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Espaço dos baianos em ministério de Lula deve ser reduzido em quarto mandato

Espaço dos baianos em ministério de Lula deve ser reduzido em quarto mandato

Por Política Livre

26/10/2026 às 10:24

Foto: Marcello Casal Jr./Arquivo/Agência Brasil

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Esplanada dos Ministérios

Reeleito neste domingo (25) com uma virada inédita, o presidente Lula (PT) deverá instituir um novo núcleo de poder no governo para seu quarto mandato, além de reformular a equipe econômica. A nova gestão também deve ser marcada por tentativas de reformar o Judiciário e de retomar o controle sobre as emendas parlamentares, segundo informações do jornal Folha de S. Paulo. 

O petista terá condições adversas para pôr seus planos em prática. Na economia, o governo é pressionado a reduzir gastos e frear o aumento da dívida pública, o que dificulta a implementação de novos programas. Na política, terá um Congresso com bolsonarismo fortalecido e que tende a impor ao petista ainda mais dificuldades para aprovar suas propostas do que as do atual mandato.

Lula idealiza a composição de uma equipe de ministros mais forte, a começar pelos que despacham do Palácio do Planalto, grupo tradicionalmente apelidado de "cozinha do governo". Com isso, o espaço do grupo lulista da Bahia deve diminuir. 

Esse time é representado por Rui Costa (PT), que deixou o cargo de ministro da Casa Civil em abril deste ano para se candidatar a senador; Jaques Wagner (PT), ex-líder do governo no Senado que deixou o posto após ser citado no caso Banco Master, e os ministros Sidônio Palmeira (Comunicação Social) e Wellington Lima e Silva (Justiça).

A nova configuração é apontada como fundamental para implementação das reformas que Lula defende na área política e no Judiciário. O ex-ministro da Educação Camilo Santana (PT) tem liderado as apostas para a coordenação da Esplanada dos Ministérios, como titular da Casa Civil. Trata-se do principal cargo da equipe do governo, com a tarefa de organizar a execução de programas e formular decisões políticas.

Camilo se aproximou de Lula ao longo do governo e, depois do primeiro turno, tornou-se um dos aliados mais próximos do petista. O presidente reeleito ficou especialmente satisfeito com o fato de o grupo político de seu ex-ministro da Educação ter conseguido vencer uma eleição difícil para o governo do Ceará.

Antes do primeiro turno, o favorito para a Casa Civil era o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT). O nome de Haddad perdeu força depois de ele ser derrotado no primeiro turno por Tarcísio de Freitas (Republicanos) na disputa pelo Governo de São Paulo.

Ainda assim, Haddad e Lula continuam próximos. O ex-ministro só aceitou disputar o governo de São Paulo depois de muita insistência do presidente. Ele não está descartado para a Casa Civil ou outro cargo de relevo no novo governo.

Haddad, porém, tem demonstrado nos bastidores descontentamento com as críticas de petistas por causa do resultado da eleição. O ex-ministro avalia ter aceitado uma missão praticamente impossível para ajudar Lula e considera injustas as críticas pela derrota. Aliados de Haddad acham possível que ele retome sua carreira de professor universitário.

*Novos nomes -* As escolhas de Lula para seu núcleo de poder mais próximo ganham importância porque podem indicar quem liderará a esquerda após a aposentadoria do atual presidente. Lula não deverá mais disputar eleições, e o PT precisará escolher novas caras para as eleições 2030 e as posteriores. Aliados do presidente chegam a apostar no lançamento de um nome de fora do PT para a disputa de 2030, como um sinal de ampliação.

A necessidade de renovação foi sentida, inclusive, na eleição deste ano. Desde antes da campanha começar, petistas reconheciam que o presidente, por disputar eleições desde a década de 1980, despertava cansaço em diversos eleitores. Esse era apontado como o principal risco da candidatura de Lula, que passou perto de ser derrotada por Flávio Bolsonaro.

Outros nomes tradicionais do PT não conseguiram se eleger, como José Dirceu, Benedita da Silva e Gleisi Hoffmann. Segundo interlocutores de Lula, o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, estará escalado no novo centro de poder. Moretti é considerado um técnico competente pelo presidente e costuma ser elogiado por ele em discursos públicos.

Para a economia, aliados do presidente reeleito afirmam que ele avalia a escolha de um nome robusto, com reconhecimento no mercado. Nas conversas, Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do conselho de administração do banco Bradesco, é usado como referência de perfil para a Fazenda. O presidente chegou a sugerir que Dilma Rousseff o convidasse para a função em 2014, mas a ideia não prosperou.

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