Home
/
Noticias
/
Radar do Poder
/
O olho do governo no Republicanos, os cargos que Coronel deixou para trás, o fantasma que ronda Jerônimo e o desânimo dos progressistas com o PSB
O olho do governo no Republicanos, os cargos que Coronel deixou para trás, o fantasma que ronda Jerônimo e o desânimo dos progressistas com o PSB
Por Política Livre
11/02/2026 às 11:04
Atualizado em 11/02/2026 às 14:20
Foto: Arte Política Livre
Somos todos
Desde a saída do senador Angelo Coronel (PSD) da base, o Republicanos, um dos principais partidos que dão sustentação ao grupo de ACM Neto (União), entrou na mira da articulação política de Jerônimo Rodrigues (PT). Os petistas entendem que a agremiação não tem porte para ocupar espaço na chapa majoritária, mas pode ser contemplada com vários cargos no segundo e até no primeiro escalão do governo se topar aderir ao grupo do governador.
Dois nomes
Hoje, o Republicanos tem dois pré-candidatos para ofertar a Neto: o deputado federal e bispo Márcio Marinho, presidente da sigla, e o ex-deputado Marcelo Nilo, ambos interessados numa das duas vagas ao Senado na chapa do ex-prefeito de Salvador. Com a chegada de Coronel, ambos acreditam que o interesse pode ser redirecionado para a indicação, por exemplo, à vice, posição que também permanece indefinida do lado de Jerônimo.
Márcio Marinho
Cargos
Mas como ainda tem o MDB e o PSD a contemplar na vice, a articulação do governador pensa em entregar ao Republicanos os cargos que hoje são de Coronel no governo estadual - a Agerba, a cabeça da Bahia Pesca e até uma eventual secretaria de Estado, como a do Planejamento, por exemplo. Posições no governo federal também podem entrar no 'rolo', como diz uma importante fonte ligada a Jerônimo.
Sob Trump
Nos Estados Unidos para esfriar a cabeça e poder repensar a estratégia para a sucessão estadual, Marcelo Nilo continua emitindo sinais de que não vai deixar barato a eventual exclusão da chapa de Neto, sonho de consumo que alimenta desde as eleições estaduais de 2022. Ele sabe que as duas posições ao Senado já estão fechadas com Coronel e o ex-ministro João Roma (PL), mas acredita que ainda pode ser chamado para a vice.
Marcelo Nilo
Avulsão
Nilo já obteve o aval do DC para sair candidato ao governo ou ao Senado e não enfrentaria perseguição do Republicanos se quiser deixar a legenda, mas sinaliza que pode disputar a senatoria como candidato avulso, sem ligação com as chapas inscritas, se considerar que a escolha de Neto para a vice não estiver à sua altura, o que causa desconforto tanto em Roma quanto em Coronel.
TCM
O governo começou uma sessão de afagos nos deputados federais Mário Negromonte Jr. e Cláudio Cajado, da Federação do PP com o União Brasil, interessado em que os dois marchem com Jerônimo em outubro. Nos bastidores, inclusive, já se admite a entrega de uma vaga do TCM à mulher de Cajado, que pode migrar para o PSD do senador Otto Alencar. No caso de Negromonte, o pedido é um pouco mais complicado.
Suplência válida
Para acomodar o deputado federal na base 'jeromista', se trabalha hoje com a indicação da deputada federal Lídice da Mata (PSB) à suplência do senador Jaques Wagner, embora ela resista fortemente à ideia. Mas não só Negromonte, filiando-se ao PSB, sairia contemplado com a transferência dos votos dela. O deputado Vitor Bonfim, estadual que pensa em chegar à Câmara dos Deputados, poderia dividir o espólio da dirigente socialista desde que também se filie ao PSB.
Vice ideal
O prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo (União), teria voltado ao pensamento de Neto como melhor opção de vice, depois do desencanto com o pepista Zé Cocá (União), que comanda o município de Jequié e joga mais do que enxadrista profissional. Seria uma forma de comprometer a região com a campanha netista, onde cresceu a resistência ao seu nome depois que Ronaldo passou a difundir sua aparentemente 'mágoa insuperável' por ter sido excluído da chapa em 2022.
