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Fachin diz que ministros do Supremo respondem por escolhas e anuncia Cármen para relatar código de ética
Fachin diz que ministros do Supremo respondem por escolhas e anuncia Cármen para relatar código de ética
Por Ana Pompeu e Luísa Martins, Folhapress
02/02/2026 às 14:56
Atualizado em 02/02/2026 às 20:00
Foto: Gustavo Moreno/STF
O presidente do STF, Edson Fachin
O ministro Luiz Edson Fachin, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmou nesta segunda-feira (2) que ministros devem responder pelos próprios atos, pregou clareza de limites e respeito a críticas republicanas, defendeu autocorreção e falou no desafio de integridade das instituições e no compromisso da corte com um código de ética.
Em discurso para a abertura do ano judiciário e em meio ao desgate na imagem do STF, Fachin também anunciou a ministra Cármen Lúcia para a relatoria do projeto do código de ética defendido por ele —e alvo de cobranças da sociedade civil nos últimos meses, mas que enfrenta resistência de parte dos magistrados.
"A questão é a de saber se já chegou a hora de o tribunal sinalizar, por seus próprios atos, que o momento é outro. Minha convicção é que esse momento chegou. A fase agora é da retomada plena da construção institucional de longo prazo", disse Fachin.
A solenidade ocorre após um recesso conturbado por uma crise de imagem. No período, Fachin tentou contornar a questão. Houve um pedido especial dele para que todos compareçam presencialmente à sessão solene.
A exceção ficou por conta do ministro Luiz Fux, que teve diagnóstico de uma pneumonia. O magistrado avisou a Fachin que, devido à condição, participaria de forma remota da sessão.
Na sessão, Fachin afirmou que as instituições devem colher aprendizados para se manter íntegras. De acordo com ele, é preciso que tenham clareza de limites para a atuação.
"Abrimos o ano com plena consciência de que momentos de adversidades exigem mais do que discursos. Pedem clareza de limites e fidelidade absoluta à Constituição Federal", disse.
No discurso, Fachin reforçou em mais de um momento a sua bandeira para a construção de um documento que reja a conduta dos ministros, inclusive no encerramento de sua fala. De acordo com ele, manter a magistratura firme e íntegra reforça a legitimidade da democracia.
"Seguirei buscando dar à sociedade brasileira segurança jurídica com legitimidade. Reafirmo o compromisso com a adoção de um Código de Ética para o Tribunal", concluiu.
A solenidade tinha as presenças esperadas dos presidentes da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e a PGR (Procuradoria-Geral da República) têm a palavra para manifestações.
Depois de um recesso marcado por uma tentativa do presidente do STF de contornar a crise de imagem da corte, a abertura do ano judiciário de 2026 reuniu um quórum quase completo de ministros. Houve um pedido especial de Fachin para que todos compareçam presencialmente à sessão solene.
A presença do advogado-geral da União, Jorge Messias, também era esperada e se confirmou. Ele foi indicado em novembro por Lula para a vaga aberta no STF com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, mas ainda não passou pela sabatina no Senado. A corte inicia 2026, portanto, com um ministro a menos.
Fachin convidou os ministros para reunião em 12 de fevereiro — um almoço de confraternização, mas há expectativa de que o código de conduta entre no cardápio.
