Campanhas mergulham nos bastidores no Carnaval, por Raul Monteiro*
Por Raul Monteiro*
12/02/2026 às 07:40
Foto: Reprodução/Arquivo
Jerônimo Rodrigues e ACM Neto
As campanhas mergulham no período do Carnaval nas articulações de bastidores na expectativa de, após a maior festa popular do planeta, assumirem as feições definitivas para enfrentar o período eleitoral. É quando o ano começa efetivamente mais no Brasil do que no mundo. Até aqui, não foi possível tomar conhecimento de todas as peças com que tanto o governador Jerônimo Rodrigues (PT), candidato à reeleição, quanto o ex-prefeito ACM Neto (União), líder das oposições e favorito à sucessão, segundo as pesquisas, marcharão para o confronto final em outubro. Sem anúncios oficiais, ambos apenas desenharam parcialmente suas chapas.
Jerônimo foi forçado a engolir o senador Jaques Wagner e o ministro Rui Costa (Casa Civil) como companheiros de campanha. O mais fraco eleitoralmente entre os três, o primeiro se auto-impôs, expulsando o senador Angelo Coronel (PSD) do grupo governista, tal qual fez em 2022 com o então vice-governador João Leão e o PP. Para isso, aproveitou-se de vacilos do próprio senador do PSD, que pintou e bordou no curso do mandato, namorando o governo Jair Bolsonaro (PL), votando algumas vezes contra Lula 3.0 no Congresso e praticamente esquecendo-se de trabalhar pela eleição de Jerônimo há quatro anos. Um pecador na igrejinha petista!
Considerado uma liderança ainda frágil frente aos dois principais caciques petistas, Jerônimo não tinha muita opção senão resignar-se ante os acontecimentos. O tranco dado mais uma vez por Wagner no grupo foi tamanho que o senador Otto Alencar, presidente estadual do PSD, acabou no hospital com uma crise cardíaca que resultou num marca-passo e hoje, superado o susto, está muito bem. Coronel, seu amigo de 40 anos, de quem se diz que Otto também planejava há muito se livrar, também viu a pressão arterial subir, mas, mais novo, saiu-se melhor da refrega, marchando com tudo para a campanha adversária de Neto, onde poderá concorrer à reeleição.
Jerônimo, Wagner e Rui trabalham agora para formatar a chapa. Falta definir o vice, já que o titular, Geraldo Jr. (MDB) é motivo de desconforto geral, depois de ter sofrido uma derrota fragorosa para a Prefeitura de Salvador em 2024. Só Wagner ainda ousa defender seu nome, mas apenas escondido. O mais provável é que o MDB indique, na reta final, um substituto e, no caso de não emplacar a posição, ceda para Otto escolher um dos seus para a vaga. Neto, por sua vez, tem, além de Coronel o ex-adversário João Roma (PL), que também é um ex-amigo, como opções para o Senado. Em sua cola, o bispo Márcio Marinho e Marcelo Nilo, do Republicanos.
Os dois também se conformam com a vice. Mas o ex-prefeito de Salvador ainda sonha em colocar na posição o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo (União), no que seria uma reparação histórica pelo sofrimento que lhe causa até hoje o fato de ter sido excluído da vice do próprio Neto, de última hora, em 2022, mas também uma incursão importante em toda a região que teria ficado igualmente magoada junto com o político feirense. Um chorôrô que, pelo visto, ainda não acabou! Quem também está de olho no Republicanos é a articulação política de Jerônimo, talvez como forma de compensar o desembarque de Coronel. Em 2022, o MDB entrou no governo no lugar do PP.
* Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.
3 Comentários
Evaldo freitas de Anunciação
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12/02/2026
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05:12
DENIVAL Cardoso
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12/02/2026
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06:39
Em resposta a
@Evaldo freitas de Anunciação
Nilson
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12/02/2026
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07:32
Em resposta a
@Evaldo freitas de Anunciação
