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Procurador diz que declarações de Roberto Jefferson são desprezíveis, mas não constituem crime
Procurador diz que declarações de Roberto Jefferson são desprezíveis, mas não constituem crime
Por Folha de S. Paulo
14/06/2020 às 07:03
Foto: André Redlich/O Fluminense/Folhapress

A Procuradoria do Distrito Federal arquivou nos últimos dias uma denúncia anônima, acompanhada de pedido de investigação, contra o presidente do PTB, Roberto Jefferson.
O procurador Frederico Paiva afirmou no despacho que as declarações do ex-deputado são desprezíveis, mas não configuram crime. “A manifestação ora em análise, embora lamentável, desprezível e grosseira, não constitui, sequer em tese, ilícito penal”, escreveu.
A denúncia anônima foi feita por um cidadão que enxergou incitação ao cometimento de crimes numa entrevista concedida por Jefferson no fim de abril. Nela, o político condenado por envolvimento no escândalo do mensalão afirma que "a base do Bolsonaro é uma base forte e disposta a lutar" e que apostaria no grupo de Bolsonaro no caso de uma guerra civil.
Segundo o procurador, "palavras de baixo calão" muito mais pesadas que as de Jefferson "constituem a linguagem cotidiana das mídias sociais" e "proliferam pelo mundo".
"O ordenamento jurídico brasileiro não prevê o delito de opinião. Ainda que esta seja uma opinião equivocada oriunda de um dirigente partidário notório pelo cometimento de crimes contra a administração pública, condenado pelo STF e posto em liberdade em curto espaço de tempo", escreveu Paiva.
"Expressões toscas, ofensivas, que revelam desprezo aos fundamentos da democracia brasileira, conquista inquestionável após anos vividos sob o estado de exceção, também estão protegidas pela Constituição", completou.
