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Com pesquisas, tese de disputa acirrada ao governo se consolida, a ‘Maria Espalha Brasa’, o Surfistinha da campanha e os campeões de recursos do Fundo Eleitoral

Com pesquisas, tese de disputa acirrada ao governo se consolida, a ‘Maria Espalha Brasa’, o Surfistinha da campanha e os campeões de recursos do Fundo Eleitoral

Por Política Livre

02/09/2026 às 12:02

Atualizado em 02/09/2026 às 12:54

Foto: Reprodução

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Primeiro turno

A pesquisa Futura Inteligência/Política Livre, divulgada ontem (01) (ver aqui) mostrou que ACM Neto (União) venceria a eleição para o governo no primeiro turno se fossem contabilizados apenas os votos válidos, retirando brancos, nulos e indecisos, como é a conta feita pela Justiça Eleitoral no dia do pleito. O ex-prefeito de Salvador teria 52,3% no levantamento, contra apenas 46,6% do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e 1,1% dos demais, segundo os dados divulgados sob o registro 08990/2006. A ressalva é que, pela margem de erro, o quadro continua estatisticamente aberto. 

Empate ou vitória?

A mesma pesquisa permite duas leituras. Pelos percentuais divulgados, Neto e Jerônimo aparecem tecnicamente empatados, já que a diferença está dentro da margem de erro (3,1 pontos percentuais). Mas, quando a conta é refeita apenas com os votos válidos, como faz a Justiça Eleitoral na apuração das urnas, o ex-prefeito ultrapassa os 50% necessários para liquidar a disputa no primeiro turno. Em outras palavras: o levantamento aponta desde um cenário de equilíbrio estatístico até, na melhor hipótese para o candidato do União Brasil, uma vitória já em 4 de outubro.

Eleitor decidido

Outro dado da Futura/Política Livre que não passou despercebido é o tamanho reduzido do eleitorado indeciso. Apenas 2,9% disseram não saber em quem votar para governador no cenário estimulado. Somados aos 1,9% de brancos e nulos, restam apenas 4,8% fora da disputa. Traduzindo: a eleição baiana entra na reta final com um eleitorado praticamente definido, o que reduz o espaço para grandes reviravoltas.

Rame-rame

A sequência de pesquisas, a da Futura/Política Livre entre elas, mostrando a consolidação de uma disputa acirrada pelo Palácio de Ondina tem tirado o sono de Adolpho Loyola, secretário de Relações Institucionais do governo sobre cujos ombros vem sendo jogada a culpa pelo desempenho aquém do esperado, a esta altura da campanha, do governador do Estado nas intenções de votos. Ele tem chamado a atenção da turma para a importância de arregaçar as mangas, observando que, a ficar no atual ‘rame-rame’ de que Jerônimo vai melhorar,  é melhor jogar a toalha logo.

Conflito pouco é bobagem

Protagonista de brigas homéricas na coordenação de campanha do governador Jerônimo Rodrigues (PT) em Salvador, a socióloga Fabya Reis ganhou um apelido nada abonador de petistas e correligionários: Maria Espalha Brasa, aquela que chega criando problema com todo mundo. Além de desconhecer a realidade da cidade, ela também transformou o espaço que deveria organizar as ações de Jerônimo na capital em comitê exclusivo de campanha do marido, o deputado federal Valmir Assunção, e de Lucas Reis, nome do bolso do colete do senador Jaques Wagner (PT) para a Câmara.

Melhor que ele

Fabya, diga-se de passagem, nunca foi a opção dos sonhos dos petistas para a coordenação de campanha do governador em Salvador. Se credenciou para a posição por ter sido candidata a vice de Geraldo Jr. (MDB) à Prefeitura em 2024. Acabou ocupando um lugar que poderia ter sido destinado a ele se os mesmos petistas não nutrissem por Geraldo um profundo desprezo pela derrota fragorosa naquela campanha e devido ao comportamento considerado inconfiável para qualquer atividade. Geraldo foi mantido como vice de Jerônimo por absoluta falta de opção.

Na lista

A inclusão do juiz Moacyr Pitta Lima Filho na lista tríplice destinada ao preenchimento de vaga de desembargador do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, na semana passada, foi considerada o reconhecimento de uma trajetória marcada pela experiência, equilíbrio, dedicação à magistratura e compromisso permanente com a atividade judicante. Ao longo de sua carreira, Moacyr construiu uma excelente reputação, devido à atuação pautada pela seriedade, independência e profundo respeito às instituições.

Recurso desperdiçado

O ex-ministro Rui Costa (PT) anda queixoso do tratamento que tem lhe sido dispensado pelo partido, que acredita mais buscar escondê-lo do que promovê-lo, apesar de liderar todas as pesquisas de intenção de voto ao Senado e vir se dedicando a alavancar a candidatura à reeleição do senador Jaques Wagner por onde passa. Ele também estaria apreensivo com o grau de dificuldade que tem enfrentado para fortalecer o nome de Jerônimo no interior, o que acredita decorrer do alheamento com que o governador vem se comportando em relação à campanha.

