexandre Aleluia

Recém-eleito presidente da comissão mais importante da Câmara Municipal de Salvador, o vereador Alexandre Aleluia (PL) detalhou os passos das duas principais matérias que devem dominar a pauta do Legislativo este ano: o Plano Municipal de Segurança Pública e o novo Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU), instrumento que define a dinâmica estratégica da capital para os próximos anos.

Nesta entrevista exclusiva ao Política Livre, ele também falou sobre eleições e não escondeu a ambição de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Partido Novo, legenda pela qual seu pai, João Carlos Aleluia, deverá concorrer ao governo da Bahia. Para ele, todavia, não há janela partidária este ano, o que faz sua migração depender de uma acerto interno com a direção do PL na Bahia, leia-se João Roma. 

Nem por isso, ele poupa críticas à sigla, ao afirmar que ela “está fazendo a cama para eleger o sistema” e que “ficaria até muito mais confortável em fazer parte do Novo”. Sobre o cenário estadual, ele evita discutir a possibilidade de a pré-candidatura de seu pai se juntar à de ACM Neto (União Brasil), principal nome da oposição na Bahia, mas aponta convergência em encerrar o ciclo de duas décadas de governo do PT na Bahia, inclusive classificando a chapa puro-sangue de três governadores petistas como “um sinal de arrogância”. 

Leia a entrevista:

Com sua chegada à CCJ, como serão as discussões especialmente em torno do PDDU, que talvez seja o tema mais polêmico e mais importante da Câmara este ano? 

Primeiro eu fiquei muito honrado de ocupar novamente a presidência da CCJ, já fui presidente por dois mandatos, por quatro anos anteriormente, penso que desempenhei um bom trabalho. E agora um novo desafio, uma nova formação, são novos colegas, novos pensamentos também e formas de encarar o processo Legislativo, cada mandato acaba sendo único. A priori, nós temos como pauta mais imediata o plano de segurança, o presidente Carlos Muniz deu entrevista recente dizendo que seria o primeiro a ser colocado em votação, que foi enviado pelo Executivo no ano passado, mas terminou não sendo votado e ficou para este ano. Mas realmente o projeto, a lei mais importante do ano termina sendo o PDDU, que é enviado a cada dez anos, e esse ano é o ano do envio. Eu sei que a programação do envio é para maio, nós tanto da CCJ como da Comissão de Planejamento, que é a temática da lei, faremos todas as audiências necessárias como diz a lei e, se necessário, até mais do que diz a lei. Daremos a oportunidade da sociedade civil expor suas observações, suas opiniões, todos os órgãos atinentes ao tema. O que diferencia no último PDDU é que são várias temáticas novas, a dinâmica da cidade mudou muito, aliás a dinâmica das cidades mudou muito, principalmente após o Covid muita coisa se alterou, a forma de trabalhar, a forma de viver, a mobilidade entre cidades e dentro da cidade mudou muito. Então, todos esses aspectos devem ser levados em conta nessa apreciação. 

E como fica o calendário de atividades em torno desse tema na CCJ? 

Só começa após o envio. A programação é para maio, a partir daí começam as audiências públicas e a tramitação do projeto. 

Em relação ao Plano Municipal de Segurança, há algum detalhamento da tramitação ou, passando pela comissão, ele já vai direto ao plenário? 

Eu tenho que avaliar com o presidente, tenho uma reunião com ele para ver como é que vai tramitar. Como é um projeto que já tem alguns dias, não sei se faremos a tramitação por cada comissão e depois na temática ou se faremos uma reunião conjunta dada até a importância e a urgência do tema. O Plano de Segurança, além da questão do enfrentamento muito em voga hoje na cidade, também implica em recebimento de recursos federais etc. Então, talvez haja uma urgência maior e a gente possa fazer uma reunião conjunta para acelerar um pouco essa tramitação. Mas isso eu vou definir com o presidente.

“Eu não vou ter nenhum privilégio de tramitação por ser presidente da CCJ, isso eu garanto. Ele [o projeto de ordenamento das praias] vai seguir a tramitação normal”. 

O senhor apresentou um projeto estendendo para as demais praias de Salvador aquela mesma regulamentação da faixa de areia que já foi aprovada e sancionada para o Porto da Barra. Como está o andamento dessa nova matéria? Ela pode ganhar celeridade agora que o senhor está como presidente da CCJ? 

É curioso, esse novo projeto mostra a importância das redes sociais. Eu dei entrada nesse primeiro projeto e aprovei, e realmente o foco era maior no Porto da Barra, dada as circunstâncias, uma faixa de areia menor, tinha muita reclamação de lá, eu recebi na época reclamação de lá, teve um vídeo que viralizou de um turista mostrando que ele não tinha espaço na faixa de areia para poder aproveitar a praia por conta de carteiras vazias. Depois que esse projeto foi aprovado e sancionado, a aceitação foi tão boa que eu recebi um verdadeiro bombardeio de mensagens nas minhas redes sociais pedindo para estender a aplicação dessa lei para todas as praias de Salvador. Aí eu dei entrada no novo projeto, e realmente é pertinente, ninguém quer ser extorquido, ser obrigado a aproveitar a areia tendo que pagar por uma cadeira que muitas vezes ele não quer. Agora, eu não vou ter nenhum privilégio de tramitação por ser presidente da CCJ, isso eu garanto. Ele vai seguir a tramitação normal, está lá na CCJ, até porque dei entrada durante o recesso legislativo, mas está lá para designar relator, e essa semana devo designar relator como farei com todos os projetos de todos os vereadores, não vai ter privilégio nesse ponto. 

Sua pré-candidatura a deputado federal está mantida? 

