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Aliados de Lula falam em alívio com desistência de Janja e descartam crime eleitoral por desfile

Aliados de Lula falam em alívio com desistência de Janja e descartam crime eleitoral por desfile

Por Caio Spechoto, Folhapress

16/02/2026 às 17:15

Foto: Thiago Ribeiro/AGIF/Folhapress

Imagem de Aliados de Lula falam em alívio com desistência de Janja e descartam crime eleitoral por desfile

A primeira-dama, Janja Lula da Silva

A desistência da primeira-dama, Janja Lula da Silva, de participar do desfile da escola de samba que homenageou o presidente da República causou alívio entre aliados próximos do petista, que receavam um desgaste político após a apresentação no Rio de Janeiro.

Para eles, a participação de Janja daria munição para adversários de Lula e atrairia críticas na imprensa. O principal medo era uma repercussão negativa nas redes sociais, terreno onde o bolsonarismo, principal força política adversária do presidente, é forte.

Dirigentes petistas haviam identificado o risco em redes sociais dias antes da apresentação, com críticas focadas na expectativa de que a primeira-dama desfilaria. Diversos aliados de Lula eram contra a participação dela.

Janja vinha demonstrando a pessoas próximas empolgação com a perspectiva de participar da apresentação da escola. Ministros foram proibidos de desfilar, mas a avaliação jurídica do Planalto era de que não haveria problema na presença da primeira-dama, uma vez que ela não tem um cargo formal no governo.

A maioria dos aliados e amigos de Lula que acompanharam o presidente no camarote da prefeitura do Rio de Janeiro chegou ao local ainda sem saber que a primeira-dama não desfilaria.

Opositores acusaram Lula, o PT e a escola de samba Acadêmicos de Niterói, responsável pelo desfile, de propaganda eleitoral antecipada. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) rejeitou as acusações na quinta-feira (12), mas não descartou análise posterior de possíveis ilícitos.

Como mostrou a Folha, especialistas em direito eleitoral avaliam que o desfile abriu brecha para ações na Justiça Eleitoral. Parte deles, porém, considerou a apresentação contida, o que reduziria o dano potencial de ações.

Advogados próximos de Lula avaliam, por outro lado, que não há um impedimento legal a um desfile como o da Acadêmicos de Niterói. Se houvesse, segundo esse raciocínio, o TSE teria proibido a apresentação.Opositores do governo citam a cota de R$ 1 milhão em recursos públicos destinado à escola de samba. O dinheiro é parte do patrocínio que beneficiou todas as agremiações do Grupo Especial do Rio de Janeiro.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a presidente da República, disse que irá ao TSE contra os "crimes do PT na Sapucaí". O partido Novo declarou que pedirá a inelegibilidade de Lula por causa do desfile. A medida seria tomada quando do registro da candidatura, que tem prazo até 15 de agosto para ser feito.

Em nota, a primeira-dama disse que não desfilou para evitar perseguições a Lula e à escola de samba Acadêmicos de Niterói, que promoveu a apresentação. O enredo era "Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil".

O desfile também fez críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), principal adversário político de Lula. Bolsonaro foi retratado como um palhaço com roupa de presidiário no desfile –ele está preso por causa da condenação por tentativa de golpe.

Aliados de Lula ouvidos pela reportagem afirmam ver como positivo o saldo do desfile. Parte do entorno do presidente da República receava que houvesse vaias contra a escola ou contra Lula, e não foram percebidas manifestações significativas do tipo vindas da plateia.

Os petistas ouvidos pela reportagem, porém, reconhecem que dificilmente a escola de samba que homenageou Lula estará bem colocada na disputa no Rio de Janeiro. A Acadêmicos de Niterói foi promovida ao Grupo Especial no ano passado.

O presidente passou a maior parte do tempo em que esteve na Sapucaí em uma área reservada a ele no camarote da prefeitura do Rio de Janeiro. Lula tinha seu perímetro controlado por seguranças da Presidência da República. Janja e o prefeito, Eduardo Paes (PSD), foram os que ficaram mais próximos do petista.

Apesar disso, o chefe do governo circulou e conversou rapidamente com diversas pessoas presentes e chegou a descer com Paes até o local dos desfiles.

As conversas mais longas de Lula foram com o prefeito, que concorrerá a governador em outubro.

Diversos ministros do governo acompanharam o presidente da República, como Camilo Santana (Educação), Alexandre Silveira (Minas e Energia), Margareth Menezes (Cultura), Luciana Santos (Ciência e Tecnologia) e Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), além do vice-presidente Geraldo Alckmin.

Também estiveram no camarote deputados e outros políticos convidados por Lula e, principalmente, por Eduardo Paes. Houve ainda convidados de fora da política, como um grupo de sindicalistas de São Paulo.

Foi a primeira vez desde o governo Getúlio Vargas que uma grande escola de samba do Rio desfilou homenageando um presidente da República em exercício. O episódio remonta a década de 1950, quando agremiações como Vila Isabel e Portela cantaram a volta de Vargas ao poder.

Lula e Janja fizeram uma espécie de tour pelas principais celebrações de Carnaval do Brasil nos últimos dias. Antes de ir ao Rio de Janeiro, eles estiveram no Recife e em Salvador.

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