Surfistinha

Quem também ganhou apelido no governo foi o ex-secretário de Cultura do Estado Bruno Monteiro, que bandeou-se, com o aval de Wagner e do próprio Jerônimo, para a chefia da comunicação da campanha majoritária petista e, devido à vaidade, tem deixado de aproveitar iniciativas importantes que poderiam ajudar imensamente o candidato. Durante a convenção petista, por exemplo, desfez com a maior desfaçatez todo o trabalho armado para entrevistar prefeitos presentes ao lado do governador porque não foi o autor da ideia. Há quem diga que Bruno não passa de um ‘Surfistinha’.

Sem verba

O deputado estadual Vitor Bonfim, uma das apostas do PSB para a eleição na Câmara Federal, ainda não recebeu nenhum centavo de doação do próprio partido na disputa, ao contrário dos dois congressistas da sigla, a presidente Lídice da Mata e Mário Negromonte Júnior. Cada um dos dois parlamentares já abocanhou R$ 1 milhão da direção nacional. Vitor já se queixou de Lídice, que prometeu resolver a questão. A ex-deputada federal Elisangela Araújo, também filiada, ficou com apenas R$ 400 mil. 

Marinho generoso

No Republicanos, o presidente do partido na Bahia, deputado federal Márcio Marinho, mostrou que, no caso do partido, os novatos que concorrem à Câmara têm prioridade no recebimento de recursos. Enquanto ele ficou até agora com apenas R$ 400 mil de doação da sigla, Leo Prates, Diego Coronel e Marcelo Guimarães, este filiado há mais tempo, faturaram R$ 2 milhões cada. A deputada federal Rogéria Santos, outro quadro antigo, ficou com R$ 1,8 milhões da nacional e R$ 200 mil da direção estadual.  

Mais recursos

Até agora, o deputado federal que mais recebeu recursos públicos para tocar a campanha foi Cláudio Cajado, do PP. Ele ganhou R$ 3.161.572,53, pouco mais do que os bolsonaristas Capitão Alden (PL) e Roberta Roma (PL), que ficaram com R$ 3,1 milhão. Quem não recebeu nada por enquanto foram os deputados Jonga Bacelar (PL), Ricardo Maia (MDB) e Joseildo Ramos (PT). Joseildo, por sinal, é o único petista sem receber fundo da direção nacional. Quem mais ganhou foi Ivoneide Caetano (PT), com R$ 2,340 milhões.

Pitacos

* Pelos cálculos de aliados e adversários, Rui Costa deve ter mais votos em Salvador do que Jerônimo. 

* Se Cláudio Cajado recebeu uma bolada da direção nacional do PP, o outro deputado federal do partido na Bahia, Jorge Araújo, que assumiu na licença de João Leão, ganhou apenas R$ 1,9 milhão até agora da legenda. 

* No União Brasil, o partido decidiu doar, até aqui, R$ 1 milhão aos deputados federais baianos. Nas demais siglas, a exemplo do PSD, houve distinções. Enquanto Raimundo Costa e Antonio Brito faturaram R$ 2 milhões, Gabriel Nunes abocanhou R$ 1,5 milhão. 

* No Avante, Neto Carletto recebeu R$ 1,3 milhão de doação do diretório nacional. O outro parlamentar da legenda, Pastor Sargento Isidório, ficou com R$ 1 milhão. No PV, o único representante baiano, Bacelar, faturou R$ 2,5 milhões. 

* O vereador licenciado de Salvador George Gordinho da Favela (PP), candidato a estadual, e a ex-vereadora da cidade Léo Kret (União), postulante a federal, receberam doações nacionais dos partidos políticos para as eleições deste ano. O primeiro faturou R$ 300 mil e a segunda, R$ 434.970.

* Vale lembrar que os dois foram afastados dos cargos em maio deste ano – Léo Kret era diretora-geral da Secretaria Municipal de Reparação – após operação da Justiça baiana apurar desvios de recursos que deveriam ser entregues a entidades carnavalescas.

* Presidente da Câmara Municipal de Salvador, Carlos Muniz (PSDB) e o irmão, Anderson Muniz, destinaram juntos R$ 41 mil para a campanha de Carlos Muniz Filho (PSDB) a deputado federal. O postulante é filho e sobrinho dos doadores, respectivamente. 

* Ex-deputada estadual e ex-vereadora de Camaçari, Luiza Maia (PT) declarou, nesta segunda (31), seu apoio à candidatura do edil Tagner Cerqueira (PT) a deputado estadual. A petista já foi casada com o prefeito da cidade, Luiz Caetano (PT). 

* Presidente da Assembleia, a deputada Ivana Bastos (PSD) apresentou um projeto de resolução para conceder o título de cidadão baiano ao comandante do Exército brasileiro, o general Tomás Miguel Paiva.

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