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Camilo defende que Lula ofereça vice para Renan Filho ou Helder Barbalho para ampliar alianças
Camilo defende que Lula ofereça vice para Renan Filho ou Helder Barbalho para ampliar alianças
Ministro da Educação admite substituição de Alckmin e aposta em aliança formal entre PT e MDB
Por Catia Seabra/Caio Spechoto/Folhapress
26/02/2026 às 17:00
Atualizado em 26/02/2026 às 16:52
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil/Arquivo
O ministro da Educação, Camilo Santana (PT)
O ministro da Educação, Camilo Santana (PT), admite a possibilidade de substituição do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) em prol da ampliação do arco de alianças em torno da candidatura à reeleição do presidente Lula (PT).
Descrevendo Alckmin como uma pessoa extraordinária, correta e leal, o ministro ressaltou o ambiente de polarização política para justificar a busca de novos aliados.
Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, concedida na terça (24), Camilo apontou o MDB como parceiro mais viável e destacou o ministro dos Transportes, Renan Filho, e o governador do Pará, Helder Barbalho, como nomes fortes para a vice de Lula. Setores da sigla trabalham para aproximar o partido do presidente da República, mas essa é uma operação política difícil de ser realizada.
"Não há candidato melhor que a manutenção do vice. Porém, o país está muito polarizado. Quanto mais ampliar o arco de alianças, melhor", afirmou.
O ministro da Educação menciona que o MDB já esteve em uma chapa petista. Michel Temer (MDB) foi eleito vice-presidente de Dilma Rousseff. "Deu no que deu", afirmou Camilo, mas indicou não ver no impeachment da petista motivo para não tentar atrair o partido.
Na entrevista, Camilo defende articulação com os partidos do centrão e reitera a importância de uma candidatura de Fernando Haddad (PT) em São Paulo. Prestes a deixar o MEC para reforçar no Ceará a campanha do governador Elmano de Freitas (PT) à reeleição, ele revela que preferiria concluir o trabalho à frente da pasta. Camilo se elegeu senador em 2022 e se licenciou para assumir o ministério. Ele terá mais quatro anos de mandato após a eleição de 2026.
O presidente Lula busca uma aliança formal com o MDB. Acredita na possibilidade?
Acredito.
Dirigentes do MDB colocam como condição o espaço de vice na chapa. Esse acordo é possível?
Defendo a ampliação do arco de alianças para a reeleição de Lula. O partido mais próximo, que teria viabilidade, é o MDB. Pode ser que tenha diálogo com outros. É viável discutir espaço na chapa. É bom lembrar o histórico das eleições. O único que ampliou, fora os partidos mais progressistas que sempre estiveram na aliança do presidente Lula, foi o MDB. Na época com o Michel Temer, que deu no que deu [impeachment de Dilma], mas…
O vice-presidente Geraldo Alckmin estaria disposto a abrir mão em nome da aliança?
Isso teria que ser discutido com ele. O presidente já falou um pouco sobre isso [Lula disse que Alckmin tem um "papel a cumprir" em São Paulo].
O PT de São Paulo defendeu a permanência de Alckmin na vice.
Não há pessoa mais extraordinária, correta e leal. Porém, o país está muito polarizado. Quanto mais ampliar o arco de alianças, melhor.
O senhor acredita que Alckmin teria esse desprendimento?
Vai depender muito, primeiro, da viabilidade. É preciso colocar a discussão na mesa.
Nessa hipótese, quem seriam os possíveis nomes para a vice?
Vejo dois grandes nomes. Primeiro o do Renan Filho. Tem sido um grande ministro, jovem, talentoso. E o outro nome é o governador do Pará, Helder Barbalho. É um cara jovem [tem 46 anos], apoiou o presidente. A prioridade é do Alckmin, mas, se for o caso de ampliar, dois bons nomes do MDB são esses. E tem também a [ministra do Planejamento] Simone Tebet, outro grande nome.
Há quase um mês está em vigência a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000. Por que isso não foi convertido em intenção de voto?
