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Líder ucraniano pede trégua para retirar civis presos em siderúrgica

Líder ucraniano pede trégua para retirar civis presos em siderúrgica

Por Agência Brasil

05/05/2022 às 11:21

Atualizado em 05/05/2022 às 11:21

Foto: Alexander Ermochenko/Reuters

Bombardeio russo cobriu a área com detritos de concreto

Civis precisarão ser retirados de bunkers sob uma siderúrgica, o último reduto de resistência em Mariupol, na Ucrânia, disse o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, nesta quinta-feira (5), após bombardeio russo que cobriu a área com detritos de concreto.

Tendo falhado em tomar a capital Kiev nas primeiras semanas de uma invasão que matou milhares e destruiu cidades e vilarejos, a Rússia acelerou os ataques no Sul e Leste da Ucrânia, inclusive na siderúrgica de Azovstal, em Mariupol.

A resistência da Ucrânia na usina ressalta o fracasso da Rússia em capturar grandes cidades, em uma guerra que uniu as potências ocidentais ao armar Kiev e punir Moscou com sanções. Espera-se que a Suécia e a Finlândia decidam em breve se vão aderir à aliança militar ocidental Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), o que seria uma grande mudança histórica.

Os militares russos prometeram parar as ações em Azovstal hoje e nos dois dias seguintes, para permitir a saída de civis. Combatentes ucranianos descreveram bombardeios como "batalhas sangrentas", que impediram a retirada na quarta-feira. O Kremlin afirmou que os corredores humanitários da siderúrgica estão funcionando.

Autoridades ucranianas acreditam que cerca de 200 civis permanecem presos, junto com combatentes, na rede de bunkers subterrâneos, no extenso complexo Azovstal da era soviética.

Em discurso hoje, Zelenskiy afirmou que a Ucrânia está pronta para garantir um cessar-fogo em Mariupol, cidade portuária que, após cerco de semanas, a Rússia controla - com exceção da siderúrgica.

"Levará tempo simplesmente para tirar as pessoas desses porões, desses abrigos subterrâneos. Nas condições atuais, não podemos usar equipamentos pesados ??para remover os escombros. Tudo tem que ser feito à mão", disse o presidente.

Combatentes ucranianos dentro da Azovstal estão travando "batalhas difíceis e sangrentas", declarou Denis Prokopenko, comandante do regimento Azov da Ucrânia, na noite dessa quarta-feira.

O Estado-Maior militar da Ucrânia disse que o ataque à siderúrgica incluiu apoio aéreo. Fotos divulgadas por combatentes apoiados pela Rússia pareciam mostrar fumaça e chamas.

"Deus proíba que mais projéteis cheguem perto dos bunkers onde os civis estão", afirmou Tetyana Trotsak, retirada de Azovstal entre dezenas que chegaram a uma cidade controlada pela Ucrânia nesta semana, descrevendo a caminhada de duas horas e meia para atravessar um curto trecho coberto de entulho na usina.

Mariupol é alvo importante nos esforços da Rússia para cortar a Ucrânia de suas rotas de exportação de grãos e metais no Mar Negro, bem como para ligar o território controlado pela Rússia, no Leste do país, à Crimeia, tomada por Moscou em 2014.

As Nações Unidas e a Cruz Vermelha retiraram centenas de pessoas da cidade e de outras áreas nesta semana.

Ninguém de Azovstal estava entre os mais de 300 civis retirados ontem de Mariupol e outras áreas no Sul da Ucrânia, informou o escritório humanitário da ONU.

"Estamos prontos para ajudar" quaisquer civis presos, disse Jens Laerke, porta-voz do escritório, em e-mail.

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