Celina Leão é reeleita governadora do Distrito Federal
Sucessora de Ibaneis se reelegeu com apoio de nomes da direita, como Michelle Bolsonaro
Por Mateus Vargas/Folhapress
25/10/2026 às 19:45
Atualizado em 25/10/2026 às 22:47
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil/Arquivo
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP)
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), 49, foi reeleita para o cargo no segundo turno das eleições deste domingo (25).
Com 100% das urnas apuradas, Celina tinha 57,18% dos votos válidos, contra 42,82% de Leandro Grass (PT). Ela recebeu 987 mil votos, superando o adversário petista em 248 mil votos.
Durante uma entrevista coletiva após a divulgação do resultado, Celina fez diversos agradecimentos e relatou que seu adversário, Grass, havia a telefonado reconhecendo sua vitória e a cumprimentado.
"O coração do servo é o coração do rei. Nós vamos servir com muita humildade essa cidade", declarou. "Nós vamos governar para todos. Aqueles que votaram, aqueles que não votaram, nós vamos fazer realmente um governo para todo mundo aqui no Distrito Federal
Ela destacou que, com o resultado, o Distrito Federal será a única unidade da federação que terá quatro cargos majoritários —a chefe do Executivo e as três cadeiras no Senado— exercidos por mulheres. O distrito elegeu Michelle Bolsonaro e Bia Kicis (ambas do PL), e já tinha Damares Alves (Republicanos) no cargo desde 2022.
"Nós vamos honrar a população trabalhando, servindo, sendo uma capital que será modelo para o Brasil", disse a governadora. Foi a primeira vez que Celina disputou o cargo de governadora. Antes, foi deputada distrital e federal e assumiu, em 2023, o cargo de vice de Ibaneis Rocha (MDB).
A decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Cristiano Zanin de prorrogar por duas horas a votação em todo o país, emitida pouco após as 17h, causou confusão entre mesários e presidentes de seção. Em alguns locais do país, urnas já haviam sido encerradas e contabilizadas, com a impressão de boletins de urna. A prorrogação do horário é inédita no país.
Celina passou a comandar a capital federal em março, após Ibaneis deixar o governo com a intenção de disputar uma vaga ao Senado –em julho, ele anunciou a desistência da candidatura em meio ao desgaste envolvendo a tentativa frustrada de compra do Banco Master pelo BRB (Banco de Brasília).
Durante a campanha, Celina se afastou do ex-governador e dividiu palanques com os principais nomes da direita no DF: a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e a deputada Bia Kicis (PL), eleitas senadoras, além de Damares Alves (Republicanos), que já ocupa vaga no Senado. Recebeu também o apoio de Flávio Bolsonaro (PL).
A disputa pelo comando do Distrito Federal foi levada ao segundo turno por uma margem pequena de votos. Celina obteve 49,93% dos votos válidos, contra 34,47% do petista.
Ela terá mandato até o fim de 2030. Entre os desafios iniciais da governadora reeleita está a crise envolvendo a compra frustrada do Banco Master, de Daniel Vorcaro, pelo BRB —ela já busca empréstimo de até R$ 6,6 bilhões junto ao FGC (Fundo Garantidor de Crédito) para recompor o caixa do banco.
Também disputaram o primeiro turno da eleição Paula Belmonte (PSDB), Ricardo Capelli (PSB), Kiko Caputo (Novo), Professora Samara Mineiro (UP), Professor Robson, Elisson (Agir), Expedito Mendonça (PCO) e Rico Pinheiro (PRTB).
A disputa ao Governo do DF foi marcada, ainda, pela rejeição da candidatura de José Roberto Arruda (PSD) por condenações por improbidade no caso da Operação Caixa de Pandora.
Ex-governador da capital federal de 2007 a 2010, Arruda chegou a aparecer empatado tecnicamente com Celina em simulação de primeiro turno da pesquisa Datafolha de 21 de agosto.
A campanha do candidato do PSD, porém, perdeu fôlego com os sinais de que ele teria de deixar a disputa, o que se confirmou por decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) dada em 24 de setembro, quando Arruda já aparecia em terceiro lugar nas pesquisas.
CASO MASTER-BRB
Celina era vice de Ibaneis quando o BRB tentou comprar o banco de Daniel Vorcaro. Durante a campanha, ela repetiu que não se envolveu na operação. Também disse que não tinha contato com o então presidente do banco, Paulo Henrique Costa, atualmente preso.
Vorcaro, porém, afirmou em abril de 2025 que Celina "não ficou de fora" das discussões e que o discurso dela era "jogo pra se preservar na política", de acordo com diálogos extraídos do celular do ex-banqueiro.
Celina disse que a reportagem mostrando os diálogos estava fora de contexto e criava "uma narrativa que não é verdadeira". A governadora afirmou que nunca teve qualquer tipo de contato com Vorcaro e que sempre foi contra a operação BRB-Master.
O Banco Central rejeitou a compra em setembro de 2025. O Master foi liquidado pelo BC em novembro do mesmo ano, após a prisão de Vorcaro em operação da Polícia Federal quando ele embarcava de jatinho para o exterior.
A compra de carteiras de crédito falsas do Master seguida pela tentativa de aquisição do banco provocou um rombo bilionário no BRB, cujo principal acionista é o Governo do Distrito Federal.
O tamanho do prejuízo do BRB, porém, ainda não foi tornado público. Desde que o escândalo Master veio à tona, nenhum relatório operacional foi apresentado, como as demonstrações dos resultados de 2025 e do primeiro semestre deste ano.
Investigações da PF concluíram que o BRB transferiu cerca de R$ 17 bilhões ao Master. A maioria desses repasses era de títulos falsos, ou seja, sem valor --eles equivalem a cerca de R$ 12,2 bilhões.
Celina tem insistido em um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões junto ao FGC para recompor o caixa do BRB, mas a medida enfrenta a resistência de grandes bancos, que participariam da operação como fiadores.
