Omar Aziz é eleito governador do Amazonas
Político que apoiou reeleição de Lula (PT) já havia sido governador do Estado de 2010 a 2014
Por Yuri Eiras/Folhapress
25/10/2026 às 20:30
Atualizado em 25/10/2026 às 22:44
Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado/Arquivo
O senador Omar Aziz (PSD)
O senador Omar Aziz (PSD) foi eleito governador do Amazonas. Com a totalidade das urnas apuradas, Aziz teve 61,42% dos votos válidos —1.273.975 ao todo— neste domingo (25) de segundo turno, contra 38,58% de Professora Maria do Carmo (PL) —com 800.328 votos.
Aziz e Maria do Carmo deixaram para trás o atual governador do Amazonas, Roberto Cidade (União), que foi derrotado em primeiro turno e terminou em terceiro.
No primeiro turno, Omar Aziz teve 40,63% dos votos, Professora Maria do Carmo, 24,49%, e Cidade, 21,91%.
A decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Cristiano Zanin de prorrogar por duas horas a votação em todo o país, emitida pouco após as 17h, causou confusão entre mesários e presidentes de seção. Em alguns locais do país, urnas já haviam sido encerradas e contabilizadas, com a impressão de boletins de urna. A prorrogação do horário é inédita no país.
Nas redes sociais do vencedor, um vídeo pré-pronto celebrou a vitória. "O rio é Amazonas. O mar é de gente. O governador é Omar", diz a postagem.
Omar Aziz, 68, já governou o Amazonas de 2010 a 2014. Antes, foi vereador de Manaus e vice-prefeito, deputado estadual e vice-governador, de 2003 a 2010. Foi eleito senador em 2014 e reeleito em 2022.
Filho de pai palestino e mãe brasileira, nasceu no interior de São Paulo e se mudou criança para Manaus. Participou de movimento estudantil e foi filiado ao PC do B entre os anos 1970 e 1980. Transferiu-se depois para o PFL, antiga Arena, e passou por outros cinco partidos. Está desde 2011 no PSD.
Votou a favor do impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016, e, cinco anos depois, se tornou personagem de oposição ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), por conta da CPI da Covid (Comissão Parlamentar de Inquérito), a qual presidiu.
A comissão pediu a responsabilização de Bolsonaro e outras 79 pessoas após investigar ações e omissões do governo federal de então no enfrentamento da pandemia.
O senador foi escolhido relator da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do fim da escala 6x1, que chamou de "emenda à Constituição mais importante da história dos trabalhadores brasileiros".
Aziz apoiou a reeleição de Lula (PT), embora tenha disfarçado, em campanhas nas redes, a presença do PT na coligação. Lula teve 48,23% dos votos no primeiro turno no Amazonas, ante 45% de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Já Maria do Carmo, 66, baseou a campanha no apoio bolsonarista. "Maria é Bolsonaro, Bolsonaro é Maria", dizia um dos slogans de campanha.
Nascida em Manaus, é contadora e empresária do ramo da educação. Fundou com o marido, Wellington Lins de Albuquerque, a universidade privada Fametro, a Faculdade Metropolitana de Manaus, com presença nas regiões Norte e Centro-Oeste. Maria do Carmo é a atual reitora da universidade.
Alçou carreira política após a ascensão do bolsonarismo, na última década. Foi suplente na chapa derrotada ao Senado de Arthur Virgílio Neto, em 2022; também perdeu quando foi candidata a vice, pelo partido Novo, na chapa de Alberto Neto (PL) à Prefeitura de Manaus —David Almeida (Avante) foi eleito.
Maria do Carmo participou na última segunda (19) de evento ao lado de Flávio Bolsonaro. O "bloquinho do 22", movimento encabeçado pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) para demonstrar apoio ao candidato a presidente, esteve em Manaus, com Maria em cima do trio elétrico.
Na reta final, a candidata ao governo amazonense recebeu vídeo de apoio de políticos do PL e de outros quadros que representam a direita, como o pastor Silas Malafaia.
Em campanha nas redes sociais, os dois candidatos evitaram comentar os incêndios florestais no Amazonas, registrados desde o início de outubro. A fumaça das queimadas encobriu cidades, suspendeu aulas, atrapalhou a aviação civil e forçou o envio de aeronaves federais para combater o fogo.
Jair Schmitt, presidente do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), acredita que a guerra política nas redes tem incentivado incêndios criminosos na Amazônia.
