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Empresários e economistas articulam manifesto por apuração de fatos e maior transparência no Supremo
Empresários e economistas articulam manifesto por apuração de fatos e maior transparência no Supremo
Sociedade civil começa a se articular para organizar documento que cobra envolvidos, enquanto espera manifestação de Fachin sobre condução da apuração de novos escândalos na Corte
Por Cristiane Barbieri/Carlos Eduardo Valim/Estadão
04/09/2026 às 19:30
Foto: Gustavo Moreno/STF
Plenário do Supremo Tribunal Federal
Empresários e economistas têm se articulado para criar um manifesto, que pede a apuração dos fatos recentes envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e maior transparência no caso. O movimento tem sido articulado em grupos de WhatsApp que reúnem líderes de empresas, bancos e economistas.
Ainda não há definição sobre as iniciativas que serão tomadas. A ideia, segundo um dos organizadores do movimento - que falaram sob condição de anonimato -, é esperar a manifestação e a condução de Edson Fachin, presidente do STF, em relação aos escândalos que vieram à tona esta semana, antes de decidir qual iniciativa adotar.
O medo, diz outro envolvido nas articulações, é do uso eleitoral do tema. Porém, a percepção geral é que o assunto é apartidário e muito relevante para a nação com instituições tão fragilizadas. Um terceiro empresário afirmou que mais um manifesto é pouco, frente à gravidade do tema.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Alexandre Ostrowiecki, presidente do conselho da Multi, afirma que a Polícia Federal, o Ministério Público e o STF devem ter atuação totalmente profissional a fim de evitar problemas de corrupção, o que, na visão do executivo, não aconteceu no caso do Master.
“A gravidade do caso é que as mensagens indicam que a podridão está no alto coração do sistema, justamente no sistema de prevenção, justamente nos glóbulos brancos que deveriam proteger o corpo”, diz Ostrowiecki.
Não é a primeira vez que esse tipo de movimento é realizado. Em dezembro, foi lançado o manifesto “Ninguém acima da Lei”, articulado pela sociedade civil e que, hoje, conta com mais de 78 mil assinaturas. O documento cobrava diretamente de Fachin a adoção de um código de conduta rigoroso e maior transparência nos limites institucionais e éticos da Corte. Ele aconteceu após as primeiras revelações sobre a proximidade entre vários ministros do Supremo com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Em março, foi realizado um ato cívico no Salão Nobre da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, que reuniu 150 pessoas presencialmente e 2,3 mil assistindo ao vivo. Mesmo com a pressão da sociedade civil, o código de ética não andou. Apesar de Facchin ter tentado marcar reuniões com outros integrantes do Supremo para tentar articular sua implantação, os encontros não aconteceram.
Com as revelações desta semana, que incluem dezenas de conversas entre o ministro Alexandre de Moraes e Vorcaro, bem como a revisão do contrato que previa pagamento de R$ 130 milhões à advogada e mulher do ministro, Viviane Barci de Moraes, ter sido revisado pelo ele, o movimento voltou a ganhar força.