Eu não sei se já é possível avaliar fortemente o resultado. A pessoa recebeu ali um mês, dois meses, três meses, em um ano vai praticamente ganhar mais um salário. Pode ser que não tenha o efeito que a gente esperava, mas é importante.
Setores do PT avaliavam que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, seria um adversário mais difícil. Agora Flávio Bolsonaro está se fortalecendo. Essa análise foi errada?
É a força do bolsonarismo. Quando coloca o Flávio como candidato do Bolsonaro, ele dá trabalho. Se colocar o [governador de Minas Gerais, Romeu] Zema, vai lá para cima também. Não tem espaço para a terceira via hoje. Dependendo do número de candidatos a presidente, a eleição vai ser decidida no primeiro turno. O Brasil está muito dividido. Daí a importância de ampliar a aliança, furar um pouco a bolha. Vamos enfrentar fake news muito fortes na eleição, principalmente com inteligência artificial. A lei vai ter que ter um rigor maior para poder combater isso, vai ter um peso muito grande nas eleições.
O cenário de polarização serve de argumento para que se busque sensibilizar inclusive petistas para abrir uma negociação, por exemplo, com o Ciro Nogueira no Piauí?
Não posso falar de questões específicas dos estados. É importante reeleger os governadores do PT, apoiar nossos aliados e eleger senadores. Mas a nossa prioridade é a eleição nacional. Qualquer movimento que for possível em nome do projeto nacional deve ser discutido.
No caso do Piauí, por exemplo, se isso for importante para o projeto nacional, tem que ser colocado à mesa?
Claro. Seja o Piauí, seja o Ceará ou qualquer outro estado.
No caso de União Brasil e PP, a ideia é impedir que esses partidos se alinhem ao Flávio em âmbito nacional?
No primeiro turno. No segundo turno é outra disputa. Espero que o presidente ganhe no primeiro turno.
O senhor reafirma que Fernando Haddad não poderia se dar ao "luxo" de não ser candidato em São Paulo?
Haddad é um extraordinário quadro, uma pessoa admirável e fez um grande trabalho na Fazenda. É um grande nome para se colocar nessa disputa. Precisamos de nomes que tenham força para defender o projeto nacional e disputar a eleição. Ele pode ser um nome para o Senado ou para o governo do estado. Quando digo que não se pode dar ao luxo, é porque o projeto não pertence mais a nós mesmos. Se eu for convocado para uma missão no meu estado, não é uma escolha pessoal, é pelo projeto. Vejo muito isso no Haddad. Ele está sendo convocado para uma missão que, às vezes, vai além do desejo pessoal.
É impossível para a esquerda conseguir mais votos no eleitorado evangélico?
Não. O que é ser evangélico? As pessoas que defendem a família, defendem a integridade. Qual foi o governo que mais olhou para as famílias na história deste país? O nosso, que protege a mãe, que dá um pé-de-meia para o menino não sair da escola. Esse debate vai ser feito.
O escândalo do Banco Master pode produzir algum desgaste eleitoral para o presidente?
Acredito que o contrário. Se tem um governo que busca investigar é o nosso, e não estou falando só do Master. Estou falando da Operação Carbono Oculto, da própria questão do INSS, que nasceu no governo passado, mas que esse governo teve a decisão de combater. Vai depender muito da narrativa, e claro que vai depender muito dos acontecimentos, porque todo dia é uma novidade desse Banco Master.
O dano de imagem causado pelo caso Banco Master ao Supremo Tribunal Federal é reversível? O tribunal ficou muito exposto a quem quer enfraquecer o tribunal?
Precisa ser reversível. O STF é o guardião da Constituição. Não pode ter nenhuma descredibilidade perante o país. Acho que precisa ser feita uma discussão mais aprofundada no Brasil das relações do Judiciário, das relações privadas. Mesmo que não haja questões legais, há questões morais e éticas. O presidente do STF quer discutir um código de ética.
E o senhor, defende o código de ética?
Claro que eu defendo. Quem faz a opção de ir para um cargo desses precisa saber qual é a missão.
2 Comentários
Reginaldo Cavalcante Matos
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26/02/2026
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14:35
Reginaldo Cavalcante 2
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26/02/2026
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14:34
