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Disputas estaduais têm direita ancorada em Flávio e lulistas buscando centro no 2º turno

Disputas estaduais têm direita ancorada em Flávio e lulistas buscando centro no 2º turno

Amazonas e Distrito Federal têm embate entre aliados do presidente e do senador

Por João Pedro Pitombo/Folhapress

25/10/2026 às 08:40

Atualizado em 25/10/2026 às 07:18

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil/Arquivo

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Cabine de votação

Eleitores de cinco estados e do Distrito Federal voltam às urnas neste domingo (25) para escolher seus governadores. Eles se somarão aos outros 21 que foram definidos no primeiro turno, número que foi um recorde neste século.

As disputas de segundo turno nos estados foram marcadas por embates na direita pelo apoio de Flávio Bolsonaro (PL), aliados de Lula (PT) buscando eleitores de centro e candidatos que se mantiveram neutros na disputa presidencial, de olho nos votos dos dois lados.

Amazonas e Distrito Federal são as únicas unidades da federação com embates diretos entre lulistas e bolsonaristas neste segundo turno.

Com 2,8 milhões de eleitores, o Amazonas tem um segundo turno entre o senador Omar Aziz (PSD), aliado de Lula, e a empresária Maria do Carmo (PL), apoiada por Flávio.

Aziz, que teve 40,6% dos votos no primeiro turno, buscou ampliar seu eleitorado mirando eleitores mais ao centro, mas sem deixar de lado o apoio ao presidente Lula. Em seus programas eleitorais e peças de propaganda, manteve referências ao petista.

Ao mesmo tempo, mostrou força política ao receber o endosso dos prefeitos de todos os 62 municípios do estado. Também recebeu aval de ex-adversários como o ex-prefeito de Manaus David Almeida (Avante), derrotado no primeiro turno na disputa pelo governo estadual.

Maria do Carmo (PL), que teve 24,5% dos votos no primeiro turno, apostou na associação com Flávio Bolsonaro como principal estratégia no segundo turno. Com uma votação mais consolidada em Manaus, onde teve mais votos que o adversário no primeiro turno, ela busca os votos das cidades do interior.

Temas relacionados à infraestrutura do estado estivarem no centro confronto entre os candidatos. Maria do Carmo responsabiliza o governo Lula pela demora na pavimentação da rodovia BR-319. Omar, por sua vez, destaca sua experiência administrativa –ele já foi governador de 2010 a 2014.

No Distrito Federal, a disputa também é entre um aliado de Lula e uma de Flávio Bolsonaro. Mas a governadora Celina Leão (PP) saiu das urnas no primeiro turno em um cenário mais favorável, quando teve 49,9% dos votos válidos contra 34,5% de seu adversário, Leandro Grass (PT).

Além da aliança com Flávio, Celina ancorou sua campanha no apoio que recebeu da senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF) e de líderes conservadores como o apresentador de televisão Ratinho.

Leandro Grass, por sua vez, reforçou o seu laço com Lula, ao mesmo tempo que priorizou temas como saúde e segurança pública, apontando gargalos da gestão de Celina e seu antecessor Ibaneis Rocha (MDB). A crise do BRB (Banco de Brasília) também esteve no centro da campanha, com críticas do petista à tentativa de compra do Banco Master pela instituição estatal.

A eleição também foi para o segundo turno por margem mínima no Espírito Santo. O ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) teve 49,6% dos votos válidos, ante 34,1% do governador Ricardo Ferraço (MDB) na primeira rodada de votação em 5 de outubro.

Pazolini tem Flávio Bolsonaro como principal cabo-eleitoral e reforçou o elo com o presidenciável neste segundo turno. Ferraço é apadrinhado pelo ex-governador e senador eleito Renato Casagrande (PSB) e segue neutro na disputa presidencial, mesmo tendo recebido o apoio do PT no segundo turno.

No Rio Grande do Norte, o petista Cadu Xavier, que adotou o nome de urna Cadu de Lula, tenta manter a hegemonia do partido, que governa o estado há oito anos com a governadora Fátima Bezerra (PT).

Neste segundo turno, ele trava uma disputa acirrada pelo governo com Allyson Bezerra (União Brasil), ex-prefeito de Mossoró. Os dois terminaram o primeiro turno praticamente empatados –a diferença entre ambos foi de 0,78 ponto percentual, com liderança numérica para o oposicionista.

Allyson manteve a estratégia de neutralidade na disputa presidencial do primeiro turno, mesmo com o apoio de seu partido a Flávio. Assim, pretende buscar votos tanto de petistas como de bolsonaristas.

Terceiro colocado na primeira votação, Álvaro Dias (PL) não apoiou nenhum dos dois candidatos. Disse ter "ideias diametralmente opostas" a Cadu de Lula, mas classificou Allysson como um "péssimo gestor" quando foi prefeito.

Ainda assim, o ex-prefeito de Mossoró, que usa um chapéu de vaqueiro como principal marca de sua campanha, recebeu novas adesões no campo conservador, caso do prefeito de Natal, Paulinho Freire (União Brasil).

Cadu, por sua vez, buscou explorar ao máximo o vínculo com Lula, que participou de um ato de campanha em Natal. Ao mesmo tempo, intensificou as articulações com prefeitos no interior, inclusive aqueles que apoiaram o candidato do PL.

Em dois estados, o embate nas urnas no segundo turno será entre dois apoiadores de Flávio Bolsonaro. No Tocantins, o presidenciável disse apoiar a senadora Professora Dorinha (União Brasil), mas também foi endossado pelo opositor dela, o deputado federal Vicentinho Júnior (PSDB).

O cenário é semelhante no Acre, onde a governadora Mailza Assis (PP) quase saiu vitoriosa no primeiro turno –ela teve 49,8% dos votos válidos ante 32,3% do senador Alan Rick (Republicanos). Neste segundo turno, Flávio anunciou apoio a Alan, mas o PL faz parte da coligação da governadora.

No primeiro turno, o PL teve melhor desempenho entre os partidos, saiu vencedor em seis estados e pode chegar a sete se vencer no Amazonas. O PT, por sua vez, venceu na Bahia, no Ceará e no Piauí e pode manter os atuais quatro governos caso vença no Rio Grande do Norte.

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