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Decisão de Zanin gerou incerteza Brasil afora, e muitos eleitores não puderam votar após as 17h
Decisão de Zanin gerou incerteza Brasil afora, e muitos eleitores não puderam votar após as 17h
Por Redação
25/10/2026 às 21:09
Atualizado em 25/10/2026 às 21:31
Foto: Rosinei Coutinho/STF/Arquivo
O ministro Cristiano Zanin, do STF (Supremo Tribunal Federal)
Mesários e fiscais ouvidos pela Folha relatam que só após o fechamento das urnas ficaram sabendo da decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF (Supremo Tribunal Federal), que prorrogou a votação por duas horas neste domingo (25).
A Folha visitou sessões eleitorais e colheu relatos obre o que aconteceu entre 17h e 19h.
Bahia
Depois de enfrentar problemas com a frota de ônibus ao longo do dia, Salvador teve parte das urnas encerradas pontualmente às 17h, mesmo com a prorrogação do horário de votação.
Nas seções da Faculdade de Administração da UFBA (Universidade Fedetal da Bahia), no Vale do Canela, mesários e fiscais discutiam sobre o que fazer diante do impasse. Todas as urnas da faculdade já haviam sido lacradas.
Fiscais do PT pressionavam para abertura da votação em células, mas o chefe local afirmou que não havia urnas físicas disponíveis.
Fiscais do PL questionaram a falta de uma informação oficial do TRE sobre a prorrogação.
Depois de cerca de uma hora, os mesários receberam a orientação de permanecer no local até às 19h e registrar em ata os eleitores que nao conseguiram votar.
Na Faculdade de Administração, no prédio ao lado, a maior parte dos mesários já tinha deixado o local.
A comerciante Flaviane Braga, 49, foi uma das que não conseguiu votar. Ela passou o dia ajudando eleitores a chegar em seus locais de votação diante da crise nos transportes, e chegou no local de votação pouco depois das 17h.
"Eu vou votar. Se a lei disse que foi prorrogado, eu tenho direito de votar", afirmou a eleitora, que decidiu permanecer no local.
Distrito Federal
O TRE-DF (Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal) disse que não foi comunicado oficialmente da prorrogação e que ficou ciente da medida por meio da imprensa, e não por notificação oficial vinda do Supremo.
O tribunal reiterou que, se a prorrogação tivesse sido comunicada com uma hora de antecedência, haveria tempo hábil para notificar os mesários e os presidentes das seções. "Com a informação após o horário de fechamento, não temos o que fazer", declarou a corte.
Na escola Elefante Branco, na Asa Sul de Brasília, 4 das 11 seções permaneceram abertas para votação após as 17h. As outras seções já haviam sido encerradas antes da decisão de prorrogação do prazo determinada pelo ministro. Segundo o administrador do local de votação, os presidentes das seções foram orientados pelo TRE-DF a fechar as urnas às 17h20.
A decisão de Zanin não foi cumprida em ao menos 12 escolas do Distrito Federal.
Em dois casos, a orientação de manutenção da votação foi comunicada às equipes que trabalhavam na sessão quando as urnas já estavam lacradas, o que impede que elas fossem reabertas.
A reportagem testemunhou uma eleitora que chegou ao CEUB da Asa Norte, em Brasília, após as 17h, mas não conseguiu votar. Ela foi informada que as urnas já estavam lacradas e orientada a procurar a Justiça Eleitoral.
