Flávio é um soldado golpista mais raso que o papai, por Raul Monteiro
Por Raul Monteiro*
29/10/2026 às 06:58
Foto: Vittor Sales/Arquivo/Divulgação
Flávio Bolsonaro
E a propaganda dizia que Flávio Bolsonaro era, assim, o mais equilibrado do clã, um moderado que não estava disposto a repetir os desatinos do papai maluquinho, o primeiro presidente depois da redemocratização que, de tão incompetente, perdeu a reeleição. Como a história se repete, de maneira ainda mais patética, impossível não concluir que o bolsonarismo é fonte não de produção de líderes, mas de figuras estranhas do familismo tipicamente nacional cuja marca é o desequilíbrio puro, completo e intratável. O Brasil, definitivamente, não merece isso como opção a Lula e o petismo.
E o sábio eleitor brasileiro reconhece o descompasso - que isso não é uma saída política, mas um delírio. Se alguém já disse antes, vale a pena repetir: as eleições presidenciais de domingo mostraram que o anti-bolsonarismo, uma jaboticaba murcha, peca e azeda, é muito maior que o anti-petismo. O que é grave, se levado em conta os quase 17 anos em que o PT e Lula comandam o poder central no Brasil, mandando e desmandando no país, e o período de um mandato em que Jair Bolsonaro (PL) conduziu a Nação, talvez na fase mais crítica de sua história, sob uma pandemia.
Foi uma época em que país precisou de um líder capaz de defendê-lo e ao seu povo e encontrou um político debochado e inconsequente, disposto a ironizar quem adoecia e, pior, quem morria. O desastre de sua administração conjuminado aos ataques que desde o primeiro momento desferiu contra o Supremo Tribunal Federal levou, primeiro, o STF a soltar Lula para enfrentá-lo e depois à sua merecida derrota eleitoral. E o que ele fez? Tal qual agora o rebento, fugiu para os EUA sem reconhecer a vitória do adversário, levantando a mentirosa tese de fraude nas eleições.
O objetivo era retornar depois para reinar, passando a ideia de que não tinha nada a ver com o golpe que urdira na surdina, com um punhado de assessores aloprados e outro tanto de militares, uma turma com que procurou aparelhar o governo para dar cabo ao seu plano baixo golpista. Não espanta que o filhinho mais velho, escolhido presidenciável pelo papai em detrimento de opções infinitamente mais competitivas e racionais como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tenha buscado repetir o mesmo roteiro, agora sob a farsa de que seria um perseguido político.
Uma mentira deslavada! Flávio foge para tentar escapar de uma investigação em que se apura seu envolvimento num esquema criminoso com casas de apostas, da qual dizem que só poderia escapar de ser preso se virasse presidente. Agora, a direita precisa esperar Lula cumprir seu mandato e se organizar para, de uma vez por todas, apresentar uma necessária alternativa política ao país, que lidere o bolsonarismo ao invés de se deixar guiar por uma família, com sua deplorável seita de incautos e oportunistas para os quais vale a pena votar em qualquer embusteiro contra o lulismo. O pequeno fujão, destinatário de quase 60 milhões de votos, mostrou que não vale!
* Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.
