/

Home

/

Noticias

/

Brasil

/

Delação de ex-presidente da Fecomércio-RJ rejeitada pela PGR cita oito dos nove ministros do TCU

Delação de ex-presidente da Fecomércio-RJ rejeitada pela PGR cita oito dos nove ministros do TCU

Por Redação

10/09/2020 às 19:30

Atualizado em 10/09/2020 às 19:45

Foto: Ruy Baron/Folhapress

Tiago Cedraz, filho do ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) Aroldo Cedraz, teria dado o caminho das pedras a Orlando Diniz, segundo a delação de CNN

A CNN Brasil teve acesso aos anexos da colaboração premiada do ex-presidente da Fecomércio-RJ Orlando Diniz e que foram rejeitados pela Procuradoria-Geral da República. Os dois documentos foram entregues pelo delator ao Ministério Público Federal do Rio de Janeiro. Como havia pessoas citadas com prerrogativa de foro, eles foram então remetidos a Brasília para análise da PGR, que acabou rejeitando-os.

Os anexos 6 e 9 citam diretamente um ex-presidente da República, um ex-ministro de Estado, oito dos nove ministros do Tribunal de Contas da União, um deputado federal, um ex-deputado federal, além de advogados que acabaram não sendo alvo da operação E$quema S, deflagrada nesta quarta-feira. A seguir, os principais trechos dos anexos e a íntegra deles.

O mais forte é o que Orlando relata um encontro com o advogado Tiago Cedraz, filho do ministro do Tribunal de Contas da União Aroldo Cedraz, na qual o advogado teria lhe dado "o caminho das pedras" da corte de contas. Segundo Orlando, "Tiago foi claro em dizer o nome dos ministros que iriam receber valores e/ou favores e como isso se dava na prática":

"Com o passar do tempo, Tiago começou a dar a Orlando 'o caminho das pedras' no TCU. Os dois estavam juntos na sala de reuniões da Presidência da Fecomércio quando Tiago deixou muito claras as suas ligações com o TCU. Orlando fez anotações detalhadas enquanto Tiago elencava o nome dos Ministros e 'como chegar' em cada um."

MINISTROS:

Aroldo Cedraz e Raimundo Carreiro – diretamente com Thiago Cedraz;

Ana Arraes – Chefia de Gabinete da Ministra. Neste caso chegou a mencionar que nem era tão caro;

Vital do Rego – neste caso iria precisar do aval de algum político de relevância. Foi claro em dizer que Sérgio Cabral era um caminho forte.

Bruno Dantas – aqui também seria necessário do aval de político de relevância.

Augusto Nardes – Tiago citou pelo menos três nomes de operadores ligados a Nardes. Orlando se recorda de dois: (a) “Borracha”, era o apelido de um deles e não sabe qualquer detalhe adicional; (b) No Rio de Janeiro, Luiz Veloso (primo de Napoleão Veloso, Diretor da FECOMÉRCIO). Orlando sabia por Napoleão que ele e o primo mantinham uma relação fraternal e muito próxima. Quando Tiago mencionou o nome de Luiz Veloso, Orlando ficou preocupado uma vez que já tinha conhecimento de que ele operava para Júlio Lopes e Francisco Dornelles, este último desafeto de Orlando."

Neste anexo, o delator relata ainda que quem operava para Tiago na prática na corte era o advogado Fabio Viana Fernandes da Silveira, sócio do escritório Galotti Advogados, que tem sede em Brasília e, segundo seu site, é especializado em portos. A comunicação entre Tiago, Orlando e Fabio era feita mediante um aplicativo sigiloso, o Confide.

"Tiago indicou o escritório Gallotti Advogados Associados, na pessoa do advogado Fabio Viana Fernandes da Silveira, para fazer a parte operacional, o dia a dia no TCU e “aparecer” no lugar dele. Orlando se comunicava com Tiago pelo aplicativo Confide. O mesmo acontecia com Fabio Viana Fernandes da Silveira. (…) Tiago estava sempre no Rio de Janeiro e por vezes chegou acompanhado do advogado que havia indicado, Fabio Viana Fernandes da Silveira. Em uma destas vezes, inclusive, Tiago comentou que tinham viajado no avião dele, Tiago."

O ex-presidente da Fecomércio mencionou ainda que Tiago Cedraz tinha feito um acordo com dois ministros do TCU, seu pai, Aroldo Cedraz, e Raimundo Carreiro, quando ele era presidente da corte. O trato era para que indicar os responsáveis pelas secretarias de Controle Externo do TCU "em vários estados".

