/

Home

/

Noticias

/

Mundo

/

Trump diz que gosta de Lula, mas afirma, sem provas, que eleição parece ter sido fraudada

Trump diz que gosta de Lula, mas afirma, sem provas, que eleição parece ter sido fraudada

Republicano disse no domingo apenas que acompanhava a disputa entre Lula e Flávio

Por Isabella Menon/Folhapress

26/10/2026 às 19:20

Foto: Reprodução/Instagram

Imagem de Trump diz que gosta de Lula, mas afirma, sem provas, que eleição parece ter sido fraudada

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que gosta do presidente Lula (PT), mas que a eleição no Brasil "parece ter sido fraudada".

"Passou uma impressão muito ruim. A eleição, a maneira como os votos foram contabilizados, sabe? Com a prorrogação do horário de votação, foi muito estranho", disse Trump nesta segunda-feira (26), sem apresentar provas.

A declaração foi dada após horas de silêncio do republicano sobre o resultado da votação deste domingo (25). Ao ser questionado se pretendia tomar alguma medida em relação às eleições brasileiras, Trump afirmou que é o presidente dos Estados Unidos, não do Brasil.

"Achei que foi uma situação muito ruim. Não tomei partido, mas pareceu mais uma eleição fraudada. Francamente, não tomei partido, mas foi uma imagem péssima para o mundo. É mais uma eleição. Sabe, as eleições precisam ser incontestáveis, e aquilo me pareceu muito ruim", disse ele. "Acompanhei a eleição. Pareceu tão, tão corrupta, tão terrível".

A postura de Trump no segundo turno contrasta com a adotada no primeiro turno das eleições brasileiras. No dia 4 de outubro, quando Flávio Bolsonaro terminou à frente de Lula, o republicano elogiou a rapidez da apuração dos votos no Brasil e usou o exemplo para criticar o sistema eleitoral americano.

Na publicação, chegou a confundir o Brasil com a Índia, erro que corrigiu posteriormente. No dia seguinte, Trump também comemorou o desempenho de Flávio nas urnas, classificando o resultado como uma "grande vitória".

O governo Trump resolveu segurar a publicação de um comunicado parabenizando a população do Brasil pela eleição após o candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarar que não reconhecia a vitória de Lula e pedir a anulação do pleito.

O rascunho do comunicado estava pronto no Departamento de Estado, como é de praxe em relação a eleições ao redor do mundo. Mas houve orientação para adiar a publicação e avaliar a situação após Flávio dizer que teria havido irregularidades devido à decisão do ministro Cristiano Zanin (STF) de prorrogar o horário da votação.

Após a vitória de Lula, integrantes do governo Trump procuraram aliados de Flávio para saber se o senador reconheceria o resultado das urnas. Segundo aliados do senador ouvidos pela reportagem, os americanos optaram por aguardar uma definição sobre como o candidato derrotado reagiria antes de decidir como se manifestar sobre o resultado das eleições brasileiras.

No domingo, Trump havia se limitado a afirmar que acompanhava a disputa. "Não quero entrar nesse assunto, mas estamos acompanhando", disse a jornalistas.

A cautela contrasta com a posição adotada pelo presidente americano em outras disputas eleitorais na América Latina e ocorre após um ano de tensões com o governo Lula, marcado por tarifas comerciais, sanções contra autoridades brasileiras e acusações de interferência dos EUA em assuntos internos do Brasil.

Apesar da proximidade com a família Bolsonaro, Trump evitou declarar apoio formal a Flávio durante a campanha. Segundo reportagem do jornal americano The Washington Post, publicada após o primeiro turno, a discrição foi uma decisão estratégica, tomada diante do receio de que uma manifestação do republicano acabasse favorecendo Lula.

A preocupação tinha como pano de fundo a experiência do ano passado, quando a ofensiva de Trump contra o governo brasileiro produziu resultados contrários aos pretendidos e deu novo fôlego político ao petista.

Em julho de 2025, o americano anunciou uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, associando a medida ao processo judicial contra seu aliado Jair Bolsonaro, então acusado de tentativa de golpe de Estado. O governo americano também impôs restrições de visto a autoridades brasileiras e sanções financeiras ao ministro Alexandre de Moraes.

Lula reagiu acusando os EUA de interferirem na soberania brasileira e passou a explorar o tema politicamente. A estratégia encontrou respaldo nas pesquisas de opinião. Segundo a Genial/Quaest, a aprovação do governo Lula, que estava em 40% em maio de 2025, subiu para 43% em julho e chegou a 46% em agosto, em meio à crescente crise comercial com Washington.

A mesma pesquisa mostrou que a reação do presidente brasileiro às tarifas era bem avaliada e os entrevistados viam negativamente a atuação de Bolsonaro e seus aliados na crise.

Ao Washington Post um assessor do governo americano afirmou, sob condição de anonimato, que a orientação era evitar manifestações que pudessem ser interpretadas como interferência nas eleições brasileiras.

O assessor relatou que, sempre que Lula mencionava Trump para argumentar que os EUA tentavam abusar ou tirar vantagem do Brasil, a mensagem encontrava receptividade entre os eleitores. Quando Washington se afastava da disputa, segundo ele, o debate voltava a se concentrar em questões domésticas.

O efeito negativo das tarifas também foi reconhecido por aliados de Flávio Bolsonaro. Ao jornal americano Paulo Figueiredo afirmou que as tarifas impostas por Trump em julho deste ano prejudicaram o senador nas pesquisas em um momento delicado da campanha.

Apesar da cautela, Trump elogiou o desempenho de Flávio no primeiro turno, realizado em 4 de outubro, quando o senador terminou à frente de Lula, com cerca de 47% dos votos válidos, ante 45% do presidente.

"Foi uma grande vitória, apertada, mas uma vitória muito, muito grande. Incrível, na verdade", afirmou o republicano no dia seguinte à votação. Na ocasião, Trump também disse esperar uma disputa acirrada no segundo turno.

Comentários
Importante: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião do Política Livre
politica livre
O POLÍTICA LIVRE é o mais completo site sobre política da Bahia, que revela os bastidores da política baiana e permite uma visão completa sobre a vida política do Estado e do Brasil.
CONTATO
(71) 9-8801-0190
SIGA-NOS
© Copyright Política Livre. All Rights Reserved

Design by NVGO

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nossa Política de Cookies.