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Lula busca desgastar Flávio Bolsonaro e diz que oposição tentou travar fim da 6x1 na CCJ do Senado
Lula busca desgastar Flávio Bolsonaro e diz que oposição tentou travar fim da 6x1 na CCJ do Senado
Por Caio Spechoto/Folhapress
03/09/2026 às 11:34
Foto: Ricardo Stuckert/Arquivo/PR
O presidente Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou a aprovação da PEC (proposta de emenda à Constituição) do fim da escala 6x1 na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado para tentar desgastar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário do petista na eleição presidencial.
Lula mencionou em publicação nesta quinta-feira (3) nas redes sociais o fato de integrantes do grupo político bolsonarista agirem para atrasar a votação no colegiado e tentarem alterar o projeto. Se a estratégia da oposição fosse exitosa, o texto preisaria passar por nova análise na Câmara dos Deputados.
A proposta é uma das principais apostas do chefe do Executivo para aumentar a própria popularidade e fortalecer a candidatura à reeleição. Em maio, pesquisa Datafolha mostrou que o fim da escala 6x1 tem apoio de 7 em cada 10 brasileiros.
O petista mencionou, sem citar diretamente, o senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado e coordenador da campanha de Flávio. Na CCJ, o congressista disse que a redução da jornada vai encarecer o trabalho, obrigando empresários a aumentar preços.
"Ontem o Brasil testemunhou, mais uma vez, quem é quem no Congresso Nacional. Enquanto tentávamos avançar com a PEC que acaba com a jornada 6x1 no Senado, a oposição, capitaneada pelo coordenador da campanha do meu opositor nessa corrida presidencial, atuava para impedir o avanço da pauta", afirmou Lula no X (ex-Twitter).
"É importante que o Brasil saiba quem está trabalhando para avançar com essa mudança e quem está tentando impedir uma conquista que pode garantir um dia a mais de descanso sem redução de salário", complementou o petista.
Lula rebateu as críticas ao projeto baseadas em projeções de danos econômicos, e afirmou que esses argumentos já foram usados para se contrapor a outras pautas trabalhistas no passado, como o direito a férias e o décimo terceiro salário.
"O que quebra de verdade é a saúde mental do trabalhador com essa escala. O que quebra qualquer família é a sensação de não poder acompanhar os filhos crescerem. Viver para trabalhar, e não ter vida além do trabalho. Desmotiva. Mina a produtividade", disse Lula.
A PEC que acaba com a escala 6x1 foi aprovada pela Câmara em maio. Depois, ficou travada no Senado enquanto Lula e Alcolumbre estavam rompidos. Em agosto, os dois se acertaram, e o chefe do Congresso enviou o texto para a CCJ.
A comissão aprovou a proposta na quarta-feira (2), abrindo caminho para uma deliberação em plenário que só deve vir depois do primeiro turno da eleição presidencial. A decisão foi simbólica, sem contagem dos votos, mas Marinho e os senadores Jaime Bagattoli (PL-RO), Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e Tereza Cristina (PP-MS) registraram posicionamento contrário ao tema.
Eles não concorrem à eleição neste ano e possuem mais quatro anos de mandato, em estratégia dos bolsonaristas para escalar congressistas em meio de mandato para fazer o enfrentamento ao governo nesse tema e tentar reduzir o risco de desgaste eleitoral.
O relator, Omar Aziz (PSD-AM), aliado de Lula e candidato a governador do Amazonas, rejeitou as emendas e recomendou a aprovação do texto já deliberado pela Câmara –isso acelera a tramitação, porque se houver mudanças na proposta ela precisa ser votada de novo pelos deputados.
A maioria dos destaques foi apresentada pela oposição e tentava evitar a redução da jornada, barrar a concessão de dois dias de folga ou aumentar o período de transição para as empresas.
A oposição ainda pediu vista na discussão, o que levou a reunião da CCJ a ser suspensa por uma hora, como parte da estratégia para conter a votação. Mas governistas insistiram na análise e, após o prazo, o chefe da comissão, Otto Alencar (PSD-BA), da base do governo, levou a proposta à deliberação.
