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Cármen Lúcia diz que democracia impõe transparência após ser escolhida para relatar código de conduta

Cármen Lúcia diz que democracia impõe transparência após ser escolhida para relatar código de conduta

Presidente do TSE discursou em sessão de abertura do ano da corte eleitoral

Por Ana Pompeu/Folhapress

02/02/2026 às 20:50

Atualizado em 03/02/2026 às 01:58

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Imagem de Cármen Lúcia diz que democracia impõe transparência após ser escolhida para relatar código de conduta

A ministra Cármen Lúcia, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral)

A ministra Cármen Lúcia, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), afirmou nesta segunda-feira (2) que a democracia impõe ética, transparência e eficiência. Mais cedo, durante a tarde, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin anunciou a colega como relatora da proposta de um código de conduta para os ministros da corte.

"Não há democracia sem um Judiciário independente e imparcial, mas a democracia também impõe ética, transparência e eficiência no atuar do poder sempre estritamente na legislação vigente", disse ela durante discurso na abertura do ano judiciário na corte eleitoral.

Cármen defendeu a transparência da conduta de autoridades e o compromisso com julgamentos independentes dos interesses de partes. Disse ainda que a desconfiança nos órgãos e agentes estatais é um fator de instabilidade e que é preciso que desvios éticos sejam tratados com rigor.

"A desconfiança nos órgãos e nos agentes do poder estatal é um desassossego para a cidadania e um fator de instabilidade jurídica, social, política e econômica. Temos de ser rigorosos e intransigentes com qualquer tipo de desvio ético", disse.

"É imprescindível que o comportamento de cada magistrado seja legítimo, confiável e transparente. O mistério é incompatível com a República", disse.

Ela disse ainda que o que legitima a atuação do Poder Judiciário "é a confiança que a cidadania deposita ou há de esperar da magistratura".

Em discurso na abertura do ano judiciário e, em meio a desgaste na imagem do STF, Fachin anunciou a ministra para a relatoria de código de conduta do Supremo. A medida, que é defendida por ele e tem sido alvo de cobranças da sociedade civil nos últimos meses, enfrenta resistência de parte dos magistrados.

A presidente do TSE não citou a proposta de Fachin, mas, de forma mais ampla, fez várias referências ao tema.

"A proteção aos direitos constitucionais da privacidade e intimidade das pessoas não afasta nem diminui a exigência de igualmente se assegurar a transparência da atuação de magistrados e magistradas e servidores e servidoras públicas", disse a ministra.

"Não se há de ter tolerância com nenhuma prática da magistratura que não seja adequada aos princípios de decência, honestidade do decoro funcional porque é disso que se reveste a honorabilidade do Judiciário", afirmou.

Em seu discurso no Supremo, Fachin afirmou que magistrados devem responder pelos próprios atos, pregou clareza de limites e respeito a críticas republicanas, defendeu autocorreção e falou no desafio de integridade das instituições e no compromisso da corte com um código de ética.

"A questão é saber se já chegou a hora de o tribunal sinalizar, por seus próprios atos, que o momento é outro. Minha convicção é que esse momento chegou. A fase agora é da retomada plena da construção institucional de longo prazo", disse Fachin.

A escolha da relatoria foi por decisão do presidente do tribunal. Ele conversou previamente com os colegas sobre a indicação e sinalizou a eles que o debate sobre o tema deve ficar para depois das eleições, conforme sugerido por uma ala de ministros.

A solenidade ocorreu após um recesso conturbado por uma crise de imagem do STF. No período, Fachin tentou contornar a questão e chegou a voltar a Brasília nas férias para conversar com colegas do tribunal.

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