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Aliados de Raquel Lyra rejeitam parceria com Flávio sugerida por PL em anotações do senador
Aliados de Raquel Lyra rejeitam parceria com Flávio sugerida por PL em anotações do senador
Acusado de puxar senador para baixo, Mateus Simões (MG) diz que tem boa relação com PL apesar de apoio a Zema
Por Carolina Linhares/Folhapress
26/02/2026 às 17:45
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil/Arquivo
A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD)
Aliados da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), indicam que a parceria sugerida por Flávio Bolsonaro nas anotações do senador sobre os palanques estaduais do PL não deve se concretizar.
As notas de Flávio foram reveladas pelo jornal Folha de São Paulo.
A lista de pré-candidatos discutida em reuniões da cúpula do partido mostra que, em Pernambuco, o único nome cogitado pelo PL para o governo é o de Raquel, que vai disputar a reeleição. Procurada pela reportagem, a governadora não comentou o possível apoio do PL, mas aliados dela dizem que essa proposta não deve se concretizar.
Raquel Lyra mantém proximidade com Lula (PT), que em 2022 teve 67% dos votos no segundo turno em Pernambuco, ante 33% de Jair Bolsonaro (PL). Seu adversário, o prefeito do Recife, João Campos, é do PSB, que deve integrar uma coligação com o PT e, portanto, será palanque de Lula.
Raquel reafirmou a Lula, em reunião neste mês, que apoiará sua reeleição caso ele se mantenha neutro na disputa estadual.
Aliados da governadora e mesmo integrantes do PL em Pernambuco afirmam que ela não deve fazer campanha para Flávio. Bolsonaristas, porém, dizem que ela é a única opção que resta a eles, dado que descartam votar em João Campos.
"Tenho ressalvas em relação a ela, sobretudo na parte de segurança pública, mas os únicos candidatos no estado são Raquel e João. No segundo turno da eleição passada, votei nela", diz o deputado federal Coronel Meira (PL-PE).
O rascunho de observações feito por Flávio e obtido pela reportagem ainda indica outro imbróglio no estado, na disputa ao Senado. Os nomes cogitados são Anderson Ferreira (PL) e Miguel Coelho (União Brasil).
O nome de Anderson, porém, aparece riscado por Flávio e, em seu lugar, o senador escreveu "Mendonça Filho (PL)", indicando uma expectativa de que o ex-ministro e hoje deputado deixe o União Brasil e se filie ao PL para concorrer ao Senado. Mendonça não respondeu à reportagem.
Essa possibilidade, no entanto, divide o PL. "Cel Meira gosta. Só Gilson não gosta", escreveu Flávio.
Procurado pela reportagem, o ex-ministro do Turismo de Bolsonaro Gilson Machado (Podemos) disse que essa observação não procede. "Sou amigo de Mendonça, como vou ser contra?", afirmou. Ele reforçou, contudo, que é pré-candidato ao Senado ou à Câmara e que tem o apoio de Bolsonaro para concorrer.
Mendonça já foi sondado pelo PL para se filiar e também tem convites de outros partidos. Apesar de ser considerado viável para o Senado, o deputado trabalha por enquanto com a ideia de reeleição.
As anotações de Flávio trazem informações sobre estratégias em outros palanques.
Ao tratar de Minas Gerais, Flávio anotou que o vice-governador Mateus Simões (PSD), que vai disputar o governo, o "puxa para baixo". Mateus faz oposição a Lula e tem proximidade com a agenda bolsonarista, mas a interpretação é de que o senador fez essa observação porque o vice já está comprometido a apoiar Romeu Zema (Novo) na eleição presidencial.
Mateus afirmou que tem boa relação com o PL em Minas e sugeriu que pode, caso o apoio do partido a ele se confirme, formar um palanque duplo, com Zema e Flávio. O governador de Minas também é cogitado para ser candidato a vice-presidente na chapa de Flávio.
"Acho que minha relação com o PL local e com Nikolas [Ferreira] mostra que esse é um risco que podemos minimizar em um palanque 'misto'", disse à reportagem.
Outra alternativa do PL, segundo as anotações de Flávio, é lançar o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, ao governo. Roscoe deve se afastar da entidade e se filiar ao PL no próximo mês, mas seu futuro eleitoral ainda não está decidido.
