Home
/
Noticias
/
Radar do Poder
/
A busca por um novo candidato, Bruno e Neto sem mandato em 2030, PSD e Avante à frente na futura sucessão e o olho do governo no ex-prefeito-bairro
A busca por um novo candidato, Bruno e Neto sem mandato em 2030, PSD e Avante à frente na futura sucessão e o olho do governo no ex-prefeito-bairro
Por Política Livre
14/10/2026 às 11:51
Atualizado em 14/10/2026 às 12:15
Foto: Arte Política Livre
Prefeito de novo?
Com ‘2028 às portas’ e ‘2030 logo ali’, como os políticos avaliam as próximas eleições municipais e estaduais depois do segundo turno presidencial em 10 dias, não espanta que o nome de ACM Neto (União Brasil) tenha voltado a circular como opção para concorrer a prefeito de Salvador daqui a dois anos, o que implicaria numa radical mudança de planos para os atuais prefeituráveis de seu grupo.
Fora do poder
O principal argumento que embala uma eventual candidatura de Neto à Prefeitura, a qual ocupou por dois mandatos consecutivos fazendo Bruno Reis (União Brasil) seu sucessor em seguida, é o de que é temerário que fique 12 anos fora do poder sem tomar as rédeas do próprio time. Se sair candidato a prefeito, Neto acabaria limando, automaticamente, dois nomes do grupo: a vice-prefeita Ana Paula Matos e o deputado federal Léo Prates (Republicanos).
A vantagem
Neste caso, Prates teria mais vantagens, uma vez que é lembrado também para vice de uma chapa a ser liderada pelo ex-candidato a governador. Na eventualidade de Neto eleger-se prefeito em 2028 e resolver concorrer ao governo em 2030, o deputado federal assumiria a Prefeitura de Salvador por dois anos, podendo ainda concorrer à reeleição para um segundo mandato completo à frente do Palácio Thomé de Souza, seu sonho.
Candidato novo
A segunda derrota consecutiva de ACM Neto ao governo baiano disparou especulações no governo e na oposição sobre o futuro de seu grupo, mais especialmente em relação à sucessão do governador Jerônimo Rodrigues (PT). Ainda que se repita aqui e ali que qualquer movimento dependerá do resultado da eleição presidencial no próximo dia 25, deputados alinhados a ele já defendem que o ex-prefeito abra espaço para novas lideranças em 2030.
Bruno é o nome
E não há para onde correr: 10 entre 10 quadros do grupo oposicionista ouvidos sobre quem poderá eventualmente disputar 2030 no lugar de Neto citam de bate-pronto Bruno Reis, ressalvando, entretanto, que, dada a lealdade do prefeito ao ex-candidato a governador, ele só assumirá o desafio sob a concordância do aliado. O fato concreto é que os dois estarão sem mandato daqui a quatro anos.

O jogo de João
Com acesso direto a Jair Bolsonaro, que deve palpitar muito num eventual governo do filho, Flávio, João Roma (PL) não apenas é lembrado para um ministério em nome da Bahia como já se insinua para concorrer à Prefeitura de Salvador em 2028, elevando as expectativas para uma sucessão municipal agitada no grupo que controla hoje a administração de Salvador. Há quem diga, no entanto, que ele teria combinado o anúncio do interesse na ‘Prefs’ com Neto.
Bola em campo
No campo do governo, as especulações sobre quem deve ser indicado para suceder Jerônimo também correm soltas, mas, curiosamente, não levam em conta nomes do PT, entre outros motivos, na visão dos governistas, por causa do enorme desgaste a que a legenda deve estar submetida ao final do novo mandato do governador. Por isso, entre as forças aliadas se diz que a bola vai estar com o PSD do senador Otto Alencar ou o Avante, de Ronaldo Carleto e Rui Costa (PT).
Confirmando a tese, difundida entre seus próprios aliados, de que o que mais gosta de fazer é viajar, Jerônimo passou os últimos 10 dias acompanhando o presidente Lula em agendas para as quais sequer era chamado. Assim, acabou reforçando a desconfiança na equipe de que o plano, anunciado na campanha, de se dedicar à gestão no segundo mandato vai ser difícil de ser executado.
Prefeito-bairro
Com o crescimento nestas eleições do PT registrado no Subúrbio, o governo virou seus holofotes para Afonso Celso, sub-prefeito do bairro demitido dois dias após a eleição, provavelmente sob a acusação de ter cruzado os braços na campanha de Neto. Na articulação de Jerônimo o que se diz é que o rapaz pode ser útil em 2028 e precisa ser aproveitado na administração estadual até por ter dado a mãozinha ao governador, conforme o acusam.

