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Dados econômicos vêm 'menos ruim' do que o esperado e fazem Bolsa subir e dólar cair
Dados econômicos vêm 'menos ruim' do que o esperado e fazem Bolsa subir e dólar cair
Por Folhapress
03/06/2020 às 18:18
Atualizado em 03/06/2020 às 18:18
Foto: Werther Santana/Estadão/Arquivo

Nos últimos dias, dados econômicos vieram menos ruins do que o esperado por economistas, aumentando o otimismo do mercado financeiro, que retoma o apetite a risco conforme economias reabrem e o número de novos casos de Covid-19 na Europa e nos Estados Unidos desacelera.
O movimento levou a Bolsa brasileira aos 93 mil pontos, alta de 2,14%, nesta quarta-feira (3), maior valor desde 6 de março, antes dos seis circuit breakers —paralisação temporária nas negociações em fortes quedas— daquele mês.
O dólar segue em queda livre. Nesta sessão, a moeda recuou 2,45%, a R$ 5,085, menor valor desde 26 de março. O turismo está a R$ 5,36.
Nesta quarta, o mercado reagiu a uma queda menor do que o esperado da indústria brasileira em abril, apesar de ser o pior resultado da série histórica, que vem desde 2002.
De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a produção industrial caiu 18,8% na comparação com março e 27,2% na comparação com abril do ano passado.
Economistas consultados pela Bloomberg, no entanto, esperavam retração de 28,3% com relação a março de 2020 e de 36,1% na comparação com abril do ano passado.
Nos Estados Unidos, dados do Instituto ADP apontam um desemprego menor do que o esperado no setor privado. Foram cortadas 2,76 milhões de emprego em maio, contra uma expectativa de corte de 9 milhões.
“Nos EUA, a flexibilidade de contratar e mandar embora é maior. Dificilmente, os americanos terão um decréscimo de desemprego. Eles estão no pico da pandemia e, talvez, os empregadores não estejam mandando embora agora”, diz Roberto Dumas Damas, professor de economia do Insper.
Na China, depois da indústria registrar expansão em maio, foi a vez do setor de serviços superar expetativas, com crescimento do Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) do Caixin/Markit para 55 pontos. O mercado esperava um crescimento de 44,4 pontos em abril para 47,3 pontos, apenas.
“A China está se recuperando por meio de anabolizantes do Estado, com bancos locais emprestando montanhas de dinheiro para obras de infraestrutura. O país deve crescer 1 a 1,5% este ano”, diz Dumas.
Os dados levaram investidores a apostarem em uma retomada econômica mais rápida e forte, levando ativos de segurança como ouro e dólar a perder valor no mercado interacional.
Em Nova York, o índice S&P 500 subiu 1,36%, Dow Jones teve alta de 2% e Nasdaq registrou ganhos de 0,8%.
“Fazer previsão em tempo de crise é mais difícil. Não é que os dados estejam bons, mas há mais erro nas previsões, que são baseadas em dados históricos, passados. O impacto do coronavírus na economia vai ser feio ainda”, diz Joelson Sampaio, coordenador do curso de economia da FGV.
