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Entrevista – Otto Alencar: “Coronel só não será candidato a senador se não quiser”
Entrevista – Otto Alencar: “Coronel só não será candidato a senador se não quiser”
Por Política Livre
17/01/2026 às 10:35
Atualizado em 17/01/2026 às 14:44
Foto: Saulo Cruz/Agência Senado/Arquivo
O senador Otto Alencar (PSD)
Presidente do PSD da Bahia, o senador Otto Alencar (PSD) afirma, nesta entrevista exclusiva ao Política Livre concedida na tarde de sexta-feira (16), por telefone, que vai garantir a legenda para que o senador Angelo Coronel dispute a renovação do mandato em 2026, mesmo que como candidato avulso. Ele reforça, ainda, o apoio à reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT).
Na conversa com o site, Otto nega que tenha ocorrido qualquer atrito entre ele e Coronel, de quem é compadre. “É um amigo. E foi fundador do PSD. Não posso cercear o direito dele. Se ele quiser ser candidato, darei a legenda”, declara o cacique pessedista.
Otto também reafirma que nunca negociou a vice na chapa encabeçada por Jerônimo e critica a proposta feita pelo senador Jaques Wagner (PT) de ter Coronel como suplente. Ele também responsabiliza Wagner por toda a tensão gerada pelo debate antecipado sobre a composição da majoritária.
Confira abaixo a íntegra da entrevista.
A tensão aumentou nos últimos dias dentro da base do governo por conta da montagem da chapa majoritária. Tudo indica que, ao menos do lado do PT, já está decidido que os candidatos ao Senado serão mesmo o senador Jaques Wagner e o ministro da Casa Civil, Rui Costa. E o senhor tem reforçado que vai manter a aliança com este grupo. Como fica a situação do senador Angelo Coronel (PSD)?
Veja, vou deixar isso bem claro. Vamos coligar para apoiar a reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT), levar nosso tempo de TV para ele, nossa força política. Essa não é uma vontade só minha. Dos oito deputados estaduais que temos hoje, sete já me disseram que irão apoiar Jerônimo: Ivana Bastos, Cláudia Oliveira, Jusmari Oliveira, Adolfo Menezes, Alex da Piatã, Ricardo Rodrigues e Eduardo Alencar. Apenas Angelo Coronel Filho está aguardando a decisão do pai, o que é natural. Dos federais, já fizeram o mesmo Antonio Brito, Sérgio Brito, Charles Fernandes, Gabriel Nunes e Paulo Magalhães. Diego Coronel aguarda também o posicionamento do pai. Dos prefeitos do PSD que consultei, nenhum disse que não apoiaria a reeleição do governador, pelo contrário. Estamos numa aliança que não tinha como não apoiar Jerônimo, que tem cumprido tudo o que firmou conosco, e eu não tenho nenhuma queixa. E a lei permite que a gente possa coligar só para governador e o partido lançar candidato ao Senado. E quem me pede isso sempre é Angelo Coronel. Eu não posso, como presidente do partido na Bahia, podar o direito que ele tem de ser candidato. Então digo que Coronel só não será candidato a senador se não quiser.
“Não posso ficar num governo três anos e pouco, ocupando secretarias e outros cargos, e não apoiar o governador. Nunca vacilo nas minhas convicções.”
Então o senhor garante o partido para Coronel disputar a reeleição?
Mas é claro. Dentro da aliança sairiam três candidatos ao Senado, com o senador Jaques Wagner e o ministro Rui Costa, pelo PT, e Coronel, pelo PSD. A democracia permite isso. E o povo é quem vai decidir. Então está nas mãos de Coronel a decisão. Se fosse eu, disputaria com qualquer um.
Na semana passada, repercutiu muito uma entrevista que o senhor deu quando afirmou que apoiará a reeleição de Jerônimo mesmo se Coronel não estiver na chapa. Muitos integrantes do PSD consideraram que ali o senhor teria baixado a guarda e cedido à tese da chapa puro-sangue do PT, abandonando Coronel...
Eu disse que o partido tem a reeleição de Coronel como prioridade. Pegaram um trecho que circulou e colocaram como se eu tivesse rompido com Coronel. E não foi nada disso. Apenas disse lá que, como vice-governador, ajudei bastante. E, com toda a intimidade que tenho com Coronel, brinquei com o fato de ele não ter o desejo de ser vice-governador. E, no meio disso, Coronel vem conversando com a oposição, deixei claro que estarei no palanque de Jerônimo. Nada pessoal contra ACM Neto, mas não posso estar em um palanque que vai ter uma conotação de defesa do bolsonarismo. Não depois da minha atuação na pandemia, combatendo os desmandos do ex-presidente. E não posso ficar num governo três anos e pouco, ocupando secretarias e outros cargos, e não apoiar o governador. Nunca vacilo nas minhas convicções. E, como presidente do partido, dei a entrevista para dizer o seguinte: cada um pode se manifestar, mas não abro mão da minha coordenação.
Ter três candidatos a senador não coloca em risco os planos do governo de emplacar as duas cadeiras ao Senado? Isso não favorece a oposição?
Não, não. Eu torço pela unidade. Para que se encontre uma saída. Porque Coronel é uma pessoa muito importante para mim do ponto de vista pessoal. É um amigo. E foi fundador do PSD. Não posso cercear o direito dele. Se ele quiser ser candidato, darei a legenda. Agora, o PSD vai estar na sucessão e na reeleição de Jerônimo.
“Não esperava que, no início de 2025, Wagner lançasse essa chapa com Rui. Isso prejudicou até o governador, essa tensão que está aí. Isso tensionou muito.”