"Tiago também comentou em certa ocasião que o próximo presidente do TCU seria Raimundo Carreiro e que ele, Tiago, o pai, Aroldo, e Raimundo tinham feito um acordo e que Tiago iria indicar os responsáveis pela SECEX em vários estados, inclusive no Rio de Janeiro. Aí se resolveria um problema já que, segundo Tiago, o responsável pela SECEX do Rio de Janeiro era o Nardes que tinha indicado para lá pessoa de sua confiança."

Orlando menciona nesse documento o deputado federal Paulinho da Força. "Tiago, com seu ego e vaidade, fazia questão de se expor e acabava expondo seus parceiros. Isto mais uma vez se comprovou quando em viagem a Brasília, levou Orlando ao apartamento onde morava o Deputado Federal Paulinho da Força. Disse que fazia toda a parte jurídica do partido, e que tinha que ter esse tipo de ligação. Tiago chegou a insinuar que “dava ordens ao deputado"".

No anexo número 6, que a CNN também teve acesso, o tema também é o TCU. Nele, Orlando Diniz envolve ainda um sétimo ministro da corte de contas, Benjamin Zymler. Segundo o relato, o ex-jogador de vôlei Bernard foi um facilitador para ele se aproximar de Zymler mediante o pagamento de R$ 150 mil.

"Em determinado momento, Orlando se aproximou do advogado Ary Bergher, com quem comentou que estava com dificuldades no TCU. Comentou sobre alguns processos e relatores. Dentre eles, um processo que tinha como Relator o Ministro Benjamin Zymler. Em seguida, Ary indicou o ex-jogador de vôlei Bernard Rajzman como operador do Ministro Zymler. Orlando, então, fez uma reunião com Bernard e algum tempo depois combinou o pagamento de R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais) em espécie que seriam entregues ao Ministro. Orlando então foi levado pelo motorista Elinaldo Bastos até o condomínio na Barra da Tijuca onde morava Bernard Rajzman e retirou da mochila o valor de R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais) em espécie, conforme o combinado."

Outro ministro citado é Walton Alencar. Orlando Diniz disse que havia uma estratégia em curso, desenvolvida pelos advogados junto com o então deputado federal Lelo Coimbra para atrair o ministro para o esquema. Ele diz que Alencar recebeu R$ 400 mil pela parceria.

"Várias frentes eram trabalhadas por Marcelo Cazzo e Vagner Caldeira na parceria fixada com o Deputado Lelo Coimbra trouxe para o grupo o Ministro Walton Alencar. Em determinada ocasião, Wagner comentou que chegou a ir aos Estados Unidos encontrar com o Ministro para tratar de estratégias de atuação junto ao TCU. Segundo Marcelo Cazzo, foram entregues ao Ministro Welton Alencar, R$ 400.000,00 (quatrocentos mil reais) em espécie, como entrada pelo início da parceria. Segundo foi constatado na época, havia dois inimigos no TCU: os Ministros Weder de Oliveira e Augusto Nader. A estratégia se dava em duas frentes: encontrar caminhos para trazer os dois Ministros para o grupo e em paralelo formar maioria nas Câmaras para, que se não fosse possível trazer esses dois Ministros, ganhar por maioria. Assim, Orlando passou as informações de que dispunha sobre os Ministros do TCU que haviam sido passadas, anteriormente, a ele por Tiago Cedraz."

Orlando cita ainda a participação do ex-presidente José Sarney na estratégia para aproximar Orlando do ministro Bruno Dantas. "Marcelo Cazzo indicou o advogado Fabiano Silveira (ex-Ministro da Transparência) por causa de seus contatos junto à classe política. Um dos movimentos feitos por Fabiano foi uma aproximação com José Sarney como um movimento inicial para, então, se aproximar do ministro Bruno Dantas, de quem Sarney seria muito amigo, segundo Fabiano. Foi realizado então, um primeiro encontro entre José Sarney, Orlando Diniz, Fabiano Silveira e Marcelo Cazzo na casa de José Sarney em Brasília."

Questionada, a Procuradoria-Geral da República afirmou que "as equipes que analisaram o tema entenderam que não havia indícios mínimo contra autoridades com foro".

Em nota, o TCU informou que "não se manifestará sobre ilações contidas em documento arquivado pela Justiça e ao qual não teve acesso oficial. Sobre o assunto, o TCU ainda informa que o referido delator foi condenado por este tribunal ao pagamento de débitos e multas em valor superior a 50 milhões de reais".

As informações são do canal CNN Brasil.

Comentários
Importante: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião do Política Livre
politica livre
O POLÍTICA LIVRE é o mais completo site sobre política da Bahia, que revela os bastidores da política baiana e permite uma visão completa sobre a vida política do Estado e do Brasil.
CONTATO
(71) 9-8801-0190
SIGA-NOS
© Copyright Política Livre. All Rights Reserved

Design by NVGO

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nossa Política de Cookies.