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Dino diz que não há 'crise terminal' no Judiciário, mas defende reforma para punir 'corruptos'

Dino diz que não há 'crise terminal' no Judiciário, mas defende reforma para punir 'corruptos'

Por Felipe de Paula, Estadão Conteúdo

11/08/2026 às 13:18

Foto: Victor Piomonte/STF/Arquivo

Imagem de Dino diz que não há 'crise terminal' no Judiciário, mas defende reforma para punir 'corruptos'

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino afirmou nesta terça-feira, 11, que é falsa a percepção de uma "crise terminal e apocalíptica no mundo do Direito" e no Judiciário, mas acredita que "reformas são sempre necessárias". O magistrado defendeu a punição de operadores do Direito que se valem da corrupção, o fim de fundos jurídicos para lavagem de dinheiro e o combate à compra e venda de sentenças.

Dino disse que a "pregação" sobre uma suposta crise no Judiciário é movida por "objetivos ideológicos, oportunismos político-eleitorais e interesses econômico-financeiros". "Ou, na melhor das hipóteses, esse discurso deriva de deletérios vieses de confirmação, que recortam, fraudam e moldam a realidade para 'caber' em estranhas hipóteses preconcebidas", escreveu o ministro em publicação no Instagram para celebrar o bicentenário dos cursos jurídicos no Brasil.

Para além do combate à corrupção e aos desvios de magistrados, o ministro disse que a "pauta prioritária abrange morosidade nos processos, uso e abuso da inteligência artificial e precatórios fabricados e utilizados para perpetração de crimes".

Há pouco mais de dois anos no Supremo, Dino foi o último ministro a ingressar na Corte. Em abril, Dino publicou um artigo de opinião no site ICL Notícias em que propõe uma ampla reforma no Poder Judiciário, da primeira instância às Cortes superiores.

O texto foi permeado de críticas ao presidente do STF, Edson Fachin, que encampou a questão ética como principal bandeira da sua gestão e que defende a aprovação de um Código de Conduta para magistrados de tribunais superiores.

Divisão

Como mostrou o Estadão, o STF está dividido em relação à proposta de Fachin de um Código de Ética para disciplinar a atuação dos ministros. Dino integra a ala composta por Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, que é refratária à ideia do presidente da Corte.

Quando publicou o artigo, Dino defendeu a revisão do capítulo do Código Penal sobre os crimes contra a Administração da Justiça e propôs punições mais rigorosas para magistrados que incorram em corrupção, peculato e prevaricação.

"A confiabilidade é um atributo fundamental para a legitimação democrática de todos os profissionais do Direito, o que justifica um tratamento legal específico", escreveu em abril.

Nesta terça-feira, Dino disse que "é preciso ter perseverança e coragem, e lembrar sempre dos direitos fundamentais - sobretudo dos pobres - assim como dos princípios da legalidade, moralidade, impessoalidade, publicidade e eficiência".

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