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Diretor do Butantan diz que suspensão do teste da Coronavac causa descrédito gratuito

Diretor do Butantan diz que suspensão do teste da Coronavac causa descrédito gratuito

Por Folhapress

10/11/2020 às 12:02

Atualizado em 10/11/2020 às 13:16

Foto: Fotoarena/Folhapress

O diretor do Butantan diz que suspensão do teste da Coronavac causa descrédito gratuito

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou na manhã desta terça-feira (10) que a suspensão dos testes da Coronavac anunciada ontem pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) causou incerteza e medo nas pessoas. A declaração foi dada em entrevista coletiva à imprensa, sem a presença do governador João Doria (PSDB),

"Fomentaram um ambiente que não é muito propício pelo fato de essa vacina ser feita em associação com a China. Fomentaram esse descrédito gratuito. A troco de quê?", disse Covas

O diretor do Butantan ainda fez questão de enfatizar que a morte do voluntário de 33 anos que participava do teste da Coronava não tem relação com a vacina. Ele já tinha dado essa informação na segunda-feira (9) à noite em entrevista à TV Cultura, após o anúncio da Anvisa.

Covas também disse que o Butantan foi surpreendido com um email da Anvisa às 20h40 desta segunda (9), informando sobre uma reunião na manhã desta terça e suspendendo os testes.

A agência de vigilância sanitária informou na noite desta segunda-feira (9) que determinou a interrupção do estudo clínico da vacina Coronavac no Brasil após a ocorrência de um evento adverso grave, mas não deu detalhes. O jornal Folha de S.Paulo apurou que o evento em questão foi a morte de um voluntário de 33 anos, morador de São Paulo, no dia 29 de outubro.

As autoridades de saúde do estado receberam na própria segunda-feira a informação de que o óbito não tem relação com a vacina, embora não haja dados públicos, como se o voluntário havia recebido uma dose do imunizante ou um placebo.

Na segunda-feira à noite, Covas afirmou que, entre os milhares de participantes do estudo, podem ocorrer mortes por causas não relacionadas à vacina, como acidentes de trânsito. Em estudos de drogas e vacinas, mesmo esses tipos de acidentes precisam ser relatados.

"Nós até estranhamos um pouco essa decisão da Anvisa porque é um óbito não relacionado à vacina", disse ele durante o Jornal da Cultura.

Bolsonaro já protagonizou com Doria outros choques sobre a vacina em desenvolvimento pela parceria sino-brasileira. O presidente chegou a desautorizar um acordo do Ministério da Saúde com o estado de São Paulo para a compra de 46 milhões de doses da Coronavac. Em resposta, na ocasião, Doria classificou de criminosa a atitude de Bolsonaro caso ele negue o acesso a qualquer vacina aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) contra a Covid-19.

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