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Flávio Bolsonaro nega ter recebido ajuda de Trump após documento dos EUA ligar tarifaço à eleição

Flávio Bolsonaro nega ter recebido ajuda de Trump após documento dos EUA ligar tarifaço à eleição

Por Giorlando Lima, Yuri Eiras e João Pedro Pitombo, Folhapress

17/09/2026 às 15:45

Atualizado em 17/09/2026 às 15:05

Foto: Flávio Bolsonaro no Instagram/Arquivo

Imagem de Flávio Bolsonaro nega ter recebido ajuda de Trump após documento dos EUA ligar tarifaço à eleição

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se encontra com o presidente americano, Donald Trump, na Casa Branca, em maio de 2026

O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negou nesta quinta-feira (17) ter ajuda do governo dos Estados Unidos na eleição.

A declaração foi dada após vir a tona a exigência do governo Donald Trump, durante as negociações do primeiro tarifaço de 50% contra o Brasil, que o país permitisse a participação de "dissidentes políticos" nas eleições presidenciais de 2026.

A exigência consta de um documento enviado às autoridades brasileiras em outubro de 2025. A mensagem foi revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo, e a Folha confirmou o conteúdo.

"Vamos ser bem claros: não existe ajuda do governo americano. Essa narrativa não vai colar, desculpa. Quem resolve a eleição é a gente aqui. A oposição está disputando a eleição, a gente vai ganhar a eleição com as regras que estão aí", afirmou Flávio, durante agenda em Vitória da Conquista, na Bahia.

A minuta da Casa Branca, em forma de declaração conjunta, afirmava, segundo o jornal, que "o Brasil se compromete a realizar eleições presidenciais livres e justas em 2026 e não deterá, prenderá nem limitará arbitrariamente, de qualquer outra forma, a participação de dissidentes políticos no processo eleitoral".

A mensagem foi enviada pelos americanos a uma comitiva brasileira que estava em Washington para negociar o tarifaço imposto por Trump, fruto de uma guerra comercial imposta também a outros países.

De acordo com membros da diplomacia brasileira, o conteúdo da mensagem americana foi considerado inaceitável pelo governo Lula. Os Estados Unidos, então, foram comunicados que o Brasil não negociaria sob aqueles termos.

Flávio Bolsonaro chamou a diplomacia brasileira sob o governo Lula de "porcaria".

"Ele se aproxima de grandes ditaduras, se aproximam de governos que não respeitam os direitos humanos, que assassinam mulheres e gays", disse o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). "Eu vou me aproximar de grandes países, grandes democracias que usam sua potência para levar riqueza às nações".

Trump mencionou diretamente Bolsonaro no ano passado, ao anunciar o primeiro tarifaço contra o Brasil, afirmando que havia no país uma "caças às bruxas" e que a forma como o país tem tratado Bolsonaro, segundo ele, era uma "vergonha internacional".

Em julho deste ano o governo dos EUA implementou novas tarifas de 25% contra produtos do Brasil. A medida havia sido proposta pelo USTR (Escritório do Representante do Comércio dos EUA).

Entre os principais alvos da investigação do USTR estavam o Pix e o mercado de etanol. O relatório acusava o Banco Central brasileiro de favorecer o Pix de forma injusta e discriminatória em relação a outros meios de pagamento.

 

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