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Prefeitura de SP diz que Dino faz 'cortina de fumaça' ao citar cargo de irmão de Mendonça
Prefeitura de SP diz que Dino faz 'cortina de fumaça' ao citar cargo de irmão de Mendonça
Por Carlos Petrocilo, Folhapress
15/09/2026 às 17:08
Foto: Luiz Silveira/STF/Arquivo
André Mendonça, ministro do STF
A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) diz que o ministro Flávio Dino tenta criar uma "cortina de fumaça" ao pedir que o seu colega André Mendonça seja investigado por ter votado de acordo com interesses dos cemitérios privados de São Paulo.
Em decisão nesta terça-feira (15), Dino justificou o seu pedido de apuração baseado na ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) 1.196, que discute a prestação dos serviços funerários, cemiteriais e de cremação na capital paulista.
Em sua decisão, Dino cita que Alexandre Almeida Mendonça, irmão de André Mendonça, foi contratado por Nunes, em 2024, e "promovido" a secretário-executivo da SP Regula, agência que fiscaliza os serviços públicos concedidos pelo município, em maio deste ano.
Para a gestão Nunes, Dino cria narrativas políticas a partir de contratações legais. "Causa estranheza o direcionamento de suspeitas à administração municipal justamente em um momento de graves questionamentos envolvendo o Supremo Tribunal Federal, produzindo uma cortina de fumaça que desvia o foco do debate público", diz a prefeitura.
A prefeitura diz que "contratações regulares" estão "sendo utilizadas para construir narrativas políticas sem respaldo nos fatos".
Alexandre, de acordo com a gestão Nunes, ingressou na SP Regula após um processo de seleção em 2024 que avaliou currículos, histórico de experiências e entrevistas.
Segundo o portal Transparência da prefeitura, ele recebeu R$ 24.687,80 em agosto. A gestão diz que Alexandre apenas mudou de função, que tem o mesmo nível hierárquico.
Para justificar o seu pedido de investigação sobre Mendonça, Dino também cita que a gestão Nunes é cliente do Instituto Iter, fundado por Mendonça e que negocia cursos com autoridades e gestores públicos.
O Painel já mostrou que a prefeitura desembolsou em um desses cursos R$ 183 mil para 32 servidores da GCM (Guarda Civil Metropolitana). A contratação foi feita pela Secretaria Municipal de Segurança Urbana com inexigibilidade de licitação.
A gestão municipal afirmou, ainda, que a contratação do Iter "ocorreu após a análise de outras instituições e seguiu estritamente a Lei de Licitações, que autoriza a inexigibilidade de licitação para serviços técnicos especializados de treinamento e aperfeiçoamento de pessoal".
O Painel não obteve contato com o irmão do ministro André Mendonça.
