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Assembleia do Rio aprova regras de eleição indireta para governador sob risco de judicialização
Assembleia do Rio aprova regras de eleição indireta para governador sob risco de judicialização
Deputados do PSD e PSOL estudam questionar judicialmente a redução do prazo de desincompatibilização
Por Italo Nogueira/Folhapress
11/02/2026 às 21:15
Foto: Divulgação/Governo do RJ/Arquivo
O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL)
A Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) aprovou nesta quarta-feira (11) as regras que regulariam a eleição indireta para mandato-tampão de governador do estado, que seria exercido caso se confirme a provável renúncia de Cláudio Castro (PL) em abril, para concorrer ao Senado.
A única divergência exposta foi a exigência de cumprimento do prazo de desincompatibilização dos futuros candidatos. A lei eleitoral impede a participação, em pleitos, de nomes que não estejam há pelo menos seis meses fora do cargo no Poder Executivo, como secretários. O projeto aprovado reduz esse prazo, no caso da eleição indireta, para um mês.
Este ponto afeta a viabilidade dos principais nomes ventilados pelo PL, que tem maioria da Assembleia. Castro quer indicar o secretário da Casa Civil estadual, Nicola Miccione (PL), como candidato. O senador Flávio Bolsonaro (PL) prefere o secretário estadual de Cidades, Douglas Ruas (PL).
A desintegração da linha sucessória do governo do Rio começou em maio do ano passado, quando o governador convenceu o ex-vice, Thiago Pampolha, a deixar o cargo para assumir uma cadeira no TCE (Tribunal de Contas do Estado) a fim de abrir espaço ao então presidente da Alerj (Assembleia Legislativa), Rodrigo Bacellar (União).
O desenho previa a renúncia de Castro para se candidatar ao Senado. Pelo plano, Bacellar seria escolhido pela Alerj, onde tinha amplo apoio, em eleição indireta como novo governador para concorrer à reeleição em outubro.
Contudo, diante do afastamento do deputado do cargo determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), o nome do "governador-tampão" se tornou tema de discussão dentro do PL, que tem maioria na Alerj. Bacellar foi retirado sob suspeita de vazar informações da operação que prendeu o ex-deputado TH Joias, ligado ao Comando Vermelho. Ele nega.
O deputado Rodrigo Amorim (União), relator do projeto de lei complementar aprovado nesta quarta-feira, argumenta que a regra de seis meses para desincompatibilização só pode ser exigida em eleições regulares, com datas já previstas no calendário.
"Ninguém sabe quando ou se isso [eleição indireta] ocorrerá de fato. Então não tem nenhum sentido que aquele que pretende concorrer numa eleição extraordinária deixa o cargo sem saber qual é a data e sem saber se vai ocorrer a eleição", disse Amorim.
O deputado Luiz Paulo (PSD), autor do projeto de lei, afirma que decisões do Supremo exigem o cumprimento das regras de inelegibilidade, dentre as quais está o respeito ao prazo mínimo de seis meses de desimcompatibilização. Ele afirmou que vai solicitar ao partido o questionamento do caso no STF.
As decisões do STF se referem às regras para eleições indiretas realizadas em Alagoas e Bahia. Em ambos os casos, contudo, não houve um debate direto sobre a questão do prazo de desincompatibilização.
Luiz Paulo criticou a demora em discutir o projeto de lei apresentado em junho do ano passado, após Pampolha deixar a cadeira de vice-governador. "Esse projeto foi apresentado há meses. Ele ficou parado nesta Casa. Agora, quando se aproxima o julgamento no TSE e quando também se fala na possibilidade de renúncia para disputar o Senado, ele passa a tramitar em regime de urgência. É preciso reconhecer que o contexto político e jurídico influenciou esse calendário", disse ele.
Castro ainda vive a expectativa da retomada da ação no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que pede sua inelegibilidade e a cassação de seu mandato em razão do escândalo das "folhas secretas" do governo na eleição de 2022.
Caso o governador seja cassado pelo TSE, a eleição para substituição do governador deve ser direta. A expectativa é de que Castro renuncie ante da retomada do julgamento, caso haja expectativa de derrota. O julgamento foi interrompido por pedido de vista do ministro Antônio Carlos após voto pela condenação proferido pela ministra Isabel Gallott.
O deputado Flávio Serafini atribuiu a pressa na análise do projeto à intenção de Castro de evitar o julgamento no TSE.
"Por que se votar hoje? Nós do PSOL somos contrários que se vote hoje. Porque a gente entende que a votação de hoje parece estar construindo uma rota de fuga para Cláudio Castro para renunciar ao mandato e entrar com uma alegação de perda de objeto no TSE, retirando do povo do Rio de Janeiro a possibilidade de escolher o próximo governo-tampão, que vai governar até o final do ano", disse ele.
"Vamos acionar as instâncias superiores, o Supremo Tribunal Federal, para que se respeite a legislação. Mas, principalmente, se o objetivo de Cláudio Castro for produzir uma janela de fuga, que ela seja fechada".
