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‘Você faz parte disso’, disse sócio de Vorcaro a Jaques Wagner sobre venda do Master ao BRB
‘Você faz parte disso’, disse sócio de Vorcaro a Jaques Wagner sobre venda do Master ao BRB
Por Aguirre Talento, Felipe de Paula e Fausto Macedo/Estadão Conteúdo
18/06/2026 às 12:50
Foto: Divulgação/Arquivo
Augusto Lima
A Polícia Federal encontrou no celular de Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro e alvo da primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro, diálogos com o senador e líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Segundo os investigadores, as conversas indicam que o parlamentar era um “interlocutor relevante” de interesses ligados ao Banco Master e teria direcionado sua atuação no Congresso para apoiar a tentativa de compra da instituição pelo Banco de Brasília (BRB), operação que acabou rejeitada pelo Banco Central.
Jaques Wagner e Augusto Lima foram alvos de buscas nesta quinta-feira, 18, na nona fase da Operação Compliance Zero. A defesa do senador foi procurada, mas ainda não se manifestou. Os advogados de Lima disseram que as diligências da PF nesta manhã foram “desnecessárias”.
Os investigadores apontam que, em março de 2025, Augusto Lima detalhou a Jaques Wagner os termos da venda do Banco Master ao BRB. Em uma das mensagens, o ex-sócio de Daniel Vorcaro escreveu ao senador: “Você mais do que ninguém sabe da minha história e faz parte disso!!”.
Na avaliação da PF, as mensagens indicam que o líder do governo Lula no Senado não acompanhava o tema apenas como observador. Os investigadores afirmam que o senador tinha papel de interlocução em assuntos considerados estratégicos para o esquema e mantinha contato direto com um dos principais articuladores da operação.
Entre março e setembro de 2025, o BRB tentou adquirir o Banco Master por meio de uma operação conhecida internamente como “Projeto Vórtice”. O Banco Central vetou o negócio após concluir que a transação representava riscos incompatíveis com a situação financeira do banco público do Distrito Federal.
Segundo as investigações da PF, o BRB já havia repassado mais de R$ 12 bilhões ao Master por meio da compra de ativos sem lastro suficiente ou superfaturados. Meses depois, diante de problemas de liquidez e de suspeitas de irregularidades, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição controlada por Daniel Vorcaro.
‘Amanhã vence os boletos e são altos’, alertou enteado de Jaques Wagner
O pagamento pela atuação de Jaques Wagner em favor do esquema, segundo a PF, veio por um imóvel de luxo em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões e uma transferência em propina de R$ 3,5 milhões à familiares do senador.
A investigação aponta que a BN Financeira, empresa associada à família de Wagner, recebeu R$ 3,5 milhões de uma companhia vinculada a Augusto Ferreira Lima. Os investigadores citam mensagens em que o enteado do senador, Eduardo Mendonça Sodré Martins, o “Dudu”, cobrava Augusto por pagamentos pendentes.
Em uma conversa de setembro de 2025, Dudu alertou que havia boletos de alto valor prestes a vencer. Augusto respondeu que a situação estava “crítica” e atribuiu os atrasos ao fracasso da operação de venda do Banco Master ao BRB.
Um mês depois, segundo a PF, foi efetuada uma transferência de R$ 3,5 milhões para a BN Financeira por uma empresa ligada ao grupo de Augusto.
A reportagem busca contato com a defesa de Eduardo Sodré. O espaço está aberto.
Ao todo, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça.
