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Esgotado com comportamento de Bolsonaro, Mandetta dá senha para sua demissão
Esgotado com comportamento de Bolsonaro, Mandetta dá senha para sua demissão
Por Redação
13/04/2020 às 09:05
Atualizado em 13/04/2020 às 09:45
Foto: Fantástico reprodução

É evidente que o ministro da Saúde, o médico Luiz Henrique Mandetta, concedeu a entrevista de ontem ao Fantástico, programa líder de audiência aos domingos da "Globolixo", como os bolsonaristas raivosamente se referem à emissora, com o objetivo de produzir as manchetes da manhã de hoje.
"O brasileiro não sabe se escuta o ministro ou o presidente", é a frase de Mandetta que estampam hoje os principais jornais e portais do país. Esvaziado, desautorizado e até criticado publicamente por Jair Bolsonaro, que, no entanto, perdeu a autoridade sobre ele, o ministro deve ter chegado ao limite.
Não poderia ser diferente. A relação que Bolsonaro estabelece com seus subordinados não é de hierarquia e respeito, mas de subjugação total, à qual aqueles que não se submetem não têm outra alternativa senão pedir para sair ou se deixar desligar, opção que decidiu impor a Mandetta com seu comportamento infantil e irresponsável.
De fato, a relação em patamar elevado de ministro com chefe de governo não é possível com este presidente da República. Ainda mais tendo em vista um momento crítico como o atual, onde tudo que é preciso ele se nega a fazer, como agir no sentido de minimizar os efeitos da crise e se portar como verdadeiro líder.
Por este motivo, ao justificadamente culpar Bolsonaro pela confusão em que a população se debate, entre se manter ou não em isolamento social, sob um presidente que prefere o caminho fácil de defender vida normal para mitigar os seríssimos problemas econômicos, Mandetta deixou claro que espera ser demitido pelo presidente.
Em condições normais, mesmo num governo marcado pela anormalidade, a demissão do titular da Saúde deveria ocorrer ainda no dia de hoje. Assim, perde o Brasil um ministro que conhece os problemas históricos do país e de um setor que nunca foi um exemplo para a população, mas vem sabendo se conduzir de forma exemplar na crise.
Crise, aliás, de grandes proporções e extremamente perigosa, que infelizmente ainda não chegou a seu pico, como o ministro deixou claro na entrevista ao Fantástico, quando mudanças caprichosas, bem ao estilo do presidente, são uma verdadeira temeridade para o país e sua população.
