Futuro 444, Angelo Coronel disfarça sobre novo partido
Por Política Livre
01/02/2026 às 15:03
Atualizado em 01/02/2026 às 19:49
Foto: Marcos Oliveira / Agência Senado
O senador Angelo Coronel, ainda filiado ao PSD, afirmou neste domingo (01) que vai definir o novo partido até março. Ele garantiu, em rápida conversa com o Política Livre, que a filiação ao União Brasil ainda não está decidida. Entre os aliados mais próximos do vice-presidente nacional da sigla, ACM Neto, o destino do pessedista é fato consumado, e Coronel já é chamado também até pelo futuro número de campanha, o 444.
A estratégia, como revelou a coluna Radar do Poder , é que Coronel, já desfrutador da simpatia ou do apoio declarado de uma parcela gigantesca dos prefeitos baianos, de diversos partidos do governo e da oposição, vista a camisa do União Brasil para ganhar ainda mais musculatura eleitoral explorando o número de ACM Neto, que vai concorrer ao Palácio de Ondina. Por isso, a tendência é que os filhos do senador, os deputados Diego Coronel (federal) e Angelo Coronel Filho (estadual), façam o mesmo movimento partidário.
Outro fator que pesa para Angelo Coronel aceitar o convite da União Brasil é o fato do presidente do Senado, David Alcolumbre (AP), ser membro da sigla. Entre os maiores partidos da oposição na Bahia, o senador baiano também tem propostas de filiação do PSDB e dos Republicanos. No caso do segundo, a oferta foi feita diretamente pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Mota (PB).
Embora tenha decidido mudar de boato diante dos debates com o presidente do PSD na Bahia, o senador Otto Alencar, que declarou apoio irrestrito à reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT), mesmo que o partido ausente da chapa majoritária, Coronel não pretendia anunciar no sábado (31) a saída do ninho pessedista, até porque ainda faltava convencer Diego Coronel da mudança para a oposição, como revelou o site (clique aqui para ler).
Mas isso mudou e a família Coronel fechou questão depois que Otto disse ao portal Metrópoles, na noite da última sexta-feira (30), que a permanência do correligionário no PSD havia se tornado insustentável por “quebra de confiança”. Isso por conta da ida de Coronel até São Paulo, na semana passada, para pedir ao presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, que o partido apoiasse ACM Neto ou ficasse neutro na eleição baiana.
"Sou mestiço"
"Minha saída do PSD é com o coração dilacerado. Eu fui destituído ontem (sexta). Ontem (sexta) o presidente Otto disse que minha permanência era insustentável. Por isso, ele deu o veredito para eu procurar partido para concorrer", declarou Coronel hoje ao jornal O Globo.
Mesmo evitando falar em brincadeira pessoal com Otto, de quem é amigo há quase 40 anos, Coronel não escondeu a frustração. "Sentido eu estou. É um casamento. Desejo sorte a todos. Vida que segue, sem inimigos e mágoas". E emendou: "Não tem cabimento um partido como o PSD ser defenestrado e tirar um senador de mandato. Como eu não sou puro-sangue, sou mestiço, preciso me juntar a eles".
O pano de fundo da ruptura é a chamada chapa “puro-sangue” defendida pelo PT baiano, que prevê a reeleição de Jerônimo ao governo e as duas vagas ao Senado ocupadas por petistas: o senador Jaques Wagner e o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT). O desenho excluiu Coronel da disputa, intensificando o atrito entre PT e PSD dentro da base governamental. A migração do senador para a oposição resolveu o problema de Jerônimo, mas deve provocar sequelas na base aliada e no próprio PSD.
2 Comentários
Zé Carlos
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01/02/2026
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13:37
Paulo
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01/02/2026
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12:36
