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Líquida e certa hoje, 3ª via terá impacto sobre sucessão baiana, por Raul Monteiro*
Líquida e certa hoje, 3ª via terá impacto sobre sucessão baiana, por Raul Monteiro*
Por Raul Monteiro*
04/11/2021 às 09:49
Atualizado em 04/11/2021 às 09:49
Foto: Correio/Arquivo

Para a classe política, nunca esteve tão claro que há hoje espaço suficiente para que a terceira via, alternativa aos nomes de Jair Bolsonaro (sem partido) e Lula (PT), se consolide antes mesmo da deflagração oficial da campanha à sucessão presidencial do próximo ano. Os movimentos do PSDB, com dois governadores que disputam a indicação para candidato tucano à Presidência da República, além da filiação do ex-juiz Sérgio Moro a um partido político, o Podemos, bem como o ingresso do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM), no PSD, são exemplos mais do que evidentes de que o caminho está aberto para o surgimento de um terceiro nome competitivo ao pleito.
A ideia se fortalece não apenas por causa do desgaste do ex-presidente, cuja popularidade ainda é consistente em várias regiões do país, mas não chega efetivamente a empolgar como no passado, depois da Lava Jato, mas principalmente em decorrência da constatação que começa a se espalhar por todos os rincões do Brasil de que o atual mandatário não tem a menor condição de continuar governando o país, o qual poderá mesmo ter seu destino comprometido de forma drástica caso ele logre se reeleger em 2022, à custa, como pretende, da compra dos votos dos miseráveis cada vez mais numerosos por meio de programas fura-teto como o novo Bolsa Família.
Por este motivo, as apostas que cada vez mais se sucedem, apontando de maneira peremptória para um final desastroso e melancólico do atual governo, levam em conta que o terceiro nome deve enfrentar Lula e não Bolsonaro no segundo turno, visto como líquido e certo para a maioria. Se a presença do petista na disputa aparece como uma certeza positiva para a virtual campanha de Jaques Wagner (PT) ao governo da Bahia, ela se apresenta, aos dias de hoje, com menos clareza para a de seu adversário, ACM Neto, embora existam sinais de sobra de que a fragilização da figura de Bolsonaro no processo sucessório deve lhe ser mais benéfica do que maléfica.
Primeiro, porque, da nova agremiação que ajudou a formatar, o União Brasil, resultado da fusão entre o DEM e o PSL, Neto poderá se desobrigar de vez de qualquer associação, como já era de seus planos, com o presidente, restringindo-se à tarefa de buscar atrair os eleitores que, por falta de opção, persistem no apoiamento ao rumo destrutivo bolsonarista. Por consequência, a situação dará ainda mais fôlego à estratégia de manter seu palanque aberto, permitindo que por ele trafeguem o nome ou os nomes alternativos que se apresentem, escolhendo apegar-se mais àquele ou àqueles que fizerem o discurso menos agressivo contra Bolsonaro e Lula.
Aí, seu objetivo será claro: por meio de um discurso muito bem bolado sobre a situação do Estado e do que pretende para a Bahia no caso de eleger-se, capturar os eleitores de ambos que, desprezando o processo de nacionalização que a campanha presidencial normalmente impõe, desloquem seu interesse e atenção para uma reflexão sobre o processo de transferência de comando do governo do Estado de um grupo político que o controla, com razoáveis níveis de aprovação, vão completar 14 anos em 2022, para ele - um imperativo fundamental da comunicação que terá que se dedicar a construir para a sua campanha.
* Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.