Mantida, sou pré-candidato a deputado federal, quero defender ideias, aquilo que defendo ao longo dos anos, liberdade de empreender, de trabalhar, direito de propriedade, de ter sua casa preservada, pequena, média ou grande, a liberdade religiosa, respeito à nossa cultura, ao nosso Deus. São as bandeiras que eu levo quando faço política em Salvador e quero levar também a Brasília. 

“Isso poderia vir de um acordo, de uma anuência do PL e do presidente João Roma, e talvez também do presidente Valdemar. Mas não escondo minha vontade e minha pré-candidatura será pelo Partido Novo”. 

 

Você tem uma aproximação com o Novo, em razão até da pré-candidatura de seu pai pelo partido ao Governo da Bahia, mas ainda está filiado ao PL e não há janela partidária para vereador nesse momento. Como está essa discussão dentro do PL e com João Roma? 

Não tem janela, realmente. Eu estou bem afinado com o Partido Novo, com as ideias do partido, não tenho escondido a minha vontade de migrar e como ficaria honrado em fazer parte do Partido Novo. Tenho mostrado aos meus eleitores que, inclusive, o Novo tem sido muito mais afinado com as minhas ideias do que o PL em muitas ocasiões. São várias votações nacionais que o Novo se mostrou muito mais coeso e coerente que o PL. A votação do crime das piadas, da taxa de importação das blusinhas, como foi chamado, todo o Novo votou contra, o que mostra respeito à liberdade de expressão, liberdade de empreender, baixos impostos, Estado limitado. Então, ficaria até muito mais confortável em fazer parte do Novo, mas realmente não temos janela partidária. Isso poderia vir de um acordo, de uma conversa, de uma anuência do PL e do presidente João Roma, e talvez também do presidente Valdemar. Mas não escondo minha vontade e minha pré-candidatura será pelo Partido Novo. 

E essa anuência do PL já foi levada à mesa? Tem alguma reunião em vista?  

Março é o mês. Realmente o prazo eleitoral é até o final de março, quando você tem que estar filiado ao partido onde você virá candidato. Então, março é o mês das conversas importantes. 

“Vamos mostrar que o modelo PT está errado em qualquer lugar, no Brasil e na Bahia”. 

 

Seu pai é pré-candidato pelo mesmo campo de oposição que ACM Neto. Vê algum espaço para essa união das oposições? Considerando a possibilidade de vitória em primeiro turno…

Eu gosto de dar o exemplo do governador de Minas, que inclusive é do Partido Novo, Romeu Zema. Em janeiro de 2018 ele tinha nas pesquisas até menos que Aleluia, não tinha 1% ou 2%, já tinha dado como certo que ia perder a eleição e tinha planejado até viagem. E no domingo ele teve que voltar às pressas porque estava no segundo turno e depois ganhou no segundo turno. Então, a política é muito volátil nesse sentido. O que a candidatura de Aleluia representa, primeiro, é uma ruptura da forma de fazer política com a direita na Bahia, a gente não vai utilizar voto dos conservadores e liberais para eleger ninguém do sistema. O que a gente quer realmente é fazer um partido que represente os anseios da direita baiana, isso é um ponto importante, e segundo é fazer uma posição clara ao modelo petista. Não será uma oposição tanto faz, uma oposição volátil, será uma oposição clara, inclusive de nacional até a Bahia, em todo âmbitos. Mostrar que o modelo PT está errado em qualquer lugar, no Brasil e na Bahia. Então, é uma candidatura importante para o debate político. Essa questão de pesquisa, com o exemplo de Zema, tudo pode acontecer, né? É só um retrato das nuvens, mas o importante é que a candidatura é firme para mostrar que realmente existe espaço para a direita na Bahia que realmente represente esses valores e vamos até o final. 

“O PL da Bahia pode estar fazendo a cama para eleger o sistema, a política tradicional do lá e cá”. 

 

Acredita então que o PL, em certa medida, falhou na Bahia em representar essa direita? 

Sim. E inclusive está mostrando que o que pode estar acontecendo é que o PL pode estar fazendo a cama para eleger o sistema, a política tradicional do lá e cá, de ambos os lados, o que não representa realmente os conservadores e os liberais. Os conservadores e liberais têm que tomar cuidado para não servirem de escada para isso. E eu acho que nada melhor do que a matemática para mostrar isso, os números não mentem. A última eleição mostrou que a performance foi baixíssima de um partido do tamanho do PL.
Enquanto pré-candidato a federal do Novo, qual é o seu olhar sobre o cenário nacional e a eventual possibilidade de Romeu Zema receber convite para compor com Flávio Bolsonaro? 

Essa seria uma decisão dele e do próprio partido, não tenho como te responder isso. Uma coisa é certa, tem algumas ideias que realmente os dois convergem, tem outras coisas na política que talvez eles tenham uma uma divergência maior. Mas na política tudo é possível. Quando você tem pelo menos ideias centrais, mais convergências, as coisas se tornam mais possíveis, política é um ambiente do possível. Mas eu não tenho como avaliar nem tenho nenhuma informação a esse respeito. 

“Eu acho que [a chapa puro-sangue] é um sinal de arrogância”.

 

Este ano o PT completa duas décadas de governo na Bahia e apresenta uma chapa puro-sangue de dois ex-governadores e um governador buscando a reeleição. Que sinal isso passa?

Eu acho que é um sinal de arrogância. São duas décadas de um modelo que a realidade não deixa esconder o fracasso. A gente vê em todos os índices, seja da economia, segurança pública ou educação e saúde, não tem nenhum tema que você não consiga destrinchar como mazelas que realmente atrapalham o dia a dia das pessoas. Então, isso mostra muito bem que eles estão no ápice da arrogância. É a famosa frase, arrogância precede a queda. Eu acho que esse será um ano emblemático para a Bahia.

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