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Embaixada dos EUA em Brasília destacou em relatório vitória 'definitiva' de Lula

Embaixada dos EUA em Brasília destacou em relatório vitória 'definitiva' de Lula

Representação americana diz que ampliação do horário teve efeito mínimo

Por Isabella Menon/Folhapress

29/10/2026 às 19:45

Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação/Arquivo

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O presidente Lula durante a campanha de reeleição

A Embaixada dos Estados Unidos em Brasília informou em relatório recebido por órgãos dos EUA, como Departamento de Estado, que a vitória do presidente Lula (PT) nas eleições de domingo (25) foi "definitiva" e "surpreendente".

O documento, que foi enviado na segunda-feira (26), é intitulado "Eleições no Brasil: Lula é eleito em resultado surpreendente, mas definitivo; Flávio Bolsonaro considera resultado impossível de aceitar". Nele, é destacado que a votação transcorreu de maneira majoritariamente pacífica, apesar de problemas registrados em algumas regiões do país.

Em relatório diplomático ao qual o jornal Folha de São Paulo teve acesso, a representação americana afirmou que observadores internacionais não manifestaram dúvidas sobre o resultado da eleição e relatou que a ampliação do horário de votação, principal argumento usado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) para contestar a derrota, não teve impacto significativo no resultado, segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

A avaliação contrasta com as declarações do presidente Donald Trump, que tem questionado repetidamente o processo eleitoral brasileiro, sem apresentar provas de irregularidades capazes de comprometer o resultado. Nesta quinta-feira (29), o republicano voltou a classificar a eleição como uma "vergonha", embora tenha afirmado que pretende conversar com Lula.

No resumo, a representação americana destaca que Lula venceu Flávio por uma diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos e que o segundo turno ocorreu de maneira majoritariamente pacífica, embora tenham sido registradas interrupções no transporte público e dificuldades de acesso a locais de votação no Nordeste e no Sul.

O relatório menciona que tanto a campanha de Lula quanto a de Flávio apresentaram pedidos ao TSE para a ampliação do horário de votação em resposta a esses problemas.

A decisão foi adotada pelo ministro Cristiano Zanin, do STF (Supremo Tribunal Federal), que autorizou a extensão por duas horas, após o encerramento previsto para as 17h. A medida provocou confusão, já que algumas seções eleitorais não haviam recebido a determinação.

No documento, é destacado que o TSE informou que apenas 34 mil votos foram registrados depois das 17h, incluindo eleitores que já estavam na fila no momento do encerramento. O número corresponde a aproximadamente 0,03% dos votos e é insuficiente para alterar a diferença entre Lula e Flávio.

O relatório também destaca que o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, afirmou que o horário ampliado não teve influência significativa no resultado e não alterou a vitória de Lula.

A representação americana relata ainda que, pouco depois da divulgação do resultado, Lula fez um pronunciamento em São Paulo, diante de apoiadores, prometendo governar para todos os brasileiros e agradecendo especialmente aos idosos e jovens pela mobilização eleitoral.

O documento encaminhado ao Departamento de Estado também comenta que Flávio condenou a decisão do STF de estender o horário de votação e se comprometeu a contestar o resultado, classificando-o como "impossível de aceitar". Registra, ainda, que outros líderes conservadores reconheceram publicamente a vitória de Lula.

A representação americana afirma que integrantes do PL compartilharam de maneira reservada a preocupação de que a contestação de Flávio pudesse provocar uma crise política, mesmo diante de uma diferença decisiva de votos, da ausência de fundamento jurídico e da possibilidade de desgaste para o partido.

Outro ponto destacado no documento é a avaliação dos observadores internacionais que acompanharam a votação. Segundo o relato diplomático, as missões estrangeiras caracterizaram a decisão de ampliar o horário de votação como mal administrada, mas avaliaram que a eleição ocorreu de maneira organizada.

Os observadores da OEA (Organização dos Estados Americanos), de acordo com o relatório, afirmaram não ter "nenhuma dúvida sobre os resultados", embora tenham considerado insatisfatória a comunicação interna entre os responsáveis pela organização da votação.

A cobertura inicial da imprensa brasileira, segundo a embaixada, destacou a persistente polarização política, os problemas relacionados à decisão do STF e os possíveis desafios jurídicos ao resultado da eleição, além das dificuldades que Lula enfrentará para governar com um Congresso de maioria conservadora.

O relatório também registra que Lula havia sido reconhecido por pelo menos 54 países até o momento de sua elaboração, com exceções como Estados Unidos, El Salvador e Argentina —o jornal Folha de São Paulo revelou em reportagem que o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, na verdade, reconheceu a vitória de Lula no dia da eleição.

A posição relatada pela embaixada contrasta com o discurso adotado pelo próprio presidente americano desde a derrota de Flávio Bolsonaro. Na segunda-feira (26), Trump afirmou que o pleito brasileiro parecia ter sido fraudado e questionou a ampliação do horário de votação, embora tenha dito que não havia tomado partido na disputa e que mantém uma boa relação com Lula.

"A impressão que passou para o mundo foi terrível. Eleições precisam ser indiscutíveis", disse o republicano na ocasião.

Nesta quinta, Trump voltou a criticar o processo eleitoral brasileiro ao ser questionado sobre a possibilidade de conversar com Lula e parabenizá-lo pela reeleição. "Vou falar com ele, mas acho que a eleição no Brasil foi uma vergonha", afirmou. Questionado sobre quem considerava o legítimo vencedor da disputa, Trump evitou responder.

"Não quero comentar, mas achei que a eleição foi um grande constrangimento para o povo brasileiro. O atual presidente me pediu para não tomar partido, e eu não tomei. Mas, quando vi o que aconteceu no Brasil, achei uma vergonha", afirmou.

O governo americano ainda não havia enviado uma mensagem formal de congratulações a Lula pela reeleição até esta quinta-feira. O presidente também evitou responder diretamente se reconhece o petista como vencedor legítimo da disputa, apesar de ter afirmado que pretende conversar com ele.

A indefinição ocorre em meio à presença de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos. O senador desembarcou em Miami na quarta-feira (28), depois de deixar o Brasil após a derrota eleitoral. O Departamento de Estado confirmou a concessão de vistos para ele e seus familiares.

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