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Porque escolha de presidente da Embasa é divisor de águas na relação entre Jerônimo, Rui e Wagner
Porque escolha de presidente da Embasa é divisor de águas na relação entre Jerônimo, Rui e Wagner
Por Política Livre
17/02/2025 às 14:07
Atualizado em 17/02/2025 às 14:14
Foto: Divulgação/Arquivo

A oficialização do nome do funcionário de carreira Gildeone Almeida na presidência da Embasa representa um divisor de águas na relação entre os três caciques petistas baianos - o governador Jerônimo Rodrigues, o ministro chefe da Casa Civil, Rui Costa, e o senador Jaques Wagner.
A nomeação pode ser atribuída basicamente a uma escolha pessoal do governador, que impôs o nome de Gildeone ao grupo do senador, alijando o representante de Rui da disputa. Com ela, é possível dizer que Jerônimo passa a compartilhar menos poder de decisão com os correligionários nos rumos do governo.
Sem desconsiderar os conselhos e indicações dos outros dois representantes da cúpula petista, com os quais tem buscado manter ótima relação, o governador está disposto a concentrar mais decisões em suas próprias mãos, resultado do ganho de experiência nestes dois anos de administração.
É algo, inclusive, que deve se esperar no decorrer da reforma administrativa que, hoje se sabe, o petista resolveu deliberadamente retardar a fim de ganhar mais margem para manobras como a que caracterizou a delimitação de sua cota pessoal na estatal baiana.
O arranjo é novo, mas, na visão de aliados, indicaria que Jerônimo está evoluindo na arte da política, uma área em que se move instintivamente bem, mas que preferiu delegar nos primeiros momentos do governo aos parceiros Wagner e Rui dado o processo que, no grupo, antecedeu sua eleição ao governo da Bahia.
Jerônimo tem se movimentado até aqui pelo princípio da gratidão aos dois parceiros petistas, se equilibrando sobre as demandas dos dois, não raro conflitantes, e agindo como algodão entre cristais em algumas situações e como bombeiro em outras.
É uma postura reconhecida por Rui, que lamentavelmente nunca fez do agradecimento um hábito, e por Wagner, que se ressente do tratamento descomprometido recebido do ministro que transformou em sucessor no governo da Bahia.
Mas agora o governador quer pelo menos diminuir os constrangimentos que os dois vêm impondo a ele no governo com as pressões e contrapressões que exercem. Não há quem discorde de que o momento chegou para o novo plano de vôo, legitimidado pelo fato de Jerônimo e não os demais ter sido o eleito.
O caso da Embasa é emblemático porque o governador foi obrigado a engolir, no início do governo, a indicação de Wagner para comandá-la. O nomeado não correspondeu às expectativas de ninguém mas foi especialmente inábil com o governador, a quem 'esquecia' de atender.
Foi assim que Jerônimo construiu uma ponte pessoal com Gildeone, a quem passou a direcionar suas demandas - e, melhor do que isso, vê-las prontamente atendidas - na empresa. A compensação ao gestor não tardou.
Reconhecendo que sua recomendação anterior não fora das melhores, Wagner, de forma sábia e rápido, como sempre, decidiu embarcar no apoio ao escolhido de Jerônimo sem lhe opor resistência.
Não foi o mesmo movimento de Rui, que endossou a escolha do fiel escudeiro Ronaldo Carletto, presidente do Avante, interessado em fazer o ex-prefeito de Irecê, Elmo Vaz, sucessor do presidente anterior. Não pesou na lembrança ao nome de Elmo apenas o fato de também ser funcionário de carreira da companhia.
Ele tem reputação de excelente gestor e deixou o município com a marca de uma vitória importante, com impactos em toda a região, ao ter eleito o sucessor mesmo contra a vontade de alguns caciques petistas que não deixaram de usar a máquina estadual para confrontá-lo por meio do candidato adversário.
Portanto, a lição que se tira a partir da história da sucessão na Embasa, empresa poderosa cuja importância nas eleições de 2026 não deve ser descartada, é a de que Jerônimo vai reivindicar mais protagonismo num governo que até agora dividiu com os principais parceiros.
Não se descarte que avance especialmente sobre os espaços reservados ao próprio partido em seu governo, hoje em disputa fratricida por Rui e Wagner. Os dois precisam segurar o necessário rojão da mudança do governador.
