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'É lógico que João Roma vai votar em Neto, não tem como ele votar em Wagner'

'É lógico que João Roma vai votar em Neto, não tem como ele votar em Wagner'

Por Mateus Soares

03/11/2021 às 10:15

Atualizado em 03/11/2021 às 11:55

Foto: Reprodução/Facebook/Arquivo

Para ele, o PL tende a "somar votos" com a possível filiação do presidente Jair Bolsonaro, apesar da sua baixa popularidade nas últimas pesquisas eleitorais realizadas no estado

Presidente estadual do PL, o ex-deputado federal José Carlos Araújo não esconde, em entrevista exclusiva a este Política Livre, interesse em pleitear uma vaga na chapa encabeçada por ACM Neto na disputa pelo governo do Estado em 2022, mesmo diante da possibilidade de o presidente Jair Bolsonaro se filiar à legenda.

"Por que não?", questiona Araújo. "Agora isso aí é ação que deve ser feita por Neto e todos os líderes dos partidos, em decidir quem é o melhor candidato. Nós não vamos colocar uma faca no peito de Neto para exigir um lugar na chapa", afirma o ex-parlamentar.

Para ele, a sigla tende a "somar votos" com a possível filiação do presidente da República, apesar da baixa popularidade dele nas últimas pesquisas eleitorais realizadas no Estado. Ele também classifica como uma "falácia" a notícia de que a especulação "Bolsonaro no PL" já contabiliza defecções no Norte e Nordeste.

"Não acredito que isso aconteça. Isso é normal, e terão algumas defecções, mas também terão algumas adesões. Eu acredito que terei mais adesões do que defecções", afirma. O dirigente do PL baiano também avalia que uma eventual candidatura do ministro da Cidadania, João Roma (PRB), na corrida pelo Palácio de Ondina, não irá tirar votos de ACM Neto no pleito do ano que vem.

"Se for para o segundo turno vai Neto e Jaques Wagner", prevê.  "Você acha que João Roma vai votar em quem?", pergunta. "É logico que João Roma vai votar em Neto, não tem como João Roma votar em Wagner", responde, logo na sequência.

Confira a entrevista na íntegra:

Política Livre: Diante da possível filiação do presidente Jair Bolsonaro ao PL, integrantes do partido avaliam que o ex-deputado Valdemar Costa Neto, presidente nacional da sigla, já contabiliza prováveis defecções no Nordeste e também no Norte, devido a alianças de lideranças locais com o PT. Por outro lado, na visão desses correligionários, o cacique do PL espera compensar este “ônus” pela filiação de Bolsonaro com o “bônus” de arrecadar votos da base bolsonarista. Como o senhor vê essa resistência no Norte e Nordeste de colegas do PL contra Bolsonaro?

José Carlos Araújo: Primeiro, eu não estou certo de que o PL já contabiliza defecções no Nordeste e no Norte. Eu acho isso uma falácia. Não acredito que isso aconteça. Isso é normal, e terão algumas defecções, mas também terão algumas adesões. Eu acredito que terei mais adesões do que defecções.

Diante da alta rejeição no Estado - segundo pesquisas - ao presidente, com Jair Bolsonaro no PL na Bahia o partido tende a somar votos ou somar prejuízos?

Essa segunda pergunta não é fácil de responder. Eu acredito que o PL vai somar votos, porque vai ter no partido um candidato a presidente da República, e isso, logicamente, favorece o partido que tem um candidato à presidência da República. O PL nunca teve um candidato a presidente. Teve, no passado, um vice-presidente, José Alencar, de Minas [Gerais], que somou e muito. Eu acredito que, para o bem, tendo Bolsonaro como presidente, vai somar para o PL em todas as regiões.

Caso se concretize a filiação de Jair Bolsonaro ao PL e o presidente não se reeleja, o partido poderia ser escanteado por ACM Neto ou Jaques Wagner, que disputam o governo?

