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Se um ministro do STF for impichado, os outros vão se enquadrar, diz Bia Kicis
Se um ministro do STF for impichado, os outros vão se enquadrar, diz Bia Kicis
Senadora eleita afirma estar apta a vaga no Supremo e defende criar mandato para ministros e elevar idade para o posto
Por Thaísa Oliveira/Gabriela Echenique/Folhapress
16/10/2026 às 17:00
Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
A deputada federal Bia Kicis (PL), eleita senadora pelo Distrito Federal
Eleita senadora pelo Distrito Federal com recorde de votos, a deputada federal Bia Kicis (PL) afirma que os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) vão se "enquadrar dentro do desenho constitucional" quando o primeiro deles sofrer impeachment.
Bia diz que a fila deve começar pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe, e que o novo Congresso não aceitará um acordo para que o magistrado renuncie ao cargo.
"Eu acho que a gente precisa fazer o [impeachment] de um e ver o que acontece", diz a senadora eleita em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, acrescentando que o Congresso não pode tirar o foco de Moraes.
A deputada sugere aumentar a idade para ingresso no STF, criar mandato e impor uma regra de transição para os atuais —o que na prática pode levar à saída de parte dos dez magistrados que hoje compõem a corte.
Bia defende ainda que o PL ocupe as presidências da Câmara e do Senado e afirma que não está preocupada com concentração de poder, caso o senador Flávio Bolsonaro (PL) também ganhe as eleições para presidente.
A sra. é citada como ministra da Justiça ou advogada-geral da União em um eventual governo Flávio. Aceitaria?
Não conversei sobre isso. Meu foco era ganhar a vaga do Senado, que é meu sonho. Se por acaso ele vier a me convidar, não poderia recusar, mas eu preferia que isso acontecesse lá para frente porque quero ser senadora. Pode surgir um convite, sim, para assumir o Ministério da Justiça, até uma cadeira no Supremo. Eu estou apta a isso, as pessoas pedem muito. Nunca foi meu desejo, mas eu entendo que o Supremo é uma missão importantíssima. Alguém tem que estar lá para dar suporte ao ministro André [Mendonça], que está lutando quase sozinho para fazer justiça. Eu quero votar impeachment de ministro, anistia.
Há a possibilidade de o presidente Lula indicar um nome para o STF, mesmo derrotado, para tentar aprovar neste ano. O que acha dessa hipótese?
Acho que ele vai tentar. Espero que o Senado não faça isso porque não faria o menor sentido um presidente que está saindo deixar mais um filhote seu.
Impeachment estará na ordem do dia?
Nós vamos trabalhar para isso. Foi para isso que o povo brasileiro elegeu Bia Kicis, Gustavo Gayer (GO), Carlos Jordy (RJ) e tantos outros. A gente tem que entender o momento. Seria uma covardia, uma traição ao povo brasileiro a gente recuar.
Hoje discutem apenas o impeachment de Moraes ou também o de outros?
Tem que pensar no impeachment do Alexandre de Moraes, sem desprezar que poderão vir outros. Mas esse é o primeiro. Tem que ser feito, não é possível a corrupção, o envolvimento dele com criminosos.
É possível uma saída negociada?
Não, não é possível.
Ele renunciar ao cargo.
Ele pode renunciar, mas a gente vai continuar. Ele tem que responder pelos crimes que cometeu, que não foram poucos.
Alguns parlamentares falam em prendê-lo.
Isso é com a polícia. Defendo o devido processo legal de todo mundo, coisa que o ministro não garantiu para os perseguidos políticos dele.
Muitos dos eleitos defendem uma reforma do Judiciário. A sra. apresentará proposta?
Eu sou coautora de várias. Há algumas que a gente cita e que tem que haver: aumento da idade para ingresso. Não dá para uma pessoa com 35 anos entrar, não tem experiência de vida suficiente. Tem que ter juiz. Hoje só o [Luiz] Fux veio da magistratura. A indicação pode vir de outros locais, não só do presidente da República. Você pode ter o Senado, a Câmara. Você pode ter mandato. Eu acho que em torno de dez anos está de bom tamanho.
Mandato também para os atuais?
