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Vendedor da casa de Flávio diz não ter recebido parte da entrada, mas registrou pagamento total
Vendedor da casa de Flávio diz não ter recebido parte da entrada, mas registrou pagamento total
Por Estadão Conteúdo
04/03/2021 às 11:55
Atualizado em 04/03/2021 às 16:50
Foto: Dida Sampaio/Estadão

O empresário Juscelino Sarkis, que detinha a propriedade da casa em Brasília comprada pelo senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), afirmou ao site O Antagonista não ter recebido o valor total do negócio, de R$ 5,9 milhões.
Segundo ele, Flávio realizou depósitos que somam R$ 1,09 milhão. Mesmo assim, Sarkis registrou na escritura do imóvel que recebeu R$ 2,87 milhões de entrada. O restante do valor, R$ 3,1 milhões, foi financiado por Flávio no Banco Regional de Brasília (BRB) e já transferido para a empresa de Sarkis, a RVA Construções e Incorporações S/A.
Em nota, a empresa disse que "adotou todas as providências legais que cabem ao vendedor, em estrita observância ao Código Civil e às demais leis que regem os contratos de compra e venda de imóveis”. “Informa, ainda, que os valores da venda serão devidamente declarados às autoridades fazendárias, colocando-se à disposição para quaisquer esclarecimentos que se fizerem necessários", afirma a RVA Construções.
Denunciado por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa no suposto esquema de "rachadinha" na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, o senador Flávio e sua mulher, a dentista Fernanda Antunes Bolsonaro, compraram o imóvel luxuoso, perto do Lago Paranoá, no fim de janeiro.
A nova casa do filho do presidente da República fica localizada no setor de Mansões Dom Bosco, no Lago Sul, bairro nobre da capital, e foi vendida em anúncio como “a melhor vista de Brasília da suíte máster”. O senador, no entanto, registrou o imóvel em um cartório de Brazlândia, cidade de perfil rural a 50 km do Plano Piloto. A casa tem 1,1 mil m², com quatro suítes amplas, academia, piscina e spa com aquecimento solar.
O valor do novo imóvel é mais que o triplo do total de bens declarados por Flávio à Justiça Eleitoral em 2018, quando disputou uma vaga no Senado pelo Estado do Rio de Janeiro. Naquela ocasião, Flávio declarou bens avaliados em R$ 1,74 milhão, incluindo um apartamento residencial na Barra da Tijuca, no Rio (R$ 917 mil), uma sala comercial no mesmo bairro (R$ 150 mil), 50% de participação da empresa Bolsotini Chocolates (uma franquia da Kopenhagen, de R$ 50 mil), um veículo Volvo XC de R$ 66,5 mil e aplicações e investimentos que somavam R$ 558,2 mil.
Segundo o registro da compra feito no 1º Ofício de Registro de Imóveis do Distrito Federal, em 2 de fevereiro de 2021, o pagamento dos R$ 3,1 milhões financiados no BRB poderá ser feito em 360 parcelas, a uma taxa de juros efetivos de 4,85% ao ano e taxa de juros reduzida de 3,71% ao ano, além da variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial.
Em declaração ao Estadão, o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, afirmou que não houve vantagens no financiamento para o filho do presidente da República.“Taxa é taxa de mercado. Operação normal. A gente é líder aqui no Distrito Federal”, disse Costa.
Em um vídeo digulgado em suas redes sociais na terça-feira, 2, Flávio afirmou que, além do financiamento imobiliário, vendeu um outro imóvel no Rio de Janeiro para comprar a casa em Brasília. Ele disse, porém, ainda não ter registrado o negócio em cartório.
Procurado por meio de sua assessoria para comentar as declarações de Sarkis, ele não se manifestou.
