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Kassio diz que decisão de Zanin de prorrogar votação não provocou 'nenhuma alteração' na eleição
Kassio diz que decisão de Zanin de prorrogar votação não provocou 'nenhuma alteração' na eleição
Presidente do TSE fez pronunciamento após proclamar resultado do segundo turno neste domingo
Por Isadora Albernaz/Ana Pompeu/Luísa Martins/Folhapress
25/10/2026 às 23:10
Foto: Leobark Rodrigues/TSE
O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques
O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, afirmou neste domingo (25), após a confirmação da vitória do presidente Lula (PT) contra Flávio Bolsonaro (PL), que a prorrogação do prazo de fechamento das urnas não causou problemas na totalização dos votos.
"Mesmo diante de todas essas circunstâncias, adotamos todas as providências que se fizeram necessárias e fomos absolutamente exitosos. Volto a dizer: não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial", disse.
Mais cedo, em uma decisão inédita, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Cristiano Zanin e Kassio Nunes Marques determinaram que a votação fosse estendida até as 19h (em Brasília) em seções em que a votação ainda não havia sido concluída e em que as urnas permanecem abertas.
Segundo o magistrado, a decisão liminar proferida após o horário de encerramento da votação gerou dificuldades no processo eleitoral. Kassio disse ter recebido o pedido por volta das 15h30, quando buscou informações técnicas com o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia, as prefeituras e as equipes do próprio TSE, por não haver normativo que autorizasse qualquer prorrogação.
"Nunca na história do TSE houve qualquer prorrogação. Não seria possível, em poucas horas, construir um juízo de certeza de que nenhum efeito colateral, especialmente no aspecto tecnológico, advino de uma decisão judicial, viesse a impactar significativamente a apuração. Registo que essas palavras não se interessam a absolutamente nenhuma crítica a uma decisão judicial, mas as indagações que circulam na rede social do porquê que eu teria demorado para proferir uma decisão", disse.
O ministro voltou a dizer não se tratar de uma decisão convencional. O TSE ainda não divulgou formalmente quantas seções eleitorais foram fechadas às 17h e quantas seguiram abertas recebendo eleitores.
"Não é uma decisão que apenas se abre o contraditório. Prorrogar uma eleição é possível, mas ela tem que ser pensada, calculada e estruturada. Hoje, estamos felizes e orgulhosos da nossa equipe técnica que evitou eventuais problemas. Tivemos que fazer um bloqueio para não receber boletins de urna para que nenhum servidor da Justiça Eleitoral, nenhum membro desse tribunal tivesse acesso a nenhum conteúdo de boletim", disse.
Dentre as dificuldades, o ministro citou a incerteza sobre a capacidade de armazenamento de todos os dados. Milhares de urnas no Brasil já estavam encerradas, o que impede a reabertura, mas os boletins de urnas tiveram de ser bloqueados até o novo horário final.
O presidente do TSE também relatou ter telefonado aos dois candidatos à Presidência da República para confirmar o resultado definitivo. No pronunciamento, também direcionou uma palavra a ambos.
"Ao candidato Flávio Bolsonaro, que pela primeira vez disputou a eleição presidencial e conquistou votação expressiva, parabenizo pela campanha", disse.
"Ao Presidente Lula, registro o reconhecimento da Justiça Eleitoral por sua participação em mais este processo democrático e pela vitória nas urnas. Sua trajetória política atravessa diferentes períodos da história democrática brasileira. Participou como candidato de 8 eleições, tendo vencido 4 delas", afirmou.
Kassio também ressaltou a queda na abstenção de presenças nas urnas. De acordo com ele, os mais de 158 milhões de brasileiros aptos a votar neste segundo turno, com 99,9% das urnas apuradas, compareceram mais de 128 milhões. "O percentual de abstenção foi de 19,21%, menor do que no primeiro turno, que registrou cerca de 21,08% de abstenção".