José Ronaldo
Mudo
Mais calado do que nunca, o prefeito de Feira, por sua vez, tem dito achar difícil aceitar o convite para a vice agora, primeiro, porque não consegue esquecer o fato de ter sido preterido, o que aliados acham, sinceramente, uma bobagem, e segundo porque não confia no vice, Pablo Roberto (PSDB), que passaria a dar as cartas na cidade caso renuncie ao mandato para concorrer à sucessão estadual.
Fantasmão
Provavelmente só depois que a chapa for registrada e não couber mais chance de mudança, Jerônimo vai se livrar da especulação de que pode ser substituído pelo ministro Rui Costa (Casa Civil) como candidato ao governo. Agora, o que se argumenta é que, além de eleitoralmente forte, Rui seria o antídoto perfeito para a ideia de fadiga de material do grupo por ter pouca identidade com o petismo. "Não existe uma foto com Rui de camisa vermelha", observa um governista.
Pitacos
* O principal empecilho para que Rui assuma uma eventual candidatura ao governo no lugar de Jerônimo são os chamados menudos de Jaques Wagner, que, segundo se comenta no PT, se esbaldam na atual administração, da qual seriam defenestrados se o ministro virasse governador.
* O advogado eleitoralista Ademir Ismerim se divertiu com o fato de a Câmara Municipal ter praticamente fechado depois que os vereadores resolveram se dirigir à casa de Angelo Coronel para manifestar-lhe apoio. "Só Thomé de Souza tem um feito desses nas costas", lembrou.
* Sondagens continuam mostrando que Coronel é o mais forte candidato ao Senado entre os prefeitos, para o que muito deve ter contribuído o apoio que deu ao municipalismo quando foi relator do Orçamento no Congresso.
* Na classe política, Júnior Marabá, de Luis Eduardo Magalhães, Zé Ronaldo, de Feira, e Zé Cocá, de Jequié, são apontados como os prefeitos mais hábeis politicamente do momento. Fazem o "lá e ló" que é uma beleza, diz um deles.
* Aliados se irritam com o que consideram mania de Jerônimo de empurrar toda e qualquer demanda que os políticos lhe fazem para o secretário de Relações Institucionais, Adolpho Loyola, resolver.
Adolpho Loyola
* Mesmo para petistas, Coronel tira votos de Wagner na disputa ao Senado. Eles não acreditam, no entanto, que o desembarque do senador do governo tenha qualquer impacto sobre a reeleição de Jerônimo.
* Aliás, com seu ritmo desenfreado de viagens ao interior, Jerônimo só não esteve ainda em 40 dos 417 municípios do Estado.
* Lídice da Mata faz de tudo para evitar que Soane substitua Angelo Almeida na secretaria de Desenvolvimento Econômico. Prefere colocar na posição um indicado de algum candidato a deputado federal que traga votos para o PSB e consiga ajudá-la a renovar o mandato.
* Na base governista, se diz que bateu o maior desânimo nos quatro deputados estaduais do PP que pretendiam migrar para o PSB. Agora, pode tanto acontecer o 'cada um por si e Deus por todos' ou simplesmente um novo plano de vôo do qual os quatro façam parte.
* Ronaldo Carletto, presidente do Avante, está no limite de perder a suplência da candidatura de Rui ao Senado, considerada a mais cobiçada entre as chapas.
* A desembargadora Cyntia Resende deixou a presidência do TJ sem saber fazer um discurso. O último, de despedida do cargo, se transformou numa prestação de contas enfadonha que desconsiderou a presença de ministros de Cortes superiores para a festa de posse do sucessor, José Rotondano.
* Aliás, Rotondano começou já marcando uma grande diferença com a antecessora, ao abrir a Corte para um café da manhã com jornalistas, classe da qual a antecessora, não se sabe exatamente porque motivo, mantinha grande distância.
Rotondano
