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Eduardo Bolsonaro diz não ter medo de Moraes e que Lula 'foi malandro' após perder dedo
Eduardo Bolsonaro diz não ter medo de Moraes e que Lula 'foi malandro' após perder dedo
Em Miami, ex-deputado federal vai a local de votação e desconversa sobre sugestão de que Flávio deixe o Brasil
Por Isabella Menon/Folhapress
25/10/2026 às 17:15
Atualizado em 25/10/2026 às 17:08
Foto: Lula Marques/Agência Brasil/Arquivo
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro esteve no colégio eleitoral de Miami, na Flórida, na manhã deste domingo (25). Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, o ex-deputado avaliou positivamente o desempenho do irmão no último debate da TV Globo, realizado na sexta-feira (23), e ironizou as críticas a uma fala capacitista do senador, que fez referência ao fato de o presidente Lula (PT) ter apenas nove dedos.
"Olha, eu achei que a pessoa que se aposenta porque perdeu um dedinho [...], tem gente em situação muito pior que trabalha. Então eu acho que o Lula foi malandro ao se aposentar tão cedo", disse. Ao contrário do que sugeriu Eduardo, Lula não se aposentou por invalidez em decorrência do acidente de trabalho em uma metalúrgica, no qual perdeu o dedo mínimo da mão esquerda.
Eduardo também minimizou uma declaração feita em um podcast americano nesta semana, quando sugeriu o envio de fuzileiros navais ao Brasil caso seu irmão, Flávio Bolsonaro (PL), perca as eleições. Questionado se havia articulado a possibilidade com autoridades americanas, negou. "Pelo amor de Deus, isso era uma brincadeira".
O ex-deputado defendeu também que o irmão deixe o Brasil em caso de derrota eleitoral. Perguntado se a possibilidade já havia sido discutida com Flávio, desconversou. "Qualquer pessoa que esteja trabalhando pela liberdade tem medo de estar no Brasil hoje."
Questionado se teme o avanço de investigações contra o irmão em caso de reeleição de Lula, Eduardo negou e voltou a criticar o governo petista. "O medo do brasileiro é de postar na rede social. O medo de hoje é de todo mundo que quer liberdade. Deputados têm medo de falar na tribuna", disse.
Autoexilado nos Estados Unidos desde o ano passado, Eduardo não vota, mas afirmou que foi ao local para acompanhar os eleitores brasileiros. "Estou proibido de ir ao Brasil, então vim aqui ficar com meus amigos brasileiros", disse.
Eduardo voltou a criticar o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), responsável por sua condenação a quatro anos e dois meses de prisão.
"Não tenho medo do Moraes e, mais uma vez, ele não conseguiu extraditar ninguém na Espanha, Polônia, EUA e Argentina. Será que o mundo inteiro está errado e só o Moraes está certo?"
O ex-deputado desconversou sobre a possibilidade de ocupar um cargo em um eventual governo de Flávio Bolsonaro. "Daqui a pouco vamos saber", afirmou.
Eduardo chegou a ser cotado para assumir o Ministério das Relações Exteriores. Aliados afirmam que ele poderá escolher o cargo que desejar em um eventual governo bolsonarista, em razão de sua influência junto à administração de Donald Trump. O ex-deputado atuou para viabilizar um encontro entre Flávio e o presidente americano e trabalhou pela imposição de sanções contra autoridades brasileiras nos últimos anos.
Em entrevista ao Jornal Nacional, porém, Flávio disse que não estava "no radar" a possibilidade de nomear o irmão para o Itamaraty. Aliados de Eduardo afirmam ter sido surpreendidos pela declaração e avaliam que o senador poderia ter deixado a questão em aberto. Ainda assim, acreditam que o ex-deputado continuará exercendo influência nas relações com os EUA, mesmo que não assuma o ministério.
Em Miami, reduto de ampla maioria bolsonarista, Eduardo foi ovacionado pelos eleitores que estavam no local. Vestidos com camisetas verdes e amarelas e carregando bandeiras do Brasil e dos EUA, apoiadores aplaudiram o ex-deputado e entoaram gritos de campanha do PL, como "quem ficar parado é petista disfarçado".
Uma fila foi organizada para que os eleitores pudessem tirar fotos com Eduardo, que estava acompanhado do aliado e comentarista político Paulo Figueiredo.
Alguns apoiadores de Lula também apareceram no local e dirigiram críticas e xingamentos ao ex-deputado, chamando-o de fascista. Bolsonaristas reagiram aos gritos de "volta para Cuba" e "Lula ladrão, seu lugar é na prisão".
