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O poder discricionário de Wagner sobre o grupo governista, por Raul Monteiro*

O poder discricionário de Wagner sobre o grupo governista, por Raul Monteiro*

Por Raul Monteiro*

26/02/2026 às 08:03

Atualizado em 26/02/2026 às 16:17

Foto: Jefferson Rudy/Arquivo/Agência Senado

Imagem de O poder discricionário de Wagner sobre o grupo governista, por Raul Monteiro*

Jaques Wagner

O fato político mais importante da Bahia logo depois do Carnaval, quando o ano de fato começa, foi o repentino anúncio da chapa governista à sucessão estadual pelo senador Jaques Wagner (PT), na ausência do governador Jerônimo Rodrigues (PT), que se encontrava na Índia acompanhando o presidente Lula. De forma açodada, sem combinação prévia com o governador, repetindo um padrão que costuma utilizar quando acredita que precisa resolver algo no grupo político que dirige há quase 20 anos, o senador petista mostrou publicamente que manda em Jerônimo - não se sabe se com o consentimento dele ou não - e no ministro Rui Costa (Casa Civil).

Mas não só neles. Estão igualmente sob o seu sarrafo, caladinhos, o senador Otto Alencar (PSD), o MDB a que pertence o vice-governador Geraldo Jr. e o Avante, para ficar apenas nos partidos mais importantes da coalizão governista. Por este motivo, o governador retorna a Salvador hoje com uma tarefa política a resolver: confirmar a presença do vice na chapa, como anunciado por Wagner, garantindo que havia combinado o que não acordou de fato com o senador, que acabou criando dificuldades para a divulgação desta versão ao praticamente admitir que desautorizou o governador ao chamar para si exclusivamente o anúncio da chapa, ou dar um cavalo de pau.

Neste caso, Jerônimo, utilizando-se também de uma declaração de Wagner posterior àquela que produziu a hecatombe no grupo governista, pode alegar que o senador deu apenas uma sugestão e que a vaga de vice continua em aberto para negociações com os demais partidos da base ou ainda com personagens políticos que pode atrair para o seu palanque, a exemplo do prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo (União Brasil), que, no entanto, já se sabe que prefere ficar com o aliado ACM Neto (União Brasil), ou figuras que representariam uma novidade, como o prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP), ou o deputado federal Neto Carletto (Avante).

Em qualquer dos cenários, o governador agiria dentro dos constrangimentos criados por Wagner para sua atuação política, tornados públicos a partir da iniciativa de anunciar uma chapa que, como suas declarações deixaram claro, ele montou sozinho - ao expulsar Ângelo Coronel (PSD) do grupo, impor a própria candidatura à reeleição ao Senado, aceitar a participação nela, também como candidato ao Senado, de Rui e, aplicando a cereja ao bolo, confirmar na vice um nome como o de Geraldo Jr., figura absolutamente inexpressiva eleitoralmente, que não agregará nada ao duro combate que Jerônimo terá que travar contra o candidato a governador das oposições.

Antes disso, Wagner naturalmente teve o cuidado de neutralizar e deixar sentadinho no gabinete Otto, único que seria capaz no grupo de criar alguma resistência ao ferry-boat petista, ao garantir a nomeação de seu filho para o cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. Wagner consegue a proeza de operar com tamanho poder discricionário sobre todos aqueles que estão no mesmo grupo porque, no começo de tudo, tomou para si o controle do PT. Pela força que imprime às suas ações e a cabeça branca que ostenta, começa a ser comparado com um personagem político conhecido das antigas, desconsiderando aquele provérbio segundo o qual 'a arrogância precede a queda'.

* Artigo do editor Raul Monteiro publicado na Tribuna de hoje.

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