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Evento com Delúbio e Vaccari tem tietagem, fala sobre caixa 2 e torcida contra Moro
Evento com Delúbio e Vaccari tem tietagem, fala sobre caixa 2 e torcida contra Moro
Por Artur Rodrigues/Folhapress
16/04/2023 às 18:30
Atualizado em 16/04/2023 às 18:30
Foto: Folhapress

Os ex-tesoureiros do PT Delúbio Soares e João Vaccari Neto, pivôs de escândalos do partido, participaram neste domingo (15) de evento que teve tietagem à dupla, fala sobre caixa 2 em campanhas e até torcida para que o ex-juiz e senador Sergio Moro (União Brasil) seja preso.
O debate contou com algumas dezenas de militantes e foi realizado em Carapicuíba (Grande SP), em um clube do Sindicato dos Comerciários de Osasco e Região (Secor).
O evento intitulado "Quando a Política se Vale da Justiça" tinha como mote uma a versão de ambos os petistas, que se declaram inocentes sobre o mensalão e a Lava Jato. O tom do evento foi a argumentação de que ambos os casos se trataram de tentativas de atingir o PT.
Delúbio foi condenado e preso pelo crime de corrupção ativa mensalão. Preso em 2013, foi autorizado no fim de setembro de 2014 a cumprir o restante da pena em prisão domiciliar. Em março de 2016, o STF (Supremo Tribunal Federal) concedeu o perdão da pena.
Depois, foi preso novamente em 2018 por lavagem de dinheiro na Lava Jato. Recentemente, porém, decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça) anulou ação ao considerar que a 13ª Vara Federal de Curitiba, da Lava Jato, não tinha competência para a ação contra ele e enviou o caso à Justiça Eleitoral.
"Criminal hoje esse cidadão que fala com vocês não tem mais nenhum processo criminal em curso. Ganhei todos", disse Delúbio, que, durante o evento, distribuiu uma pequena revista com o nome de "Delúbio Soares, o réu sem crime".
Ele afirmou ainda que nunca fez nada errado e que foi colocado como "o cara mais nefasto da face da Terra" na época do mensalão, em uma crítica à mídia.
Em junho de 2005, o deputado Roberto Jefferson (PTB) falou sobre a existência do mensalão. Em 2012, em seu julgamento mais longo, o STF condenou 24 pessoas por participação no esquema que desviou dinheiro público para abastecer a compra de apoio político no Congresso no início do governo Lula.
O ex-tesoureiro do PT afirmou ter pago "um sacrifício muito grande" pela condenação no caso, mas que pode dar início a um processo de revisão criminal se houver condições políticas para tal.
Delúbio falou sobre o financiamento de campanhas na época do caso e disse que a prática de caixa dois era usual. "Aquela época era usual. Nós fizemos campanha eleitoral e recebemos como os empresários queriam dar o dinheiro", disse.
Ele afirmou, no entanto, que nunca houve compra de deputados, conforme a denúncia. Em vez disso, ele citou pagamentos de despesas não contabilizadas de partidos aliados.
Vaccari também fez um discurso crítico às operações e define a Lava Jato como um processo para enterrar o PT e criminalizar Lula.
"Inúmeras foram as manchetes que eles iam acabar com o PT, que o PT iria ser fechado por decisão da Justiça. Hoje, passada a confusão, quantos processos têm o PT? Nenhum", disse.
Em sua fala, ele citou até os protestos contra a tarifa de 2013 como um ato no sentido de desgastar o partido.
Condenado em segunda instância por corrupção passiva em três processos, ele foi preso em abril de 2015 durante a operação Lava Jato. Foi beneficiado pelo indulto natalino concedido pelo ex-presidente Michel Temer (MDB) e deixou a prisão em setembro de 2019. O TJPR, contudo, cassou o indulto e a decisão foi ratificada pelo ministro do STF, Edson Fachin, em outubro de 2020.
Vaccari diz que foi inocentado em cerca de dez processos e responde a por volta de sete. "Eu fui o primeiro da Lava Jato a ser preso. Eu era o tesoureiro, nada melhor do que chamar o cara que mexe com dinheiro de ladrão. É fácil", disse.
O ex-tesoureiro relatou a experiência de ter ficado 1.483 dias preso e até fez uma previsão de que veria Sergio Moro passar por situação semelhante.
"Outra coisa que eu sempre disse: nós ainda vamos Sergio Moro sendo preso. O motivo eu não sei, mas ele vai ser preso", disse.
Durante o evento, havia a preocupação com a possibilidade de aparecimentos escândalos contra o PT.
Advogado de Delúbio, Pedro Paulo de Medeiros também participou do debate, no qual tratou os escândalos como ações políticas e acusações sem provas para afetar o PT. Agora, segundo ele, o judiciário voltou a recobrar a consciência.
"Foram acusados injustamente para evitar a perpetuação do povo no poder. Hoje, nós estamos no poder. Houve mensalão, houve petrolão, houve Lava Jato. Não havia fatos verdadeiros para ensejar uma acusação, mas as acusações vieram. Então, estejam bem preparados, não tenham dúvida. Algo está sendo preparado neste exato momento para amanhã. Um outro 'ão' vai aparecer",
Ao fim do evento, tanto Vaccari quanto Delúbio foram fortemente aplaudidos e posaram para selfies com o público, que não incluía nenhum político petista de alto escalão.
