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Bloco do centrão com dez partidos declara apoio à reeleição de Motta na Câmara
Bloco do centrão com dez partidos declara apoio à reeleição de Motta na Câmara
Grupo de legendas tenta isolar PL e evitar que sigla de Flávio Bolsonaro domine Congresso
Por Raphael Di Cunto/Augusto Tenório/Folhapress
14/10/2026 às 17:30
Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB)
Um grupo de dez partidos do centrão declarou apoio nesta quarta-feira (14) à reeleição do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). O bloco soma 252 deputados, quase a maioria da Casa, e anunciou também que atuará junto na próxima legislatura que se inicia em fevereiro de 2027.
"O presidente Hugo Motta terá nosso apoio para iniciar o diálogo em busca de convergência e unidade em torno de sua reeleição à Presidência da Câmara dos Deputados", afirma a nota, assinada pelos líderes e presidentes do União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, PSDB/Cidadania, Podemos e da federação PRD/Solidariedade.
Mais cedo, Motta recebeu também apoio do PDT, que terá seis deputados a partir do próximo ano. Ele atua ainda para obter a adesão dos demais partidos de esquerda, como PT e PSB, num movimento que visa isolar o PL de Flávio Bolsonaro, sigla que declarou ser contra a sua candidatura.
Motta aproveitou a retomada dos trabalhos da Câmara nesta semana, com a presença de líderes em Brasília, e intensificou as articulações em busca de apoio. O primeiro a aderir foi PSD, nesta terça-feira (13). O líder da sigla, Antônio Brito (BA), era visto como possível rival do atual presidente.
O bloco de partidos do centrão que declarou apoio a Motta nesta quarta-feira reúne 252 dos 513 deputados, pouco menos do que os 257 necessários para elegê-lo no primeiro turno. O voto, no entanto, é secreto, o que faz com que nem todos os deputados votem seguindo a orientação do partido.
"Nosso objetivo é dar continuidade ao trabalho que temos construído por uma Câmara plural, independente e aberta ao diálogo com todas as correntes políticas, garantindo espaço a todos os 513 deputados e avançando nas decisões importantes para o país. Com esse espírito de união, harmonia e compromisso, o bloco seguirá trabalhando de forma conjunta", diz a nota.
O movimento de Motta se intensificou após o favoritismo de Flávio Bolsonaro na corrida presidencial ameaçar a recondução dele e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O grupo vê como mais forte a possibilidade do atual presidente da Câmara ser reconduzido do que de Alcolumbre (União Brasil-AP), considerando o tamanho da nova direita em cada uma das Casas.
Uma ala do centrão entende que a reeleição de Motta será importante para contrapor a força de um eventual governo Flávio Bolsonaro. Esses políticos avaliam que, se eleito, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro precisa enfrentar algum tipo de resistência na Câmara, principalmente diante da perspectiva de o PL eleger o presidente do Senado.
O PL terá 121 deputados na próxima legislatura e passou a atuar contra a reeleição de Motta. O líder do partido, Sóstenes Cavalcante (RJ), e o vice-presidente, Altineu Côrtes (RJ), pretendiam disputar o cargo, na eleição que ocorrerá em 1º de fevereiro. O grupo avalia ainda ser possível construir acordos para lançar uma candidatura alternativa, com o apoio dos parlamentares de direita, caso seja a decisão de Flávio.
Após receber o apoio do PSD, Motta afirmou que o centro precisa entender como sobreviver na "selva política" após a onda de direita levar a ampliação da bancada do PL na Câmara e no Senado. O crescimento do bolsonarismo na Câmara se deu, majoritariamente, sobre partidos que formam o centrão.
O PT também indicou que apoiará a reeleição do parlamentar, mas o tema ainda será discutido novamente antes de ser oficializado. O apoio deve ser seguido pelos demais partidos da federação governista, o PCdoB e o PV. Nesta quarta (14), Motta fez mais um gesto ao governo e colocou em votação projeto de lei que aumenta o teto de faturamento e o perdão de dívidas do MEI (Microempreendedor Individual).
Motta fez campanha pela reeleição do presidente Lula (PT), o que aumentou as desconfianças dos bolsonaristas em relação a ele. Antes disso, a relação já estava estremecida pela decisão de não votar a anistia dos condenados pela tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023 –no lugar, a Câmara aprovou um projeto de lei para redução de penas.
Ele também foi um dos principais responsáveis por colocar em votação a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do fim da escala 6x1, em desgaste para a oposição e para o senador Flávio Bolsonaro. O candidato do PL à Presidência evitou se manifestar sobre o texto, mas acabou declarando voto favorável com o argumento de que a maioria da população concorda com a proposta.