No Paraná, também pode haver palanque duplo, caso o governador Ratinho Júnior (PSD) seja candidato a presidente. A lista do PL aponta como possíveis candidatos ao governo o secretário Guto Silva (PSD), nome apoiado por Ratinho, e o senador Sergio Moro (União Brasil).
O rascunho de Flávio trata de todos os estados. Na Bahia, por exemplo, ele escreve que vai procurar ACM Neto (União Brasil) antes de montar um palanque. O ex-prefeito e pré-candidato ao governo não quis comentar.
Em Alagoas, as duas opções para o governo são o prefeito JHC (PL) e o deputado Alfredo Gaspar (União Brasil). "Único que pedirá voto para mim", observa Flávio em relação a Alfredo Gaspar. JHC foi procurado pela reportagem, mas não quis comentar.
Um adendo no verso do papel traz observações sobre Goiás, onde os cotados para o Senado são o deputado Gustavo Gayer (PL) e Gracinha Caiado (União Brasil), que é mulher do governador Ronaldo Caiado (PSD). Ali é dito que Gayer "pensa em desistir", enquanto o deputado Daniel Agrobom (PL-GO) "quer sair" e a deputada Magda Mofatto (PSD-GO) "sai".
Flávio fez uma série de anotações em relação ao prefeito de Ananindeua, Daniel Santos (PSB), indicando que ele pode ser vice de um dos nomes colocados para o governo do Pará ou pode disputar o governo em outro partido.
"É hoje do PSB (não pede voto para FB/ anti-Helder)", em referência ao governador Helder Barbalho (MDB), aliado de Lula.
O rascunho diz ainda que pesquisa mostra "chance grande de fazer um senador nesse palanque". A lista traz Mário Couto (PL) e Simão Jatene (PL) como possíveis nomes para o governo e Joaquim Passarinho (PL) e Eder Mauro (PL) para o Senado.
Outros estados
Não há na lista um nome para o Governo de Sergipe, mas a anotação de Flávio à caneta traz "Ricardo Max (PL)". Trata-se de Ricardo Marques (Cidadania), vice-prefeito de Aracaju. O senador ainda pontuou: "foi âncora da Globo".
Para o Senado, os listados são Rodrigo Valadares, que trocaria o União Brasil pelo PL, e Coronel Rocha. O nome de Eduardo Amorim (PSDB) aparece riscado.
O prefeito de Natal, Álvaro Costa Dias, deve trocar o Republicanos pelo PL e concorrer ao Governo no Rio Grande do Norte, segundo o documento. "Palanque nosso" e "evento em 21 de março", diz. Dos nomes para o Senado, constam o do senador Styvenson Valentim (PSDB) e o de Coronel Hélio Oliveira (PL), sendo que o primeiro aparece com a observação "eleito".
O rascunho, ao tratar do Amazonas, traz uma nota de Flávio de que o governador Wilson Lima (União Brasil) teria "80% de desaprovação". Logo abaixo há o nome Alfredo Nascimento, presidente do PL-AM, com a inscrição "é do Valdemar". O PL no estado faz parte da gestão Wilson.
A candidata ao governo seria Maria do Carmo (PL) —conforme a explicação feita pelo senador, ela foi candidata a vice-prefeita na chapa do deputado Capitão Alberto Neto (PL), que perdeu a Prefeitura de Manaus em 2024. Alberto Neto, por sua vez, aparece como opção ao Senado ao lado do senador Plínio Valério, que trocaria o PSDB pelo PL.
Além deles, está escrito à mão o nome do vereador Sargento Salazar (PL) e a observação "perdemos se houver composição com Wilson".
Sobre Roraima, Flávio observa que o governador Antonio Denarium (PP) pode ser cassado. Ali, a candidata ao governo seria a ex-deputada Teresa Surita (MDB), enquanto os candidatos ao Senado seriam o prefeito de Boa Vista, Arthur Henrique (PL), e o senador Mecias de Jesus (Republicanos).
Em Rondônia, o cenário está indefinido. O senador Marcos Rogério (PL) é indicado tanto ao Senado como ao governo. Outros três nomes ao Senado levam observações. Fernando Máximo (União Brasil) "vem para o PL se Bruno não for candidato". Com Bruno Scheid (PL) "vamos perder, perdemos Marcos Rogério". E Coronel Marcos Rocha (União Brasil) "deve ficar no mandato (não será candidato)".
