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Alcolumbre vai barrar nova possibilidade de criação de CPI do Master no Congresso
Alcolumbre vai barrar nova possibilidade de criação de CPI do Master no Congresso
Por Augusto Tenório, Carolina Linhares e Laura Scofield/Folhpress
21/05/2026 às 06:45
Foto: Waldemir Barreto/Arquivo/Agência Senado
Davi Alcolumbre
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), deve barrar nesta quinta-feira (21), mais uma vez, a abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista para investigar as fraudes do Banco Master. A avaliação é compartilhada por parlamentares de esquerda, da direita e do centrão.
Atualmente, há dois pedidos de abertura de CPIs mistas com as assinaturas necessárias. O regimento prevê que a abertura desse tipo de comissão seja automática na próxima sessão conjunta do Congresso após o requerimento atingir o apoio de 27 senadores e 171 deputados.
Como há uma sessão do Congresso convocada para esta quinta para análise de vetos do presidente Lula (PT) à LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2026, Alcolumbre deveria ler um dos requerimentos de abertura de CPI no início da reunião. Mas a expectativa é que ele novamente ignore a existência dos pedidos.
A base governista e a oposição conseguiram, cada uma, protocolar seu pedido de CPI mista. Lideranças de ambos os lados devem cobrar Alcolumbre em plenário pela abertura. Nos bastidores, os parlamentares admitem o jogo de cena, pois não seria do interesse de ninguém a instalação do colegiado.
Pelo lado do governo, há o temor com a máxima de que "uma CPI se sabe como começa, mas não como termina". Entre os adversários do Planalto, o receio é com a recente revelação da relação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master.
"O escândalo do Banco Master tem digitais do bolsonarismo do começo ao fim. [...] Nós defendemos a CPI para investigar e chegar em todos os envolvidos", afirmou o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), após o áudio de Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro a Vorcaro ser revelado, no último dia 13.
A pré-campanha de Flávio aposta justamente no pedido de abertura de CPI mista para reverter o desgaste dos áudios com Vorcaro. A ideia é mostrar distanciamento em relação ao banqueiro e passar a imagem de que Flávio é favorável a investigações que revelem quem teria ajudado o Banco Master nas fraudes.
Na última sessão do Congresso, realizada no final de abril, a oposição construiu um acordo com Alcolumbre. O senador pautou a derrubada do veto ao projeto da dosimetria, que beneficia o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros condenados pela trama golpista com redução de penas. Em troca, bolsonaristas não cobraram a abertura da CPI mista.
Agora, a oposição diz que mudará de postura e deve cobrar Alcolumbre em plenário. O governo também. Ambos os lados acreditam que Alcolumbre vai "matar no peito" e ignorar os pedidos, lidando sozinho com o desgaste público, pois também não seria de interesse do senador a abertura do colegiado.
O parlamentar é padrinho político de Jocildo Silva Lemos, que presidiu a Amprev (Amapá Previdência). Ele foi alvo de uma operação da PF (Polícia Federal) que investiga aportes suspeitos de R$ 400 milhões no Banco Master.
Parte da oposição lembra ainda de um "trauma". No início do governo Lula, em 2023, o grupo conseguiu a abertura de uma CPI mista sobre os ataques do 8 de Janeiro. O Planalto, que no início era contra, decidiu apoiar e conquistou a maioria no colegiado, que por fim acabou mirando mais os bolsonaristas.