Para valer para todo mundo, porque não dá para você fazer uma PEC e ela começar a valer daqui a 40 anos. Dá para fazer uma regra de transição, é por isso que existem os atos das disposições transitórias na Constituição. Se a gente aprova mandato, você pode, por exemplo, estipular uma saída: quem já está há mais de dez anos fica mais dois, mais um. O Parlamento decidiria essa regra de transição. Ministro é servidor público, por mais que eles pensem que são deuses. Eles não têm direito adquirido ao regime jurídico. Eles vão querer gritar, dizer que para eles não vale, que quando entraram não tinha mandato.
A sra. falou em começar por Moraes. Quem mais?
A gente precisa fazer o de um e ver o que acontece. Desde 2016, quando eu comecei a ver os primeiros abusos, eu dizia: o Brasil só vai voltar à normalidade institucional no dia em que sair um ministro do Supremo pelo impeachment. E eu disse: se um for impichado, os outros vão se enquadrar. Ninguém aqui está querendo enquadrar ministro do Supremo, é enquadrar dentro do desenho constitucional. O que eu quero é resgatar as instituições, não acabar, destruir e desmoralizar, como nos acusam de fazer.
Kassio Nunes Marques também precisa explicar a relação dele com Vorcaro.
Todos têm, mas nenhum tem a gravidade do que o Alexandre faz.
Ele foi indicado por Jair Bolsonaro.
Não faz a menor diferença pra gente. Moraes foi pelo [Michel] Temer.
O PL pode apoiar a reeleição de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) no Senado?
O PL está chegando com muita força ao Congresso. O grande vencedor das eleições no primeiro turno foi Jair Bolsonaro. Ele há um ano falou que ia eleger 120 deputados e 20 senadores. Acredito que o PL tenha legitimidade, mais do que qualquer partido, de reivindicar a presidência das Casas. Das duas, de preferência.
Não seria uma concentração de poder muito grande?
Seria, mas isso já acontece. O União Brasil [antigo DEM] pegou as duas. Na época, a gente falou: poxa, mas o União vai ficar com as duas? "É, porque ele pode. Porque ele tem maioria, ele conseguiu consenso, construiu." Política é assim.
Davi Alcolumbre e Rodrigo Maia foram os presidentes do Senado e da Câmara, respectivamente, mas Bolsonaro era de outro partido. Em uma vitória de Flávio, não haverá desequilíbrio?
A gente está vivendo desequilíbrio há tanto tempo, né? Quando é para o lado da esquerda que desequilibra, do centrão, não tem problema. Quando é para o lado da direita, do conservadorismo, aí passa a ser um problema a concentração de poder? Vamos ver o que acontece.
Flávio precisa ser presidente. E eu não estou preocupada com nenhum tipo de concentração de poder aqui não, tá? Nós estamos sendo violados há muito tempo. Eu faço parte de um inquérito há mais de sete anos, o tal inquérito das fake news. Você quer mais desequilíbrio?
A sra. é uma grande aliada de Flávio, mas Lula pode ser reeleito.
Sim, eu sei disso, sei que esse pesadelo é possível, mas vou lutar para que isso não aconteça.
Como a sra. imagina a relação de Lula com o novo Congresso? Conseguirá governar?
Tomara que não, tomara que ele nem se eleja, porque ele já não governa. Nós temos um desgoverno. Temos um terço das empresas quebrando ou em regime de recuperação judicial. No que depender de mim ele não se reelege. Se se reeleger, que ele tenha muita dificuldade, mas tanta que a gente faça o impeachment.
Flávio aceitará a derrota, se for esse o resultado?
Ele já falou que aceitará, se acontecer. Vai ser uma tragédia, mas ele vai aceitar. Quem não está aceitando é a esquerda, que está tocando o terror nesse país antecipadamente. E a gente teme pelo que pode acontecer no dia seguinte com Flávio eleito.
A sra. falou da necessidade de aprovar uma anistia também.
O projeto da dosimetria é ridículo. A gente foi obrigado a engolir goela abaixo. E para ele não ser aplicado. Foi um golpe. Não tem conversa. É anistia ampla, geral e irrestrita. É liberdade para os presos políticos, é sem tornozeleira, é pagando indenização para eles.