De maneira nenhuma. Nesse tabuleiro não entra Jaques Wagner. No meu tabuleiro só entra ACM Neto, e eu, logicamente, entrando numa disputa dessa e apoiando - e o Neto sabe e eu já disse a ele. Primeiro que o PL garantiu apoio a ele, porque eu fiz uma aliança anterior a qualquer tratativa proporcional a entrar no partido. Garanti essa aliança a ele, mas não garante que a gente e o partido de Neto tenha de apoiar Bolsonaro. Nós vamos apoiar, mas vamos atrás de Neto.

A este Política Livre, o senhor recentemente garantiu apoio em 2022 a ACM Neto na disputa pelo Governo do Estado. Acredita que uma possível candidatura do ministro João Roma, hoje no Republicanos, poderia diminuir os votos do ex-prefeito de Salvador favorecendo o senador Jaques Wagner na disputa?

De hipótese nenhuma. Primeiro, eu não garanti apoio somente em 2022. Eu garanti o apoio em 2018 a Neto. O PL garantiu apoio ao DEM em 2018. Neto, por razões particulares dele, não saiu como candidato. E nós continuamos apoiando Rui Costa. Eu acredito que a candidatura de João Roma não possa tirar votos de Neto. Imagine os três candidatos Neto, Wagner e Roma, logicamente, se for para o segundo turno vai Neto e Jaques Wagner. Você acha que João Roma vai votar em quem? É logico que João Roma vai votar em Neto, não tem como João Roma votar em Wagner.

Recentemente, o DEM e o PSL confirmaram fusão e a criação do União Brasil. Como presidente do PL na Bahia, como o senhor vê essa modalidade de fusão? Teria a possibilidade de o PL se unir com outra legenda?

Isso aí é suposição, eu não vejo ainda tratativa do PL em fazer fusão com outras legendas. Eu acho que é um direito que o DEM teve em fazer o União Brasil, como também é um direito que nós temos de não fazer a kfusão, e mesmo assim apoiar Neto para governador.

Com Bolsonaro no PL não fica difícil a associação do partido a Neto, já que o ex-prefeito evita aproximação pública com o presidente da República?

De maneira nenhuma. Nós já dissemos isso tanto a Neto como o partido. Disse a Bolsonaro: nós vamos apoiar Neto no estado. Agora se vamos apoiar Bolsonaro é outra coisa. Provavelmente, vamos apoiar, pois se o partido apoiar nacionalmente, nós vamos ter que apoiar, mas também temos a garantia de que Bolsonaro não criará problemas ao nosso apoio a Neto na Bahia.

O PL deseja estar na chapa de ACM Neto em 2022?

É lógico que o PL - e todos os partidos que estavam na campanha de 2018 - todos os partidos gostariam de ter lugar na chapa. O PL também gostaria. Por que não? Agora isso aí é ação que deve ser feita por Neto e todos os líderes dos partidos, em decidir quem é o melhor candidato. Nós não vamos colocar a faca no peito de Neto para exigir um lugar na chapa. Nós vamos apresentar algum, logicamente. Neto vai apresentar critérios. Entendemos que, se nós fizermos dentro dos critérios estabelecidos por Neto, nós teremos um nome para chapa.

Em sua observação, quantos deputados federais acredita fazer sem o presidente e com Bolsonaro filiado a ele?

Olha, aí você está querendo que eu tenha uma bola de cristal. Eu não vou adivinhar quantos votos vão ter na legenda com ou sem Bolsonaro, mas, mesmo assim, a gente pode fazer uma relação como seria. É óbvio que, com Bolsonaro, vamos ter mais possibilidades de ter mais deputados federais. Sem Bolsonaro um total de três a quatro. Com Bolsonaro, seis a sete [deputados].

Leia também: Araújo garante que PL da Bahia apoiará ACM Neto, mesmo se Bolsonaro se filiar ao partido

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