O senhor disse que o presidente Lula (PT) atuará como mediador sobre essa questão da majoritária na Bahia. Estará com ele na semana que vem?
Como já disse antes, a nossa expectativa é que o presidente atue como mediador. Devemos nos encontrar. Rui Costa e Sidônio (Palmeira, ministro da Secretaria de Comunicação Social e marqueteiro baiano), me disseram que ele vai me chamar para me ouvir. Estou aguardando. No dia em que marcarem, estarei lá em Brasília.
Uma das propostas colocadas na mesa, por Wagner, foi a de Coronel ser suplente do próprio petista e assumir metade do mandato. Para isso, Wagner seria ministro caso o presidente Lula se reeleja. O que o senhor achou da ideia?
Wagner fez essa proposta que não existe. Todos nós temos amor próprio. Você tem, eu tenho. O cara não pode sair de uma posição de senador para ser suplente. E não existe isso de dividir o mandato. É uma coisa que não soa bem. Dividir mandato não soa bem porque o povo não quer dar um mandato para ser dividido. Isso não é herança. Eu nunca aceitaria isso, se fosse comigo.
Outra alternativa, segundo se especula, seria o PSD ficar com a vice na chapa de Jerônimo, possibilidade que atingiria o MDB. Um dos nomes colocados seria o de Diego Coronel. O senhor tratou disso?
Não tem nada nesse sentido. Se estou defendendo a reeleição de Coronel, nunca tratei disso com ninguém. E tanto Lúcio quanto Geddel (Vieira Lima), nossos aliados do MDB, sabem disso. Tenho conversado com eles e eles não estão preocupados com isso porque nunca disse que o PSD iria indicar vice. Já falei até publicamente. Se alguém conversou sobre isso foi Wagner com Diego, ou não sei quem, e eles é que vão decidir. Mas tem uma coisa: quem fala pelo PSD sou eu. Quem fala pelos outros partidos são seus presidentes. Wagner formou esse grupo e tem essa responsabilidade de coordenar, conversando com os partidos e buscando a unidade. Inclusive, ele quem me tirou do tribunal (TCM) e me trouxe de volta para a política.
Algum arrependimento desse retorno para a política, em 2010?
De vez em quando me dá um arrependimento porque estou nesse tiroteio aí. Coronel é meu compadre e amigo há muitos anos. Wagner, assim como Coronel, é praticamente um irmão. É um fogo cruzado em que eu não gostaria de estar. Sempre procurei atuar na política de forma calma, tranquila, serena. Sempre busquei a conciliação. Veja que eu poderia ser candidato a governador nas eleições de 2022, e qualquer um iria topar, com o apoio do PT, de Lula. Estava na frente na pesquisa. Mas não fui, não tive essa ambição. Na disputa para o Senado, tive mais votos do que ACM Neto e do que Jerônimo, no primeiro turno.
Ao longo de todo o ano de 2025 o senhor pregou a ponderação nas discussões sobre a formação da chapa. Esse clima de tensão também é resultado dessa antecipação do debate eleitoral?
Eu sempre disse que não estava preocupado com chapa. Não esperava que, no início de 2025, Wagner lançasse essa chapa com Rui. Passou o ano inteiro e só se discutiu isso em 2025. Isso prejudicou até o governador, essa tensão que está aí. Isso tensionou muito. Digo com toda sinceridade: nunca recebi tanta pergunta e nunca vi tanta pressa como está sendo dessa vez, nos anos de política que tenho. Tive que ter muito equilíbrio.
O senhor, inclusive, reafirmou em entrevista publicada ontem pelo O Estado de S. Paulo as críticas a uma majoritária “puro-sangue”.
Sim, mas isso eu falei pela primeira vez em maio do ano passado, numa entrevista à Band. Não é novidade. No carlismo ocorria muito isso, o que resultou na primeira vitória de Wagner para governador, em 2006. Na entrevista ao Estadão, eles até trocaram a palavra “carlista”, que eu falei, por “carniça”, gerando um mal-entendido que corrigi depois. Uma chapa só com lideranças do PT nos cargos principais pode dar discurso à oposição contra o próprio PT.
“Coronel foi eleito com o apoio do PT. Eu também fui eleito com o apoio do PT. Eles já têm crédito também na nossa conta.”
Como o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, tem acompanhado esse debate? Ele defende a candidatura de Coronel à reeleição?
Kassab me deu o direito de fazer como quiser. Ele já deu declaração nesse sentido. E, como já disse, vou trabalhar pela reeleição de Coronel e manter a aliança que temos na Bahia. Aqui na Bahia, Kassab vai fazer o mesmo que no Amazonas: permitir que o PSD caminhe com o PT tanto para governador quanto para presidente. Ele já disse isso. O PSD vai ter como candidato a presidente o atual governador do Paraná, Ratinho Júnior, mas, na Bahia, estaremos no palanque de Lula. Parece que em Pernambuco também será assim e em outros estados. Não podemos estar num caminho há dez anos e, de repente, mudar. Não pode mudar pelo estômago.
Isso não deveria, na opinião do senhor, sensibilizar o PT da Bahia a fazer um gesto ao PSD e preservar Coronel na chapa?
Mas isso é reconhecido, não posso deixar de dizer. Coronel foi eleito com o apoio do PT. Eu também fui eleito com o apoio do PT. Eles já têm crédito também na nossa conta. Wagner tem razão quando diz que todos os aliados do PT cresceram. O problema é que ninguém quer deixar de crescer. Coronel quer continuar crescendo.
1 Comentário
Paulo
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17/01/2026
•
09:13