Derrotados na cola
A reunião comandada pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT), na segunda (13), para traçar estratégias de apoio à reeleição do presidente Lula (PT), reuniu também candidatos derrotados na disputa por vagas no Legislativo. Nos bastidores, a preocupação de muitos vai além do resultado das urnas: garantir uma "boquinha" nos governos estadual ou federal a partir de 2027.
Jero avisou
Jerônimo já mandou um recado aos aliados de olho na distribuição de cargos: qualquer negociação ficará para depois do segundo turno presidencial. Até lá, a prioridade absoluta é ampliar a votação de Lula na Bahia. O governador cobrou empenho dos parlamentares, inclusive daqueles que não conseguiram renovar seus mandatos. Resta saber se a turma conseguirá fazer campanha com a cabeça nas urnas e o coração nas futuras nomeações.

Quero cargo
Entre os derrotados que participaram do encontro estavam os deputados federais Paulo Magalhães (PSD), Zé Neto (PT) e Lídice da Mata (PSB), além dos estaduais Pancadinha (PDT) e Fabíola Mansur (PV). Nos bastidores, há expectativa de que alguns sejam aproveitados no segundo mandato de Jerônimo. A dúvida é até onde o governador estará disposto a acomodar tantos aliados e transformar sua próxima gestão em um governo ainda mais político do que o primeiro.
Pitacos
• ACM Neto também tem interesses que vão além da eleição presidencial. Ao apostar na vitória de Flávio Bolsonaro (PL), o ex-prefeito de Salvador vislumbra a possibilidade de retornar à vida pública em um ministério ligado à infraestrutura e às obras.
• De quebra, abriria espaço para acomodar aliados na máquina federal, aliviando a pressão por cargos sobre a gestão do prefeito Bruno Reis (União).
• Uma conta chama a atenção no resultado destas eleições. Candidata pelo União Brasil, Reni do Social, ex-secretária de Desenvolvimento Social e Cidadania de Camaçari na gestão de Elinaldo Araújo, obteve apenas 1.370 votos, apesar de contar com uma campanha milionária.
• Dos R$ 2.949.800 arrecadados, R$ 2.899.800 vieram da direção nacional da legenda e outros R$ 50 mil do diretório municipal. Segundo a prestação de contas, as despesas chegaram a R$ 2.810.689,95. Dividido o valor gasto pela votação obtida, o resultado impressiona: R$ 2.051,60 por voto.
• Prefeito de Itapetinga, Eduardo Hagge (MDB) mostrou na eleição deste ano menor capacidade de transferir votos do que o sobrinho e opositor Rodrigo Hagge (PSDB), ex-gestor e virtual candidato à Prefeitura em 2028.
• Enquanto o prefeito assegurou pouco mais de 3,7 mil votos para Jayme Vieira Lima (MDB) na disputa por uma cadeira na Câmara, Rodrigo garantiu acima de 5,3 mil para a reeleição da deputada federal Roberta Roma (PL). Jayme não foi eleito.
• Na corrida pela Assembleia, o candidato de Eduardo foi Carlinhos Sobral (MDB), que recebeu cerca de 2,7 mil votos. O de Rodrigo foi Wagner Alves (União), que ficou com aproximadamente 3,9 mil. Apenas o primeiro foi eleito.
• Para o governo, o prefeito de Itapetinga também foi derrotado. Ele apoiou Jerônimo Rodrigues, que recebeu 49,21% dos votos, contra 50,41% de ACM Neto. Para o Senado, a dupla petista também perdeu a disputa no município.
• Prefeito de Itabuna, Augusto Vasconcelos (PSD) ajudou na reeleição de Manoel Porfírio (PT) à presidência da Câmara Municipal. Além disso, escolheu como líder do governo o vereador Sivaldo Reis (PSD).
